por Helvecio Santos (*)

Vários coelhos com uma cajadada só, Blog do Jeso | Helvécio Santos

Helvecio Santos

Se não me falha a memória, foi o prefeito Lira Maia que limpou a frente da cidade, livrando-a dos barcos que dela faziam morada, do consequente despejo de esgoto sanitário, óleo queimado e o que mais couber.

Depois o governo da prefeita Maria do Carmo, que o sucedeu, permitiu novamente e hoje temos esse circo de horror que é a frente da cidade.

Há dois anos, numa das minhas férias, andando pelo cais, dali do “Bosta” Vera Paz até a altura da Travessa Padre João, contei mais de duzentos barcos encostados no cais. Alguns passam dias e dias ali e, juntamente com os eventuais, sem dó nem piedade, despejam lixo orgânico e inorgânico, ora no rio, ora no pedaço de areia que resite.

Se fizermos uma conta simples, esses barcos constituem um bairro flutuante, sem nenhuma providência que proteja o rio e a faixa de areia restante. São aproximadamente 10.000 pessoas emporcalhando o rio e a frente da cidade.

Como novos tempos estão chegando, espero que para melhor, atrevo-me a fazer este pedido ao prefeito eleito que nos governará a partir do próximo ano.

Bem que o prefeito poderia livrar a frente da cidade desses “moradores” nocivos, proibindo a permanência dos “hotéis flutuantes”, assim como embarque e desembarque de pessoas e mercadoria.

Santarém não é dos atacadistas e muito menos dos proprietários de barcos, alguns sem a menor estrutura para navegabilidade, ou dos empresários da navegação. Santarém é dos seus moradores. Aqueles que pagam IPTU querem uma CIDADE DE GENTE, uma cidade agradável, que possa ser desfrutada em todos os seus recursos, principalmente o Rio Tapajós.

Aproveitando, o prefeito poderia também construir uma ciclovia por cima do esgoto que acompanha o cais, num plano ligeiramente inferior a este, assim como baias avançando sobre a areia, na altura do cais, aí plantando mangueiras e no entorno destas, seriam colocados bancos.

Amenizaria o calor que o transforma em grande parte do dia em território proibido, ficaria mais bonito e, aí sim, poderia ser chamado de orla.

Quando o rio baixasse, já depois desta cheia que se aproxima, mandaria passar máquinas para nivelar a areia, criaria uma equipe permanente de limpeza das praias, colocaria postes de luz voltados para o rio e, na faixa de areia, colocaria traves de futebol e postes para redes de vôlei.

Creio que não erro se disser que por falta de opções de fácil acesso, Santarém é uma das cidades do Brasil cujo maior lazer é o “ halterocopismo”.

Nada contra os cervejeiros, mas há que haver opção!

Prefeito, o senhor deve saber, já houve um tempo em que as praias em frente à cidade eram o maior parque de diversões e o rio era próprio para o banho. Hoje a realidade é perversa e quem não viu, precisa de muita imaginação para acreditar que num tempo não muito distante, aí se jogava futebol até nas noites de luar.

A providência que sugiro depende menos de dinheiro e mais de coragem política.

Mas, prefeito, pense na população menos favorecida.

Se o senhor fizer o que sugiro, ninguém precisará se pendurar em ônibus velhos e lotados e se despencar até Alter do Chão. A praia estará em frente à cidade e ao contrário do que acontece hoje, o deslocamento para a Vila será opcional.

Com a oferta de lazer e esporte à vontade e tão perto, o senhor é médico e sabe!

As filas dos hospitais e pronto socorros serão menores.

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4 Comentários em: Vários coelhos com uma cajadada só

  • É o tipo do cenário que não desejo pra cidade ribeirinha nenhuma.
    Aqui em Almeirim, antes de 2005, a cidade vivia emporcalhada de lixo e até hoje, bem pior, e também, daquelas carretinhas de reboque de lanchas, e etc. de trambolhos na orla, que inclusive já causaram diversos acidentes graves. O Prefeito daquele período mandou tirar tudo. Quando esse Prefeito que tá saindo assumiu, voltou toda a bagunça de novo, até hoje, tenho fotos aqui. Para piorar a situação ele permitiu invasões dentro da cidade em área de proteção ambiental, Bairro Nova Vida, perto do campinho da Barreira onde tem poços artesianos e que poderão ser contaminados pelos dejetos de fossas e esgoto. Vamos esperar uma ação da Prefeita que vai entrar e do próprio MP, mandando aquele povo pra outro lugar, urgente, ou seja, invasão não tem respaldo legal ainda mais como nesse caso.

  • Não adianta dar murro em ponta de faça, aquele mondrongo deveria também ser varrido da Vera Bosta, mas agora é tarde, Santarém não existe mais, sobrou uma cidade esculhambada cercada de favelas.

  • “Santarém não é dos atacadistas e muito menos dos proprietários de barcos, alguns sem a menor estrutura para navegabilidade, ou dos empresários da navegação.”
    Infelizmente, acho que serão esses que continuarão a mandar na cidade. Espero estar errado.

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