Blog do Jeso

Carta para o doutor Rodolfo Geller

Carta para o doutor Rodolfo Geller

por Apolinário (*)

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Caro Dr. Rodolfo Geller, quero cumprimentá-lo com os meus sinceros agradecimentos pela preocupação que sempre teve comigo e por dividir sua biblioteca e certas influências suas a favor do meu crescimento como artista e pessoa.

É admirável a gentileza que o senhor tem em repassar seus conhecimentos com quem quer que o procure. Tenha certeza que as forças poderosas da vida irão facilitar os seus caminhos e ampliar a sua felicidade.

Leia também do autor – Carta para Socorro Pena.

Você tem contribuído com a formação e o crescimento de muitas pessoas nesta cidade. Sem tirar aproveito dos resultados ou esperar recompensa de muitos que hoje atingiram seus objetivos graças a sua contribuição.

Juízes, médicos, artistas, pessoas simples e humildes já se alimentaram da fonte da sua bondade: Dr. Silvio Maria, Dra. Norma, eu e tantos outros que bateram e batem na sua porta, em uma só voz somos muito gratos.

Que a vida dê em dobro para os seus filhos o que você não negou para os filhos do mundo.

Estou lhe escrevendo esta carta com a certeza que um gaúcho de formação “manezinho” não me deixaria sem resposta. Pra mim não é problema não ter recebido as respostas de cartas que mandei para outros. Mas as suas se fazem necessárias publicamente.

Os assuntos desta já discutimos algumas vezes em seu escritório. Inclusive, gostei muito da última reforma. Espero que o aquário continue na porta de entrada. Os peixes têm poder de filtrar espíritos maus. Apesar das quantidades de degraus da escada já servirem de cadafalso para exorcizar as mentes invejosas.

Foi usado algum tipo de película nas paredes do corredor ou uma tinta especial que impossibilita a voz do Dr. Miguel Borguezan chegar até a recepção quando normalmente ele se encontra até o pescoço com petições murmurando prazo?

Falando em prazo, doutor, você lembra um certo dia quando, em sua biblioteca, procurávamos alguma coisa sobre execução penal e execução carcerária? Você achou aquele livro do seu amigo uma espécie de “tese de doutorado”. Nas entrelinhas, o autor nos abre os olhos a respeito de várias manobras que são feitas entre alguns juízes e patrões endinheirados para oprimir cada vez mais os desvalidos. Justamente aí se encaixam muitos casos de presidiários que amargam a dor do desprezo no judiciário.

Você sabe, doutor, quanto custa um dia de vida nas celas entulhadas, barulhentas e apodrecidas no presídio Silvio Hall de Moura? Um banho de sol custa R$ 10 por preso.

A comida melhorada e o barraco (uma espécie de tenda feita por lençol, dividindo em vários espaços menores um pavilhão) R$ 500 por mês. Um litro de água gelada fora de hora para apagar o vulcão da sede e do sufoco do isolamento, R$ 15.

Um telefone para todos que estão com o chip guardado no ânus para poderem ligar para os seus familiares e outros contatos por três minutos, no máximo uma vez por dia, e passar o telefone em frente, R$ 50.

Um mirrado baseado de última qualidade para fumar de madrugada, R$ 30. Poder ficar a vontade com uma xoxota uma vez por semana, R$ 100, fora o cachê da gata. Ter seu parecer de boa conduta da administração do presídio, R$ 5.000. Para receber a visita de um advogado da Defensoria Pública, R$ 1.500.

Para tentar uma fuga com o tempo de 2 horas para ser anunciada, e os cães com seus fuzis já partirem em busca, R$ 7.000 por preso. Para sair pela porta da frente com os seus direitos reconquistas para voltar a se reintegrar à sociedade, de R$ 30.000 a R$ 50.000 os casos mais bobos, ou que se fodam todos na cadeia.

O preso que não tem familiares endinheirados e nenhum negócio aqui fora necessita criar possibilidades pra fazer dinheiro e sobreviver a esses valores.

É aí que mora o perigo, doutor. Aumenta o número de assalto, estupro, a formação de mais bandidos desvalidos, venda de drogas e outros acontecimentos promovidos por criatividades mais avançadas. Lembro, Dr. Rodolfo, de uma frase do livro do seu amigo onde diz “a mentira esclarece a verdade”, a sociedade sempre acreditou que os funcionários que trabalham no presídio são pessoas capacitadas para tal serviço.

A verdade é outra. São um bando de lobos famintos e chacais assassinos, hienas covardes. E esse mercado continua se ampliando e produzindo mais escravos dessa mazela social miserável chamada cadeia pública.

Não quero embrulhar seu estômago e nem aterrorizar sua alma, apesar de saber que você é uma pessoa muito preparada para tudo e que, com certeza, pelo pouco que eu pude mostrar aqui para lhe convocar uma resposta digna, técnica e humana para ajudar a resolver o sofrimento desta parte do povo que sofre encarcerado, resultado dos verdadeiros bandidos políticos, condenados e soltos aqui fora, rindo da cara de todos nós.

Certo de sua resposta, despeço-me com honra e gratidão pelo tempo que o senhor dará para isso.

Forte abraço do seu artista e amigo Apolinário.

* É artista plástico santareno e articulista deste blog.

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7 respostas a Carta para o doutor Rodolfo Geller

  • Jacitara disse:

    Justas palavras elogiosas ao Dr Geller. Ser humano ímpar, presente que Deus nos dá para iluminar vida dos necessitados .Quanto à vida no Presídio é realmente cruel,não recupera delinquente nenhum.Os profissionais que lá trabalham,para o sustento de suas famílias ,em ambiente de insalubridade moral e humana extremas, merecem o respeito e consideração da sociedade.Óbvio, alguns se desviam de seu mister,não generalizemos. Bom dia.

  • Aldo disse:

    As palavras de apolinario nada valem, mentiroso e enganador!
    No mojui ele nao pisa mais, porque enganou todos os comercios, deixou dividas absurdas em restaurantes, comercios, bares, safado!!

    • Antonio Carlos da Silva disse:

      Aldo, até onde eu sei os débitos que ficaram no Mojuí dos Campos são da Prefeitura Municipal de Mojuí dos Campos a qual não pagou os fornecedores de alimentos fornecidos ao pessoal que trabalhou com o Apolinário na construção do chafariz, imagem de Santo Antonio e restauração da torre da igreja de Santo Antonio de Pádua. O próprio Apolinário ainda nem recebeu todo o valor referente aos serviços prestados. A corda sempre quebra na parte fraca.

  • D. Pedro disse:

    Ao invés do desgoverno querer privatizar a Educação Básica e a saúde, como vem fazendo e que isso contraria a Constituição Federal, ele deveria era começar a privatizar o sistema carcerário brasileiro, talvez, de fato, as condições nos presídios passem a ser mais dignas de cumprimento de penas.

  • João Carlos P. Silva disse:

    Quem no Brasil não sabe que cadeia é um lugar horrível???
    Agora, ir para lá é uma questão de escolha pessoal.
    Ninguém te obrigou a colocar uma arma na mão e praticar crimes ou a vender drogas.

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