Não tocou nas rádios e TVs, por Helvecio Santos, TV

por Helvecio Santos (*)

Está rodando nas redes sociais uma canção que é o retrato do beco podre onde os políticos nos enfiaram. Óbvio, não tocou nem em rádios e nem em TVs.

No que estes meios se propõem, é mais interessante tocar “Pepeca Chora” e “O Bonde das Poderosas”.

A canção se chama “A Ordem do Inverso” e ficou em 2º lugar no VII Festival de Música Popular Paraense – 2015. Composta por Yussef Leitão e interpretada por Juliana Franco, entre outras verdades, diz: “Roubaram meu amor pelo Brasil / tiraram minha paz e ninguém viu / levaram do meu bolso a carteira / a ordem e progresso da bandeira / roubaram do museu a pena dela/ a moralidade da novela / a imparcialidade da imprensa / do simples cidadão a consciência /……./….a honestidade do congresso / cobraram deste circo o ingresso”.

O refrão?

Apropriadíssimo: “Então tá tudo certo e o que é correto/ já não vale mais / é a ordem do universo, do Brasil, de quem dá mais”.

É triste constatar, mas as coisas por este Brasil varonil estão trocadas e o país está de ponta cabeça.

Os artistas, ditos de vanguarda, os mesmos de sempre, numa clara manifestação de apoio à pedofilia, à zoofilia, à pornografia, à vilania religiosa, defendem que pinturas e esculturas onde animais, crianças e adultos se erotizam e praticam sexo, sejam expostas em museus livremente, como aconteceu em um museu portoalegrense.

Para eles, é “arte” uma menina de 12 anos alisar o corpo nu de um adulto, como se deu em um museu paulista.

Aí eu pergunto: a exposição em um museu tem o condão de virar qualquer coisa em arte?

Em salões engalanados, desfilando em tapetes vermelhos, ostentando cartazes com dizeres “Censura nunca”, em ato no Rio de Janeiro, essa vanguarda artística se une à obra que um canal de televisão, mantenedor de quase todos esses “intelectuais”, se dedica.

Onde quer chegar o canal de televisão, glamourizando a vida de uma traficante carioca interpretada por uma de suas principais contratadas?

Alienados, levantam a bandeira da censura em apoio à subversão cultural na busca do aniquilamento da família, pilar fundamental de uma sociedade.

Esses “vanguardistas” enganam-se ou tentam enganar os menos avisados.

Em nenhum momento houve censura. Houve sim, reação ao ferimento de valores fundamentais do povo brasileiro. Houve sim, uma mobilização social através da internet do povo que já não aguenta mais ser roubado em seus valores tanto materiais quanto morais.

Como na música que me refiro, nos roubaram tudo e em troca querem nos enfiar goela abaixo coisas que até mesmo Deus duvida. É o Brasil do vale tudo.

Ministro desrespeita procurador geral; senador treme a bochecha gorda em inflamado discurso para manter o status com o propósito que a lei não alcance; ex-ministro esconde fortuna em malas no imóvel do amigo; senador quadruplica seu patrimônio em 8 anos de mandato; ex-presidente joga nas costas da falecida o que não acha explicação; presidente esfalfa-se em “duras” negociações com o legislativo na compra de votos que o mantenham no cargo; presidente de entidade esportiva usa a verba da entidade para pagar fortuna a advogado que o defenda de suas traquinagens.

Dilapidam, roubam o dinheiro do povo e o povo não dá um pio. Ninguém se importa.

Isso me faz lembrar o sermão de um alemão, pastor luterano, da época do nazismo, Martin Niemoller, por volta de 1933:

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar”.

Quando vamos nos incomodar? Quando voltaremos às ruas? Ou será que mais uma vez Zé Ramalho é atual? “Ê, ô, ô, vida de gado / Povo marcado, ê! / Povo feliz!”.

Em economia há um conceito muito simples mas que resolve muitas situações: O patrão é aquele que paga e quem paga é quem dá as ordens.

Ora, quem paga imposto é o povo. Logo, ministro, procurador, político etc etc etc, todos são pagos com o imposto do povo que é o patrão de todos. Logo, ao povo devem satisfações.

Já que não vamos às ruas cobrar dos nossos assalariados, é hora de lembrarmos que as eleições se aproximam. Vamos dar o chapéu ao “empregado” e mandar cantar em outra freguesia.

Vamos eleger uma nova geração de políticos. Chega dos velhos políticos e dos seus herdeiros que já veem com os mesmos defeitos de “fábrica”.

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* Advogado e economista, é santareno e reside no Rio de Janeiro. É articulista do portal Jeso Carneiro.

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4 Comentários em: Não tocou nas rádios e TVs, por Helvecio Santos

  • Mais uma vez, parabéns Helvécio! Tal qual uma formiga, você cutuca a ferida para lembrar-nos que devemos curá-la. Abraço.

    • Assino embaixo o parecer do Neivaldo Alves. Cirúrgico.

    • Obrigado, pela gentileza Neivaldo, mas não faço mais do que meu coração manda. Sou AZULINO, santareno e tapajoara. Amo esse chão e faço o possível para um dia vê-lo transformado, o que só depende de vontade política, novamente em um paraíso. Recentemente escrevi “Minhas sugestões, secretário”, em resposta ao pedido de comparecimento do povo no novo Plano Diretor. Não houve resposta à minha sugestão, mas sou um otimista. Entre outras coisas, sugiro a retirada dos barcos da frente da cidade, a arborização da orla e a criação de uma Secretaria da Sustentabilidade para cuidar de nossos mananciais e reflorestamento. Já pensou? A frente da cidade voltaria a ser um imenso parque de diversões que frequentei na minha infância e teríamos menos filas nos hospitais. “Sonhar não custa nada”. Vou continuar insistindo. TAPAJOARAMENTE AZUL, abraços

  • égua !!

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