Santarém, Amazônia, Brasil

Poetas amazônicos

Por Jeso Carneiro em 29/7/2010 às 20:06

Tacacá

A cuia nas mãos em concha

Bebo o tucupi mais amarelo
que Van Gogh pela manhã

O jambu
repete os tremores do beijo

A pimenta
é como pôr saliva sobre os olhos

O sal e o alho espantam o tédio

Um gole na goma:
-Um súbito vulcão do prazer

É preciso morder o camarão
e senti-lo na boca com o seu todo

Não se arranca o tacacá
das mãos da tacacazeira:

Cheira-se
Olha-se
Degusta-se

Como quem se debruça sobre o amor
enquanto a tarde some…

—————————–

De Ronaldo Franco, blogueiro e poeta amazônico nascido em Belém.

Comentários

! comentário para “Poetas amazônicos”
  1. SSSilva disse:

    A-do-ro!!!!!

    Se a goma está quente e escalda-se o peito …
    Se exagerou na pimenta, aumenta-se o tucupi…
    E se o camarão está seco… ai que sede vai dar…!!!
    Mas tomo assim mesmo, não deixo escapar.

    Amei a sensibilidade do autor em retratar a tarde amazônida com tanto sabor e romantismo!!!!

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