Santarém, Amazônia, Brasil

13 anos sem Paulo Freire: o legado continua vivo

Por Jeso Carneiro em 26/7/2010 às 07:30

por José de Alencar Godinho Guimarães (*)

Paulo Freire foi, na história da educação brasileira, um cidadão eticamente comprometido com o ato de educar e com a causa libertária de todo ser humano explorado e vítima de sistemas políticos ditadores, uma vez que, com os militares governando o Brasil, quase nada se fazia em benefício daqueles que nasciam no meio das classes sociais pobres. Por isso mesmo, não podendo desfrutar de boa educação tornando-se impossibilitados de participar ativamente do processo político brasileiro.

Conheceu o “sabor” da violência dos opressores, mas nunca deixou de sonhar com uma realidade diferente, em que homens e mulheres desafiados pelo mundo pudessem construir sua liberdade e por conseqüência conquistar sua cidadania a fim de, conscientes de seus papéis enquanto seres pensantes, tornarem-se agentes de um novo pensar político, envolvidos por uma nova maneira de, também, fazer educação.

Pensando politicamente diferente da elite de seu tempo, Paulo Freire sofreu amargas decepções e duras represálias que só aumentaram o seu amor pelos movimentos sociais e a sua coragem de poder, através da educação, idealizar um novo mundo, onde a participação coletiva estivesse a serviço da vida e do bem-estar social de todos.

Era sabedor das dificuldades que encontraria para fazer esse tipo de educação acontecer, pois as massas exploradas e fragilizadas pelos sistemas se achavam, ainda, incapazes de mobilizarem-se, com medo de não conseguirem caminhar, lideradas por suas próprias convicções de seres inferiores.

Na “Pedagogia do Oprimido”, é evidente essa resistência quando Freire (2001) afirma que “um dos aspectos que surpreendemos, quer nos cursos de capacitação que damos e em que analisamos o papel da conscientização, quer na aplicação mesma de uma educação realmente libertadora, é o ‘medo da liberdade.” (p.23)

Como então se afirmar um educador libertador se o próprio explorado não se acha capaz de ser um homem e/ou mulher com possibilidades de reverter sua situação de “ser menos” dentro de uma sociedade cheia de diferenças e preconceitos?

Paulo Freire não se intimida diante disso e, durante toda a sua vida, procurou deixar exemplos práticos de que o novo é possível e que a organização política das massas é fruto de uma educação pautada na luta por liberdade.

Paulo Freire morreu no dia 02 de maio de 1997, fato este pouco divulgado na mídia.

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* Leitor do blog, reside em Santarém.

Comentários

2 Comentários para “13 anos sem Paulo Freire: o legado continua vivo”
  1. Maralice disse:

    Sr. José de Alencar, ótima a sua reflexão. Realmente Paulo Freire foi um brilhante intelectual, que dedicou o seu trabalho em prol da educação libertária, educação que transcende os conteúdos elitistas que servem apenas para modelar o ser humano em algo mais, e que não contribuem em nada para a liberdade em sua plenitude. Paulo Freire, educador corajoso, que quebrou as barreiras de uma educação para o status quo, que defendeu a escola libertária capaz de tornar o ser humano em ser pensante e dono da sua história.

  2. José Allonso Guimarães disse:

    A tal pedagogia do oprimido de Paulo Freire, para mim, carrega boa parte da culpa pelo atraso experimetado pela educação brasileira. Pura ideologia marxista que impede um melhor desenvolvimento, principalmente, dos alunos da rede pública.

    Os professores reproduzem, sem questionar, o que aprendem na cartilha do ancrônico marxismo-leninismo, de universidades, sem referencial, sem projetos e sem propostas reais de melhora na vida dos formandos. Dai, os seus alunos não aprendem nem português e nem matemática, mas tão-somente bobagens sobre vida em comunidade, organização para lutar contra isso e aquilo. Conclusão: não recebm o preparo necessário para concorrer com ou educandos da rede privada e , fatalmente, tem que se contentar com as piores lugares do mercado de trabalho. Se é que conseguem trabalho com tão má formação.

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