Santarém, Amazônia, Brasil

Terça-feira santa do futebol

Por Jeso Carneiro em 14/6/2010 às 08:08

por Raimundo Gonçalves (*)

Amanhã é o dia da estréia do Brasil na Copa do Mundo, você sabia? Sabia, mas não quer saber por causa do Dunga? Errado! Você sabia que dentro de campo podemos ter uma seleção com a cara do Dunga e nos decepcionar?

Porém, podermos também ter uma seleção que não vai ter nada a ver com os pensamentos evolutivos do século xv do nosso treinador? Pois bem, nossa seleção entra em campo amanhã com uma grande dúvida: o que o Dunga está fazendo nos treinos secretos da seleção?

Estrelismos dos caras?
Estará preocupadíssimo com o comportamento de certas estrelinhas, que estão brigando nos coletivos por uma vaga no time titular? Segundo informações, isso só acontece porque ele quer que seus jogadores, sem muita técnica, se transformem em machos sulistas dentro de campo.

Ou quer colocar o musculoso Júnior Batista no lugar do Robinho, e fazer de Kleberson o jogador surpresa no lugar de Kaká? Já pensa na hipótese de colocar o fortíssimo zagueiro Luisão no lugar de Felipe Melo para dar mais consistência física na frente da zaga?

O sábio escondido na capa
Na verdade não é nada disso. Temos um Dunga diferente que pouca gente conhece. o Sr. Carlos Caetano, que descobriu em Florença, na Itália, o maravilhoso conhecimento da arte, da cultura e da ciência, e abraçou Maquiavel pelo livro escrito, O Príncipe. E imagine onde ficou encantado o nosso Carlos Caetano, na preferência filosófica do autor de A natureza do poder.

Quando vem a famosa questão: ser amado ou temido, imagine a qual o nosso príncipe escolheu? Lógico, ser temido. Esta é a cara do Dunga de hoje. O que esperamos que esse temor tivesse as seleções que vão nos enfrentar e não a imprensa ou torcedores. Mas como você pensa que deve agir com sutileza, mesmo com astúcia e crueldade, se for para ganharmos a Copa do Mundo, seja como você quiser!

Motivo para crer
Segurando a minha estimada bandeira verde amarela, confio nas suas últimas frases: “Não tenho muita instrução, estudei apenas o 2º grau. Mas sou inteligente, tenho experiência e aprendi”. Todos apanhem suas bandeiras e vamos torcer, o cara é o homem ideal para trazermos o caneco mais uma vez!

——————————————————

* Santareno, é cronista esportivo do jornal Gazeta de Santarém. Escreve regularmente neste blog.

Comentários

5 Comentários para “Terça-feira santa do futebol”
  1. Isaque ??? disse:

    Tomara que esse time fraco não faça mer… na Copa do Mundo. Se o Brasil levar a pior a culpa é do Dunga, parece mais um boneco teimoso… Ainda acho que o time do Santos representaria melhor o Brasil na Copa do que esse time aí, fala sério!

  2. Milton Mauer disse:

    Também sou um deles. (Mauer)

    O casmurro Sr. Bledorn Verri
    Uma análise histórico-sociológico-bufo-futebolística – publicada no caderno de esportes do Correio Braziliense – que tenta explicar por que o Dunga não vai convocar nem o Ganso nem o Neymar

    Lourenço Cazarré
    Jornalista e escritor

    Mesmo sem o auxílio de uma pesquisa, me arrisco a dizer que a esmagadora maioria dos torcedores brasileiros não ficou contente com a convocação de Dunga. Nenhuma novidade: desde que me dou por gente, sempre escutei o rugido das multidões descontentes. Com exceção da época em que o comandante era Telê Santana, é claro. O povo amava o grande Telê e suas seleções de jogo bonito, que perderam duas copas. Mas nem o ódio permanente da massa contra o selecionador nem a polêmica convocação serão examinados aqui. O que proponho é tentarmos entender como funciona a mente do nosso atual treinador. Tenho uma hipótese meio estrambótica. Vamos a ela.

    Para explicar as convocações de vários jogadores que os torcedores consideram cabeças de bagre e para justificar a ausência de uns poucos craques mirins, Dunga usou basicamente duas palavras: comprometimento e coerência.

    Acho que chegou até mesmo a usar uma palavra que provoca tremuras em brasileiros bem pensantes — obediência. Poderia, claro, ter recorrido à “disciplina”, que é a versão correta politicamente, mas que também não goza de unanimidade em terras próximas à linha do Equador.

    Para entender Dunga, acho, temos que começar o exame pelos seus dois sobrenomes: Bledorn Verri, de origem alemã e italiana. Ele é descendente em terceira ou quarta geração das duas grandes correntes migratórias europeias que vieram para o Rio Grande do Sul no século 19. Os alemães chegaram primeiro (em 1824), os italianos, bem depois (1875).

