Santarém, Amazônia, Brasil

Poetas amazônicos – Eu

Por Jeso Carneiro em 9/11/2011 às 21:10

Diálogos de mim mesmo

Não sou nenhum dos outros
Que pareço carregar em mim.
Muito menos pereço
Do que penso ser
E do pouco que conheço
Do que penso estar…

Porque talvez haja alguém,
Que mal conheço,
Querendo se impor
Além do meu começo,
Além do meu fim!
Mesmo assim,
Careço conhecer
O muito que tenho
Ou penso ter, enfim…

É fácil ser
O que se pensa que se é.
Ou o que se quer parecer,
Um dia ser…
O difícil é não ser
Mais do que não se é!
Pois a eminência parda
De que padeço, do meu eu,
É mais do que mereço ser
Ou o que realmente sou…

E é mais fértil na imaginação
– Do querer ser –
O que os outros esperam,
Ou acreditam ver em mim…
Às vezes, quase até esqueço
Que sou o que sou
Porque é, o que devo ser…

E se mais não sou
Tampouco serei
Menos do que não sou
Até que a morte
De que feneço, enfim,
Esclareça o que nunca fui…

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De Jota Ninos, poeta amazônico nascido em Belém e que se naturalizou tapajônico.

Leia também dele:
Corpoesia.

Comentários

5 Comentários para “Poetas amazônicos – Eu”
  1. LampiãoMocorongo disse:

    “Sou o q/ sou e não o q/ os outros querem” – esses dizeres são belos e fortes, tbm acarretam aos q/ o vivem um córte, e consequentemente a dor ( esta passageira ). Exponho por experiência própria.
    Amigo não é aquele q/ vive de nhenhenhem, que so diz coisas doces p/ te agradar mas sabe ser franco s/ ser fdp.
    Ser e ter são coisas bem diferentes.
    Minhas amizades tem tem base no ser. O ter ajuda mas a base a solidez é o ser quem é.
    O fulano é juiz, se dizia meu amigo, todas as vezes q/ me via era aquela frescurada toda de cumprimento meloso. Um dia ladrão entrou na minha casa à tarde e levou umas armas de fogo. Na noite seguinte a PM prendeu o chefe da quadrilha. No dia seguinte liguei p/ o Delegado da Civil e disse p/ ele devolver minhas armas. O delegado muito bacana explicou q/ ja tinha aberto o procedimeno logo tinha uma porra de uma burocracia a cumprir. O juiz tinha q/ autorizar pq algumas das armas não tinham documento. A autoridade era aquele q/ se fazia de meu amigão. Fiquei feliz . EsTava iludio.. Liguei p/ o tal e ele prontamente me atendeu. Expliquei o caso e disse q/ queria minha coleção de volta. O juiz mandou eu fazer o procedimento. Disse q/ da pistola automática e da 20 eu tinha tudo documentado mas q/ a submetralhadora, do 38 e o revolver de dois canos antigo eram herança do… enfim expliquei o caso. O juiz mandou EU cumprir a lei. Cumpri. Me fu** todo naquela época mas daquele dia em diante aquele homem estava riscado da minha lista verde. Sabe o ditado – ‘ p/ os amigos tudo, p/ os inimigos a lei’. Ele é amigo de qualquer um, menos meu. Se depender de mim ele se explode . Até hj ve a cara daquele hipocrita me dá náuseas, ainda mais quando lembro q/ …. .
    Tem muita gente q/ se intitula de amigo mas só da boca p/ fora. Numa pisadinha fora da linha te lasca. C/ amigo desse tipo não se precisa de inimigo.
    Ser verdadeiro ser franco ser fiel são coisas muito diferentes. Cada um tem seus méritos. Todos juntos numa pessoa só é uma preciosidade incalculável.
    Ser falso fingido hipocrita é muito comum hj em dia.
    Ser amigo nas hrs boas é fácil demais.

  2. Maralice disse:

    Às vezes deixamos o nosso diálogo de lado, pelo medo de aparecer o nosso “eu verdadeiro”, esse talvez mais interessante, mais fascinante, e trocamos a essência pelo verniz social, como diz o mestre Jeso, camadas de tintas que nos camuflam e nos tornam infelizes. Parabéns ao poeta Ninos e ao Jeso pelo comentário.

  3. Jeso Carneiro disse:

    Ninos, a leitura deste teu poema me remeteu a Fernando Pessoa. Essa busca angustiada do âmago, sem as casacas do que cada um de nós é, sem as camadas de tintas do que a sociedade nos obriga a ser, sem os subterfúgios a que nos impusemos a ser, levou-me ao poeta português. Sem obter resposta convincente para esse “quem sou eu”, Pessoa se esfarelou em heterônimos. Foi a sua salvação. Do contrário, enlouqueceria. Parabéns, Ninos!

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