Parque Monte Alegre: serras, trilhas e pinturas rupestres. Por Fábio Barbosa, Parque Estadual de Monte Alegre
Vista panorâmica do Pema: volta ao passado

Viajar é bom demais. E viajar pela nossa região, mais ainda! Por isso, aceitei o convite do meu amigo e historiador Padre Sidney Canto para turistar em Monte Alegre (PA).

Conhecer esta cidade já estava em meus planos desde julho de 2018, quando visitei o Parque Estadual Monte Alegre (Pema), na Expedição Jeep Way. E claro, que não ia perder a oportunidade de retornar e explorar ainda mais as belezas naturais desse município que guarda preciosidades únicas e imperdíveis para qualquer turista.

Nossa aventura começou embarcando na balsa que realiza a travessia do Rio Amazonas. Partimos de Santarém (PA) e navegamos por duas horas até o Porto de Santana do Tapará. De lá, seguimos de carro pela PA-255 até a cidade, um percurso de 86 km. Nesta viagem, ficamos hospedados na casa da dona Dora Marinho, mãe do nosso amigo Cristiano Marinho (recepção calorosa, com aquele carinho de mãe!). Chegamos por volta das 22h45 e paramos na Praça da Matriz, lugar onde existem várias opções de lanches e bares.

Dica do FB: A estrada é asfaltada e na maioria dos trechos está em perfeitas condições de trafegabilidade, mas é comum alguns buracos após as pontes de concreto por causa de problemas na compactação do solo, portanto, fique atento!

Parque Estadual de Monte Alegre
O jornalista Fábio Barbosa explorando o Pema

Fomos descansar e no dia seguinte acordamos cedo para retornar ao Parque Estadual Monte Alegre, onde se encontram sítios arqueológicos que guardam artes rupestres (pinturas e gravuras registradas em rochas), comprovando a existência humana na Amazônia há quase 12 mil anos.

O passeio iniciou pela PA-255 novamente até a Linha Ererê (estrada de terra no KM 12) que nos leva ao Centro de Visitação, recém inaugurado pelo Governo do Estado do Pará.

É nesta construção futurista que os visitantes recebem a autorização (sem burocracia) para visitar o parque e contratam os guias locais (R$ 25 por cada atrativo). O complexo turístico conta com banheiros, lanchonete, circuito de malocas e futuros espaços para um museu, biblioteca e loja de artesanato.

Dica do FB: Ao contratar um guia, converse com ele e pergunte o máximo de informações sobre o Pema antecipadamente. É importante saber se o morador que neste caso também é guia, sabe todos os detalhes dos atrativos turísticos.

Bem na frente do Centro de Visitação está a Serra da Lua, com seu impressionante paredão de pedras. Para a sorte dos visitantes, no processo de musealização realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), foi instalado na trilha um corrimão que ajuda e muito na subida até as pinturas rupestres.

Dica do FB: A subida às serras do Pema exige muita disposição e espírito aventureiro. Use roupas apropriadas para trilhas, tênis confortável, chapéu e muito protetor solar! E não esqueça de levar bastante água!

Quando Carlos Drummond de Andrade escreveu “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, com certeza não havia visitado o Pema, senão usaria plural na frase.

O caminho é íngreme e com muitas pedras. Mas a recompensa ao chegar vale a pena! Em uma plataforma metálica conseguimos observar de perto as pinturas que possuem cerca de 12 mil anos. Entre elas, a mais famosa é um circulo com aproximadamente um metro de diâmetro que, segundo os moradores, simboliza a lua, por isso o nome do lugar.

Existem pinturas por quase 200 metros do paredão na serra. São figuras na cor amarelo e vermelho que representam animais, formas geométricas e mãos (a mais impressionante!).

Parque Estadual de Monte Alegre
Pedra da Tartaruga

Dica do FB: Visite a Serra da Lua de preferência pela manhã, à tarde o sol “bate de frente”, causando um calor fora do comum!

Seguimos o passeio em nosso carro em um pequeno ramal até as proximidades da Serra do Pilão. No caminho, muita areia, fato que fez o veículo atolar. Mas o objetivo era aventura mesmo, então descemos, empurramos e continuamos a viagem. No caminho, encontramos dois monólitos: Pedra da Tartaruga e Pedra do Cogumelo. Lindos!

Monólitos: São formações rochosas de aparência exótica resultante da erosão eólica ao longo dos séculos!

Paramos o carro e pegamos uma trilha (oba!). Caminhamos 1,5 km até a Caverna da Pedra Pintada. Pela segunda vez neste lugar, a sensação ainda é a mesma: “Uau”. Os vestígios chamados “paleoíndios” tomam conta da parede de pedra e nos revelam símbolos desconhecidos. É emocionante!

A caverna tem cerca de 120 metros de altura em relação ao nível do rio Amazonas. Os painéis com pinturas rupestres foram estudados pela antropóloga norte-americana Dra. Anna Roosevelt, a partir de 1991.

Os trabalhos representam a primeira informação, cientificamente comprovada, sobre a presença desses seres primitivos na região amazônica.

Retornamos para a trilha e caminhamos mais 10 minutos até a encosta da Serra Paytuna, onde existe o Painel do Pilão, com surpreendentes desenhos que nos mostram registros resistentes ao tempo.

Um dos mais curiosos apresenta pinturas que parecem ser homens ao redor de uma fogueira (isto é uma interpretação pessoal!) e o outro são pequenos quadrados com linhas transversais (51 quadrinhos que juntos formam um quadro maior).

Os moradores dizem que pode ser o peito dos quelônios da Amazônia ou a contagem de alguma coisa, por isso a figura é chamada de “Calendário”. Ou mesmo a contagem das luas, como ouvimos durante o passeio. O fato é que o desenho é enigmático!

O passeio levou quase o dia todo e mesmo assim ainda faltam outros atrativos para conhecer no parque (tenho de voltar!). Para quem curte ecoturismo, esta é a pedida! Visite o Pema!

Parque Estadual de Monte Alegre
O calendário

— Fábio Barbosa é jornalista e blogueiro, editor do Diário do FB, onde originalmente essa reportagem foi publicada.

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2 Comentários em: Parque Monte Alegre: serras, trilhas e pinturas rupestres. Por Fábio Barbosa

  • Minha cidade natal é fantástica, preciso voltar lá para rever as pinturas rupestres e com a infraestrutura do PEMA o passeio ficou mais fácil e divertido.

  • Parque muito bonito,conheço uma boa parte dele já que trabalhei nele por três anos.

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