    O fracionamento das propriedades, decorrente da divisão das heranças, logo expulsou do Estado os filhos desses pioneiros. Eles então partiram para Santa Catarina (a partir dos anos 20), Paraná (anos 40 e 50), Mato Grosso e Rondônia (anos 70).

    Ao se deslocarem para outros Estados, esses gaúchos expatriados se moviam sempre em grupos, com familiares ou vizinhos, às vezes sob o comando de um padre ou pastor. Para dominar a nova terra, todos tinham de trabalhar duro, colocando de lado seus interesses pessoais em função das metas coletivas. Além do trabalho pesado e da coesão comunitária, essa gente era extremamente apegada à ordem: se há uma lei, cumpra-se!

    É essa fórmula mágica que Dunga quer implantar na Seleção, porque também ele é um migrante gaúcho.

    Carlos Caetano Bledorn Verri saiu do Estado e foi ganhar a vida igualmente no campo. Trabalhou duro. Removeu a terra fofa dos deslumbrantes gramados alemães nos seus inesquecíveis e incontáveis carrinhos. Ganhou muito dinheiro, mas nunca abriu muito a mão, como todo “gringo” desconfiado e cauteloso. Em suma, manteve-se fiel à ética inflexível dos migrantes.

    Foi essa voz profunda, foi esse nó que não se desata, foi esse algo que não pode ser descrito, que lhe ditou as justificativas na demorada entrevista coletiva. Não era bem o Dunga que falava ali. Eram centenas de milhares de agricultores gaúchos — descendentes de alemães e italianos, gente raçuda e ríspida — que discursavam para o país tropical, esta carnavalesca e futebolística nação, que os desconhece. Finalmente, depois de mais de século de anonimato, eles se fizeram ouvir através do casmurro selecionador.

    Quem não levar em conta as origens profundas do nosso treinador, a sucessão de agricultores rudes e determinados que o antecederam, jamais vai entendê-lo. O certo é que, entendendo-o ou não, gostando dele ou não, teremos de engoli-lo, como dizia um de seus antecessores.

  3. Pedro Maia disse:

    Caro Raimundo,

    Sei e até aprovo o fervor por parte da grande maioria dos torcedores brasileiros, mas pra quem gosta do futebol bem jogado essa seleção está bem longe de honrar as tradições brasileiras. Não é a toa que o jogador Felipe Melo disse que o Dunga é parecido com o José Mourinho (não fisicamente, é claro), mas no sentido de saber armar uma retranca e esperar que alguém num lampejo, faça um golzinho, que depois o melhor goleiro do mundo faça seus “milagres” até o apito final. Por aí dá pra se ter uma idéia do que nos espera: retranca, brucutusdando pancada pra todo lado,e, às favas o futebol arte como estavamos habituados a ver. Uma pena, e não é só isso. Ele até já possui um guru (Augusto Cury) que lhe aponta os caminhos do “sucesso”. Coitado do futebol brasileiro. Além de possuir um escudeiro (Jorginho) que defenestra a imprensa, a torcida ou quem se atreva a questionar os métodos, as esquisitices do treinador. Os dois são parece lixa: grossos, arrogantes, pedantes, autosuficientes, mal educados etc. Mas, a hora deles vai chegar, não que esteja desejando o pior pra seleção, No entanto não sou burro a ponto de aceitar ver jogadores como Josué (reserva no seu clube), Elano (reserva), Júlio Batista (reserva), Doni (reserva), Kleberson, reserva no FLa), Gilberto Silva, Felipe Melo, Grafite, Gilberto do Cruzeiro, em detrimento de jogadores talentosos como Alex (Fenerbach), Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Elias, Diego, Hernandes, André, Roberto Carlos, Neymar, Diego Tardelli e tantos outros que poderiam deixar a seleção bem mais ofensiva e praticar um futebol como é da origem do brasileiro. Mas o Dunga quer mesmo é aplicar seu estilo “GAÚCHO’ de jogar ou seja, muita marcação, jogar fechado e esperar um vacilo do oponente pra tentar vencer. Tenho plena conficção que não chegaremos a final. Quiçá passe da primeira fase, que pese ser o grupo mais fraco da copa. Quem viver verá.

    Abs
    Pela

  4. E o lema é: Manda quem paga e obedece quem recebe.

    Somos apenas torcedores, o treinador e com poder é o Dunga. Então ou torcemos pela nossa Seleção, ou torcemos contra (o que não é o meu caso, pois sou Brasileiro acima de qualquer coisa), ou fazemos de conta que não é Copa do Mundo, isso se alguém conseguir essa proeza. Pois os veículos estão enfeitados com bandeira brasileiras, o comércio vendendo artigos do Brasil e os veículos de comunicação, transmitindo os jogos de futebol.

  5. VOVÔ DUQUINHA disse:

    E o lema será” CONOSCO NINGUEM PODEMOS”

Deixe sua opinião