A pesquisa para prefeito e a fuga do juiz e promotor de Novo Progresso, Novo Progresso

por Dornélio Silva (*)

O cenário é a cidade de Novo Progresso. Ano de 2008, eleição para prefeito e vereadores. Prefeito da cidade Tony do PT, que tentava a reeleição. Sua principal adversária, a candidata do PSDB, Madalena Hoffman.

A candidata nos contratou para realizar uma pesquisa para publicar. Pesquisadores de Santarém partiram para Novo Progresso. Pesquisa registrada junto ao TRE. Espera-se coleta de campo fechar. Tempo passa, tempo passa, aproxima-se data prevista para publicação.

Tenta-se contato com pesquisadores, nada, nada, celulares fora de área. Mobiliza-se coordenação de Santarém, conhecidos, familiares dos pesquisadores, nada de notícias. Preocupação aumenta no escritório Belém e Santarém.

Cliente começa a cobrar resultado. Como não conseguíamos encontrar nossos pesquisadores, mobilizei outra equipe de Itaituba que foi a Novo Progresso fazer novamente a pesquisa.

Pesquisa pronta, resultado em mãos.

Num certo dia da semana, por volta das 19h, recebo um telefonema. Do outro lado da linha – “aqui é o prefeito Tony de Novo Progresso, vocês fazem pesquisa?”, respondi afirmativamente.

Ele continuou – “vocês estão fazendo uma pesquisa aqui em Novo Progresso pra publicar, mas o resultado está dando diferente de outras pesquisas que sempre estão me colocando na frente, até o Ibope já fez duas pesquisas aqui, e só vocês estão colocando essa mulher na frente…”

Aí interrompi, “mas prefeito, como o senhor sabe do resultado se a pesquisa não foi publicada?”. Ele continuou, “eu tenho sua pesquisa, está aqui comigo, estou com todos os questionários em mãos, descobri seus pesquisadores no hotel”.

Retruquei, “como o senhor conseguiu eu não sei, mas posso supor, o senhor deve ter corrompido meus pesquisadores, ameaçados… mas eles vão responder por seus atos porque eles assinaram um compromisso de confidencialidade, vão responder na delegacia”.

Aí o prefeito disse, “não, não faça isso com os meninos…”. Pedi um tempo e ligaria mais tarde ao prefeito. Como demorei um pouco pra ligar, o Tony do PT volta a me ligar, “como você não ligou, estou retornando, agora já estou aqui no fórum entregando a pesquisa ao promotor e ao juiz eleitoral para tomar as devidas providências contra a publicação da pesquisa”.

Não demorou muito tempo, por volta das 21h, outra ligação do prefixo 93. “Aqui quem está falando é o promotor de Novo Progresso, vocês estão criando o maior rebuliço na cidade com o anúncio de publicação de uma pesquisa. Preciso tomar uma decisão e para isso quero algumas informações”.

Todas as informações solicitadas foram passadas por fax. Depois o promotor me liga novamente. “Seu Dornélio preciso dos questionários da nova pesquisa aqui comigo”. Falei que era impossível, além do mais, lhe disse, “senhor promotor, como homem que cuida da lei, o senhor sabe que existem procedimentos legais, tem prazos estabelecidos para eu entregar esses questionários”.

Ele não se conteve, “então vou mandar fazer uma diligência no seu escritório aí em Belém ainda hoje porque já mandei fazer aqui no hotel que você me disse que os pesquisadores ficaram pra verificar se, de fato, a pesquisa foi feita”.

Falei, “doutor promotor, já são mais de 21hs e o local onde a pesquisa é processada já está fechado”.

Com seu ar arrogante, me falou, “bem, a decisão está em minhas mãos. Aqui numa sala está o prefeito, ali noutra sala os advogados, na outra o juiz.. esperando minha decisão. Tenho água, café…. portanto….”.

Pediu-me outras informações na impossibilidade de mandar fazer a diligência. Fui dormir.

No outro dia, o resultado pelo fax. Juiz havia proibido publicação da pesquisa, e foi mais além: proibiu realização de novas pesquisas no município.

Pode! Resultado da eleição: Tony do PT perdeu, obtendo 36,8% dos votos; a candidata do PSDB, Madalena Hoffman, foi a vitoriosa com 63,2%.

Logo após a derrota nas urnas do prefeito, o promotor e o juiz tiveram que sair fugidos de Novo Progresso porque o prefeito os ameaçava como culpados por sua derrota.

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* É diretor-executivo da Doxa Comunicação. Reside em Belém.

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