Educação, avanços e “santificação”

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Professor doutor em Comunicação Social/Jornalismo, Samuel Lima comenta a Frase do dia, de hoje, da lavra de Helvecio Santos:

Caro Helvecio,

Com a devida vênia, penso que o “buraco histórico” é mais embaixo. Não se trata de fulanizar este ou aquele líder político. O grande Celso Furtado explica, em “Raízes do subdesenvolvimento”, um clássico, porquê a educação é um bem tão precioso na perspectiva do desenvolvimento das nações. Com mais de 300 anos de atraso só neste quesito (educação), é fundamental que discutamos à luz desse olhar restrospectivo.

Para as nações “ricas”, o vetor “inovação tecnológica” (fruto gerado pelo nível qualificado de educação – ensino, pesquisa e extensão, em nível superior) sempre foi algo estratégico. Depois, do ponto de vista desses países centrais do capitalismo, vinha a questão da acumulação de capitais e as alterações do perfil da demanda (mercados interno e externo).

Para os “pobres” do Sul do mundo, esse quesito (inovação tecnológica) entrava sempre em último lugar, “destino” pactuado pelas elites – e no Brasil não foi diferente, historicamente, mano velho. Então, de fato não se trata de “santificar” a falta de formação universitária, mas de perceber que o conhecimento do senso comum permanece indispensável ao progresso da ciência, do ser humano.

No mais, penso que devamos reconhecer os avanços dos últimos 9 anos (incluindo a referência fundamental ao saudoso Leonel Brizola), sem arrefecer o animo e a pressão, via mobilização democrática, por melhorias constantes e cada vez mais relevantes na educação pública, do infantil à pós-graduação. Há muito o que caminhar, amigo.

Abraços tapajônicos.


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