Blog do Jeso

Helvecio Santos

É advogado e economista santareno, residente no Rio de Janeiro. Ex-jogador e torcedor do São Francisco.

Minha mãe

por Helvecio Santos

Minha mãeNão era alta, como a via quando criança. Nos meus últimos tempos em Santarém precisava abaixar para beijá-la na testa.

Aparência frágil, não pesava mais que cinquenta quilos. Cabelos pretos delicadamente anelados, um olhar observador e profundo, desses que não precisam de palavras como leito e sozinhos mandam mensagens.

Leia também do autor
Rodrigo e Rogério

A robustez manifestava-se no seu caráter, na honestidade inegociável, no irrepreensível respeito a todos e no imaculado sacerdócio de esposa e mãe.

Gostava de roupas simples, o que vinha ao encontro da nossa situação naquela época. Normalmente vestidos feitos por minha irmã Neusa, Manona para mim, todos de algodão com pequenas estampas florais.

Nunca usou sapato de salto alto e até acredito que não sabia caminhar com eles e também nunca a vi de sandálias havaianas. Gostava mesmo era de chinelos de couro, tipo franciscano, macios, bem ao modo da delicadeza que seus pés exigiam.

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Rodrigo e Rogério

rodrigo caioJô reclama ao árbitro Luís Flávio Oliveira o cartão amarelo recebido

 

por Helvecio Santos

Parece nome de dupla sertaneja, mas não é e também está longe de serem irmãos gêmeos.

Eles são protagonistas de uma cena rara no futebol e aconteceu há cerca de quinze dias na primeira semifinal do campeonato paulista entre São Paulo e Corinthians e, para o que vou argumentar, pouco importa o resultado da partida.

Leia também do autor – Quem matou Maria Eduarda?

Ainda no primeiro tempo, numa bola dividida entre o goleiro do São Paulo e o atacante Jô do Corinthians, envolvendo também o zagueiro tricolor, Rodrigo Caio, agarrado à bola, o goleiro rolou no gramado contorcendo-se em dores, vítima de um pisão que levara na batata da perna.

Imediatamente o árbitro pune o atacante com cartão amarelo, o que o deixaria de fora da segunda semifinal.

O atacante argumenta, argumenta, mas de nada adiantou.

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Quem matou Maria Eduarda?

por Helvecio Santos

Quem matou Maria Eduarda?No final de março, em uma operação da Polícia Militar na Fazenda Botafogo, bairro Costa Barros, Zona Norte do Rio de Janeiro, Maria Eduarda, 13 anos, aluna de uma escola pública que fazia aula de educação física na quadra da escola, foi vitimada por três projéteis de arma de fogo, vindo a óbito no local.

Leia também do autor – Em tempos de machão

Imediatamente a “comunidade”, eufemismo criado pelos “socialistas” para designar favela, como se a mudança de nome mudasse a condição de penúria, fez protestos, bloqueou ruas, queimou pneus e acusou a Polícia Militar pela autoria dos disparos.

É bom lembrar que o Brasil, e talvez muito mais o Rio de Janeiro, de há muito vive uma guerra civil não reconhecida pelas autoridades, mas as estatísticas de vítimas por armas de fogo, crescente a cada ano, não deixam dúvidas.

Para o leitor que não conhece a realidade da “Cidade Maravilhosa” (?) ter uma ideia, em 2005 eu advogava para uma empresa de factoring, e precisei visitar um cliente na Fazenda Botafogo.

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Em tempos de machão

por Helvecio Santos

Em tempos de machãoNestes tempos em que se busca cada vez mais a igualdade de gênero, o machão caiu em desgraça e está fora de moda. Copiando o bordão do saudoso humorista, “há controvérsia”.

Antes que me incinerem, leiam as razões porque os defendo e como os entendo conceitualmente.

Leia também do autor – Vamos à verdadeira suruba

Antes quero contar um fato!

Esta semana liguei para o consultório do meu médico e, como a secretária estava atendendo outro paciente, fiquei na linha esperando. Ela atendia um senhor que marcava consulta para sua mulher, buscando o dia e o horário que fossem bons para o casal.

Consulta marcada, a secretária me atendeu e eu pedi licença para fazer uma observação: disse-lhe que, como homem, minha porção machista se sentia imensamente orgulhosa quando via um marido marcando consulta para sua mulher.

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Vamos à verdadeira suruba

por Helvecio Santos

Vamos à verdadeira surubaPassado o Carnaval, vamos à verdadeira suruba, a Suruba do Planalto!

A do Planalto é de fazer corar os mais libidinosos participantes da carnavalesca, se é que esta pode ser considerada suruba, tal a angelicalidade comparada à do Planalto Central.

Importado de Portugal, devemos a popularização do carnaval a Dom Pedro II, que no intuito de europeizar seu império tropical, incentivou a criação das associações carnavalescas, sendo no início uma “festa das elites, que dançavam ao som de marchinhas e fandangos”, nos salões e teatros.

A quadra momesca ganhou as ruas e nobreza pelas mãos de Chiquinha Gonzaga com seu “Ô Abre Alas que eu quero passar, eu sou da Lira, não posso negar, Rosas de Ouro é quem vai ganhar” e ganhando as ruas subiu o morro e somou qualidade.

Morro e asfalto deram sustância ao samba e se Estácio e Vila Isabel foram o berço, Noel Rosa, Ismael Silva e outros mais alimentaram e foram alimentados pelos grupos que se formavam e depois se constituíram nas atuais escolas.

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Vários coelhos com uma cajadada só

por Helvecio Santos (*)

Vários coelhos com uma cajadada só, Blog do Jeso | Helvécio Santos

Helvecio Santos

Se não me falha a memória, foi o prefeito Lira Maia que limpou a frente da cidade, livrando-a dos barcos que dela faziam morada, do consequente despejo de esgoto sanitário, óleo queimado e o que mais couber.

