Santarém, Amazônia, Brasil

Incompetência ou malandragem?

Por Jeso Carneiro em 18/5/2010 às 07:42

por Evaldo Viana (*)

O povo escolhe seus governantes na esperança de que possam bem representá-lo e trabalhar com afinco, seriedade e celeridade, no sentido de buscar as melhores soluções e resolver os problemas mais prementes e urgentes da coletividade.

Um bom governo se notabiliza pela execução de obras sérias, duradouras e que sejam construídas, sem comprometer sua qualidade, no mais curto espaço de tempo.

Como exemplo de governos sérios e ágeis na execução de obras, podemos citar o de Juscelino Kubitschek, que, prefeito de Belo Horizonte, conseguiu construir uma avenida, onde antes havia apenas mata fechada, em apenas três dias. Também construiu, quando presidente da República, a rodovia Belém-Brasília num pequeno lapso de tempo, quando se leva em conta as dimensões da obra.

Outro exemplo de eficiência e celeridade na execução de obras públicas é o governo de Carlos Lacerda, governador da Guanabara nos anos 60, que conseguiu construir escolas para mais de 100 mil alunos num período não superior a quatro meses.

Do outro lado, temos governos relapsos, incompetentes e despreparados que, por não terem nenhum compromisso com o povo, não mostram nenhuma preocupação, nem com a qualidade da obra nem com o tempo que levam para construí-la.

Exemplo maior de governo inepto e desidioso na execução de obras de interesse do povo encontramos aqui, bem perto de nós, em Santarém.

Refiro-me, e é apenas um entre muitos exemplos protagonizado pelo governo da prefeita Maria do Carmo, ao caso do Restaurante Popular, programa do governo federal que financia a instalação de unidade de alimentação e nutrição nos municípios com mais de 100 mil habitantes, para a comercialização de refeições a preços acessíveis – em geral um R$ 1,00 – que já deveria estar funcionando há pelo menos quatro anos em Santarém, houvesse o mínimo de interesse por parte da prefeita Maria do Carmo.

Difícil acreditar, mas a verdade é que o governo Maria do Carmo começou a receber recursos do governo federal para a implantação do Restaurante Popular ainda em 2005, quando foi efetuado o repasse à prefeitura da primeira parcela do convênio para a sua construção, no valor de 180.000 reais.

Seria muito simples e fácil, até mesmo para um governo soberbamente incompetente como o é o da prefeita Maria do Carmo, fazer esse restaurante funcionar em não mais que três ou quatro meses, pois o local escolhido para o seu funcionamento foi o segundo piso do Mercadão 2000, onde praticamente toda a estrutura já estava montada.

O que sucedeu com a execução da obra do restaurante até o final de 2005? NADA!

Veio 2006 e o governo federal, acreditando que a obra estava a pleno vapor, repassou à prefeitura mais R$ 440.000,00. Ao que parece, nesse ano a prefeitura adquiriu as primeiras panelas e colheres, que, segundo os feirantes do Mercadão, começaram a ganhar pernas e a se evadir do local onde estavam guardadas.

O ano de 2006 terminou e nada do Restaurante Popular funcionar.

Veio 2007 e o governo federal, numa extraordinária demonstração de complacência com a incompetência do governo Maria do Carmo, repassa mais R$ 180.000,00 para a conclusão da obra.

Que aconteceu findo o ano de 2007? Neco Neco do restaurante sair do papel, mas o governo federal, a despeito da perplexidade com tanta incapacidade em fazer o centro de alimentação do trabalhador funcionar, repassou, agora para compra de alimentos para uso do Restaurante, mais R$ 726.000,00, depositado na conta da prefeitura no dia 27/12/2007.

Chega 2008. Ano eleitoral em que a prefeita Maria do Carmo costuma se superar nas mais sofisticadas práticas da demagogia e das promessas lapidadas para não serem cumpridas. Mesmo assim o Restaurante Popular não dá sinais de que será inaugurado e posto à serviço da população mais sofrida e necessitada.

Vem 2009 e assim como iniciou terminou, com o restaurante inconcluso e sem definição da data em que poderia entrar em operação.

2010, ano de eleição, em que a prefeita certamente inaugurará até recapeamento de ruas e tapação de buracos, será que agora o Restaurante Popular, financiado com recursos do governo federal, criado para fornecer refeição a preço acessível à população, concebido para combater a fome dos que de alimento precisam e não têm como adquiri-lo, será que agora, finalmente será inaugurado?

Será que a demagogia de que é possuída a prefeita Maria do Carmo em ano de eleição vencerá a poderosa e quase invencível incompetência e despreparo que emana das entranhas do seu governo, e conseguirá, afinal, concluir o restaurante popular?

