Olhar do leitor
Por Jeso Carneiro em 30/6/2010 às 19:49
Foto e texto: Luiz Ismaelino Valente

Em minha recente viagem a Alenquer, deparei-me com esse impressionante pôr do sol no Lago Samaúma (ou Samuúma, como dizem os caboclos), já próximo à Princesa do Surubiú. Lembrei-me instantaneamente dos versos do poeta Orlando Ladislau, no soneto abaixo, em que, aliás, ele esclarece que foi em Alenquer que o seu pai, o grande Alfredo Ladislau, juiz da comarca, cearense ligado a Santarém por laços familiares (casou-se com Maria Madalena, filha do político Moraes Sarmento), escreveu, por volta de 1921, o imortal “Terra Imatura”, publicado em 1923:
AVISTANDO ALENQUER
Ei-la que surge, enfim, em toda a formosura
do glorioso fulgor do dia que declina…
Alenquer! Alenquer, que foste o berço e a sina
daquele encanto que fez Terra Imatura…
O passado, a saudade, o sonho, enchem de mágoas
o radioso esplendor do quadro em que me abismo
- beijos do sol, no alto, em divinal lirismo,
e embaixo a festa do “himeneu das águas”…
Ó Musa, que cantaste a este enamorado
dá-me um pouco, também, do ideal segredo
de cantar, como Alfredo, extasiado…
E como ele, eu viva (quanta beleza encerra!)
trocando, pela Paz, a dor atroz do seu degredo
e deixando seu corpo na imatura terra…


Plantas de Casas

O seu olhar tridimensional, mostra a beleza encantadora do pôr do sol alenquerense/amazônico, momento de grande inspiração para poetas e amadores. Viva a dona Natureza!