Depois o governo da prefeita Maria do Carmo, que o sucedeu, permitiu novamente e hoje temos esse circo de horror que é a frente da cidade.

Há dois anos, numa das minhas férias, andando pelo cais, dali do “Bosta” Vera Paz até a altura da Travessa Padre João, contei mais de duzentos barcos encostados no cais. Alguns passam dias e dias ali e, juntamente com os eventuais, sem dó nem piedade, despejam lixo orgânico e inorgânico, ora no rio, ora no pedaço de areia que resite.

Se fizermos uma conta simples, esses barcos constituem um bairro flutuante, sem nenhuma providência que proteja o rio e a faixa de areia restante. São aproximadamente 10.000 pessoas emporcalhando o rio e a frente da cidade.

Como novos tempos estão chegando, espero que para melhor, atrevo-me a fazer este pedido ao prefeito eleito que nos governará a partir do próximo ano.

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Velhos tempos, belos dias

Velhos tempos, belos dias, foto do olimpia cine

por Helvecio Santos

Blog do Jeso | Helvécio SantosPara quem viveu a época da Jovem Guarda, escutar “Jovens Tardes de Domingo”, letra de Roberto e Erasmo Carlos, dá um nó na garganta e o peito se estreita.

Agora, para quem viveu a época da Jovem Guarda na Santarém de antanho, escutar “Jovens Tardes de Domingo” e lembrar o que fizeram com pontos referenciais de nossa cidade, é um teste para o coração.

Leia também do autor – Onde as ruas não têm nome.

O ser humano tem essa veia diabólica de destruir tudo o que lhe dá prazer. Na lógica humana prazer e conservação não combinam. Por “quê?
E não venham dizer que sou catastrófico.

Não! Não sou catastrófico! Sou realista e não adianta tapar o sol com a peneira. Exemplos? São muitos: Padaria Lucy, Coreto da Matriz, Escadaria do Frei Ambrósio, Cristo Rei, Vera Paz, Coroa de Areia, Estádio Elinaldo Barbosa, mangueiras da São Sebastião, lago do Maicá, campo do Veterano etc etc etc.

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Onde as ruas não têm nome

Onde as ruas não têm nome, Vista áerea Santarém

por Helvecio Santos (*)

Blog do Jeso | Helvécio Santos

“Ruas sem nome”

É como num deserto!

Elas existem, estão ali compondo o cenário, mas você anda, anda e, duna após duna, não há placa indicativa do nome.

Leia também do autor – Pajuçara sitiada.

Assim também é Santarém!

As ruas existem, estão ali compondo o cenário, mas você anda, anda e, rua após rua, não há placa indicativa do nome. Os nomes só existem na memória do povo.

Em 1970, quando sai de Santarém, Aldeia, Centro e Prainha eram os bairros que compunham o núcleo urbano. A sede dos Correios ainda é no mesmo local, ali no canto da Praça Rodrigues dos Santos.

O carteiro era o Portilho, meu amigo Manoel Portilho Bentes Neto, carinhosamente chamado Carteirinho.

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Pajuçara sitiada

Lixo na praia de PajuçaraPraia de Pajuçara, lixo, lixo e mais lixo

por Helvecio Santos (*)

Blog do Jeso | Helvécio SantosAproveitei parte das Olimpíadas e curti Santarém. Do dia 22 de julho a 13 de agosto fiz meu sacerdócio anual e visitei a Terrinha.

Visito para rever familiares e os inúmeros amigos, além do que, andando pelas ruas da hoje, ex-Pérola do Tapajós, com muita imaginação, volto a meus tempos de adolescência e juventude e isto, por si só, já vale a pena.

Leia também do autor – Por que só no andar de baixo, ministro?.

Por natureza, sou um cara alegre, mas este meu tom lamurioso é por constatar que das belezas naturais santarenas quase mais nada resta e a cada ano, mais e mais desaparece. Sou um santareno do século passado e, de cadeira, posso fazer tal afirmação.

A lista é extensa!

Além de toda a praia em frente à cidade que outrora era nosso parque de diversões, também perdemos Irurá, Coroa de Areia, Laguinho, Vera Paz, Mapiri, Juá, Ponta Negra, Igarapé do Padre, Maicá etc etc etc.

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Por que só no andar de baixo, ministro?

Por que só no andar de baixo, ministro?, Henrique MeirellesAtual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles

por Helvecio Santos

Blog do Jeso | Helvécio SantosRecentemente escutei na televisão uma notícia que a Suíça trabalha para aprovar projeto garantindo uma renda mínima a seus cidadãos no valor correspondente a aproximadamente R$ 9 mil reais, medida que faz parte de uma política que visa o bem estar da população.

Leia também do autor – Folclórico e nocivo.

O Brasil, na contramão da história, no bojo de um amplo esforço para equilibrar as contas públicas, sabidamente deficitárias, como primeiro grande esforço, anuncia uma profunda reforma na Previdência Social, com notáveis prejuízos à parcela da população do andar de baixo.

Em suma, os governantes alegam que os velhos teimam em não morrer; que a mão de obra ativa (15 a 60 anos) está em declínio; que o déficit previdenciário é crescente; que para cobrir a Previdência fica sem dinheiro para investir em educação e saúde e que tem dificuldades em cortar gastos.

Inicialmente o ministro da Fazenda anunciou que em 30 dias mandaria as reformas para o Congresso e que esperava aprová-las até o final do ano. À vista do clamor das centrais sindicais, o governo voltou atrás e anunciou que tal maldade será tocada depois das eleições municipais.

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