E o povo, sabedor de que foi prejudicado pela inércia do governo Maria do Carmo, ciente de que não tem o restaurante popular à sua disposição em razão do profundo desprezo e indiferença que a prefeita alimenta por aqueles que precisam de um prato de comida, será que, ainda assim, aceitará passivamente que ela só o inaugure ao raiar das eleições deste ano, para, com essa comezinha e repugnante demagogia, colher dividendos eleitorais?

Inaugurando o Restaurante Popular agora, a cinco meses das eleições, Maria do Carmo gravará o seu nome na história como a prefeita que fez em cinco anos o que um administrador de capacidade apenas mediana faria, sem esforço, em cinco meses.

Se deixar para inaugurar o restaurante às vésperas da eleição, como ao que parece irá acontecer, a demagogia do seu governo superará a sua incompetência, que, por ser imensurável e monstruosa, há quem acredite insuperável.

Há homens e mulheres que ingressam na vida pública para fazer o bem, realizar obras, promover o bem comum, fazer o que é possível pela coletividade. Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda são exemplos desta extirpe de políticos que demonstraram profundo espírito público.

Há, porém, políticos que ingressam na vida pública e nada mais deixam do que a certeza de que são incapazes e incompetentes, sequer se esforçam em fazer o medíocre, porque nunca foram possuídos de verdadeiro espírito público. Maria do Carmo, infelizmente, faz parte deste triste e melancólico grupo.

E o escandaloso caso do restaurante popular é só um dos muitos casos que atestam a mediocridade e pequenez da prefeita.

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* É servidor público em Santarém. Escreve regularmente neste blog.

Comentários

16 Comentários para “Incompetência ou malandragem?”
  1. É gente, a prefeita esta como sempre em época de elições, tentando fazendo um tiquinho aqui um tiquinho ali, como por exemplo uma quadra de asfalto aqui outra ali mas nunca termina o serviço,só para enganar os eleitores para conseguir reeleger a Ana julia, mas espero que essa não pegue mais pois ja estamos escaldado com essas obras eleitoreiras em época de eleição pelo amor de Deus não vamos cair nessa malandragem mais, Santarém faz 349 anos e o que temos para comemorar, pela idade que tem realmente era para ser considerada Pérola do Tapajós, so obras mal feita e pela metade.

  2. JOSE CARLOS DE ARAUJO disse:

    Obrigado prefeita pelo restaurante popular, os grandes de Santarém estão com raiva porque o povo vai ser beneficido por esta obra, principalmente os trabalhadores das proximidade do merc adão 2000. Chora DEMO…

  3. JB disse:

    Evaldo,
    Não valorize as palavras desse pseudo-analista político. Ele pensa que sabe tudo de todos. É muita tolice o que le escreve. Me atrevo a dizer que ele desconhece os (des)feitos do governo MC.
    Um abraço.

  4. Solano Lira disse:

    Caro Evaldo,

    Gostaria muito que você saísse da esfera local, nas diversas formas de analisar e interpretar o governo municipal, e ampliasse suas reflexões sobre a atividade política nacional. Disso resultaria, certamente, além da abrangência do assunto, a certeza de que você não estaria interessado em questionar um governo específico (apesar de considerar louvável seu comprometimento), como exemplo de gestão ruim. Sucessivos governos são exemplos para teus questionamentos. Também, você incluiria esse governo como exemplo de práticas políticas contestáveis e, ainda, apontaria problemas nacionais de gestão, apontaria, enfim, a decadência do modelo político brasileiro.
    Além disso, práticas típicas de período eleitoral são comuns e não causam estranhamento, como, por exemplo, as inaugurações. Nesse contexto, estranho é não inaugurar. Elogiar, manifestar demagogia, abraçar o povo, prometer, circular por onde caminha o povo etc. O campo semântico não se exaure!!!!!

    • Evaldo Viana disse:

      Caro Solano,

      Meu critério de análise, Solano, creia, é objetivo e por isso mesmo não se a pessoas ou governo. Vez por outra surge um comentário no Blog questionando o porquê de eu não ter tomado essa posição contestadora no período em que Lira Maia estava prefeito. Disse repetidas vezes que àquela época não tínhamos o Blog do Jeso para manifestarmos nosso incorfomismo e decepções.

      Minha incursão pelo mundo das finanças públicas, na condição de curioso, notadamente a municipal, começou em 2001 (2º governo do Lira Maia). No dia 02 de janeiro deste ano, munido de um simples requerimento, fui à prefeitura e solicitei uma cópia da Lei Orçamentária de 2001. Para minha surpresa, a servidora que me atendeu, pediu que eu retornasse meia hora depois, pois precisava tirar uma cópia.

      No tempo aprazado, recebi uma cópia de um documento de mais de 300 páginas, que cheguei a acreditar ininteligível, tal a forçosa e deliberada complexidade com que os técnicos revestem documentos desta natureza.

      De 2001 a 2003, todos os anos, sempre consegui uma cópia da LOA e sempre que possível passava à vista para melhor compreende-la. Cheguei á conclusão que a Lei Orçamentária, por não ser impositiva, era uma mera carta de intenções à qual nem o prefeito nem os vereadores, muito menos a sociedade, dava a menor importância.

      A partir de 2004 passei a acompanhar o Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO – instrumento de controle orçamentário, previsto na Constituição Federal, que deve ser publicado Bimestralmente, sempre até o dia 30 do primeiro mês subseqüente ao encerramento do respectivo bimestre.

      O RREO, como o próprio nome revela, demonstra de forma resumida as receitas e despesas, por função e subfunção e outras informações relativas às finanças dos entes federados.

      O RREO me aproximou mais um pouco do entendimento do que acontece com o dinheiro público, mas ainda assim não revela o bastante para uma satisfatória compreensão e conhecimento das ações governamentais (todo programa de governo precisa de dinheiro para ser executado).

      A partir de 2006, julgando as informações contidas no RREO superficiais para o conhecimento de como o dinheiro público era aplicado, dei um passo adiante e, exercendo o direito constitucional previsto no art. 31, § 3º da CF/88, passei a requerer, ora do TCM, ora da Câmara Municipal de Santarém, cópia da prestação de contas das principais secretarias.

      E é com base nessas informações obtidas da prestação de contas da prefeitura de Santarém, porque é em Santarém que resido e cidade á qual estou ligada afetivamente, que faço minhas humildes e modestas análises.

      Limito-me apenas a revelar os números? Não. Sou de carne e osso. Contribuo com 40%, em média, dos meus rendimentos para a manutenção dos três entes federativos (acho que dois seriam suficientes). Daí porque às vezes forço o verbo, uso uma palavra dura, uma veemência reveladora de uma natural e explicável indignação com o desperdício e roubalheira do dinheiro público.

      E por quê não analisar os números do governo federal, do governo estadual? Por quÊ ater-se só ao governo municipal?

      Primeiro, porque, lamentavelmente, o governo municipal é infinitamente mais incompetente, despreparado e corrupto do que o governo federal; segundo porque não tenho todo o tempo do mundo para escrever centenas de páginas (que ninguém leria) sobre os três entes federados; e terceiro porque os escândalos, as debilidades, as limitações, fraquezas, imposturas e desmandos do governo municipal perseguem-me a todo momento, onde quer que esteja.

      Por quê então escrever e criticar só em época de eleição?

      O histórico retro demonstra que não exerço minha cidadania apenas em ano eleitoral.

      Agora, não achas Solano, que acompanhar e fiscalizar os atos do poder público é dever de todos, que toda a sociedade deve se empenhar para, fiscalizando, diminuir a corrupção e o desperdício do dinheiro público?

      Então, porque os leitores deste Blog não começam essa empreitada, cobrando da prefeita Maria do Carmo, por exemplo, o cumprimento da Lei Complementar nº 131/09, que determina aos municípios com mais de 100.00 habitantes, a partir do dia 27/05/2010, a publicação em tempo real do ingresso de todas as receitas e de todas as despesas da prefeitura?

      Você pode participar deste movimento? Tenho certeza que a sua colaboração e participação ajudará a prefeita Maria do Carmo a entender a verdadeira acepção da palavra ‘TRANSPARÊNCIA’.

      Um abraço.

      • Solano Lira disse:

        Não questiono seu trabalho como cidadão que luta por uma Santarém melhor nem me atrevo a integrar a lista de “pseudoanalista político” (conforme a nova ortografia em vigor, que sempre pega os desatentos). Não penso também que devemos deixar de acompanhar as ações do governo. Seria alienante de minha parte. Meu comentário percorreu, em sua interpretação, o caminho contrário ao pretendido, principalmente porque explicitei que considero “louvável seu comprometimento” com a causa social. Apenas sugeri que a análise ultrapassasse a fronteira local para, conforme sua capacidade argumentativa e impecável forma de demonstrar os dados, os assuntos referentes à política tomassem abrangência nacional. Continuarei a ler seus textos, com a visão crítica sobre eles, sem me referir às suas convicções políticas, mas sim ao produto de sua criação – o texto. Estarei em julho em Santarém, quando poderemos conversar melhor. Saiba, contudo, que um texto não deve ser avaliado apenas pelo conteúdo que apresenta. Em vista disso, percebi que a sua análise estava muito localizada e talvez fosse melhor, para os leitores, ler suas contribuições sobre a política nacional, o que também deve ser fundamental. Foi apenas uma sugestão que talvez não devesse ter sido postada.

  5. fernanda costa disse:

    o governo da maria do carmo esta dando uma verdadeira aula de incompetencia em todos os setores de sua administraçao,eu votei no pt em 5 eleiçoes, e cheguei a conclusao que o pt nao serve para governar,chega de incompetencia,quem vai nos salva, conheça santarem antes que o pt acaber

  6. AVATAR disse:

    Sr. Evaldo, infelizmente poucas pessoas tem acesso a este tipo de informação que ora voce presta a coletividade, entao, isso nao vai refletir em nada no desempenho da administração dessa (ahgggg) prefeita e fica valendo aquilo que o “povo” esta vendo, a astucia dessa mulher é tao grande que ela sabe que o povo vai pensar exatamente isso que voce colocou, ou seja a prefeita que inaugurou que lutou pela restaurante popular, nao esqueça que quem estará ao seu lado na hora da inauguração, serão seus “cupinchas” bando de PUXA SACO, MAMADORES DAS TETAS, entao nao tera ninguem como voce para dizer ao povo quando isso deveria ser inaugurado e nem quanto foi gasto para se fazer uma obra com muito menos recurso do que foi empregado certo? partindo desse principio, que tal fazermos aquilo que o PMDB era campeão em fazer em epoca de eleição só com uma pequena diferença, falaremos a verdade e nao a desonra como era de praxe e se voce conhece bem sabe do que eu estou falando, podemos fazer uma coleta aqui para pagar os custos, e iriamos no curral do PT distribuir as informações que os mesmos nao tem acesso, o que voce acha?
    OBS. quando falo poucas pessoas, estou me referindo ao eleitorado do PT.

  7. Oculista disse:

    O povo, notadamente, os menos esclarecidos, têm participação direta e insofismável no direcionamento político de nossa região.
    Podemos debitar a essa classe de pessoas, o loteamento na administração pública direta desse amontoado de imbecis corruptos e incompetentes que hoje direcionam o município de Santarém ao côvado.

  8. Juscelino Ferreira disse:

    Governo bom era o do Lira Maia né Evaldo?

    • Anônimo disse:

      Mas o assunto não é sobre o restaurante popúlar, que não foi construido ainda pela maria do carmo? O que que o Lira Maia tem a ver com isso? Será que a culpa dele é não ter dado a vitória ao Alexandre Von? É por isso que Santarém está como está? Então, se for assim claro que o lira maia é culpado pela incompetencia da prefeita Maria do carmo. Aí tem tudo a ver.

  9. Maria do Mercado disse:

    Ei gente, antes as prioridades eram outras (mano 1), agora é a eleger o maninho para deputado(mano 2) … Pior de tudo é que muita gente, infelizmente, ainda cai nessas ‘armadilhas’ …..
    Esperem, muitas inaugurações em junho e julho …. todas servirão de palcos e palanques …. Aguardem grandes discursos, grandes mentiras, grandes enrolações …..Francamente.

  10. Tiberio Alloggio disse:

    Putz….Evaldo,

    “Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda são exemplos desta estirpe de políticos que demonstraram profundo espírito público”?

    Carlos Lacerda? O chefão do Udenismo Golpista no mesmo bojo do Trabalhismo? Um mito como JK e um Lixo como Lacerda no mesmo patamar?
    De onde tirou essa? Não achas que isso é demais?

    PS
    A implantação do Restaurante Popular demorou sim, mas apesar do atraso será mais um Feito do Governo Maria do Carmo.
    Um feito que (percebe-se) terão problemas a digerir. Especialmente na hora de comer seu primeiro prato.

    Tiberio Alloggio

  11. CHAGUINHA disse:

    BOM DIA A TODOS E A TODAS,

    NUNCA MAIS SE FALOU EM TRANSPARÊNCIA …
    A TRANSFERÊNCIA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA , DA CASA ALUGADA DO SOGRO DA PREFEITA, NA SILVINO PINTO COM A SÃO SEBASTIÃO, TAMBÉM NÃO ACONTECEU…
    E NÃO SE FALA MAIS NISSO!!!

    CHAGUINHA

  12. Anônimo disse:

    Já estou vendo a prefeita Maria do carmo dizer no dia da inauguração que lutou muito para implantar o restaurante popular. A mulher é muito boa mesmo, mas não é pra trabalhar não, é pra contar lorota e enganar o povo.

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