Foto: Celivaldo Carneiro
Alter do Chão - seca de 2010 - Foto: Celivaldo Carneiro

No blog Agonia ou Êxtase, do geólogo vascaíno Jubal Cabral Filho:

Uma autoridade no setor de saneamento nos passou a impressão de que a Vila de Alter do Chão – alcunhada de Caribe Brasileiro – corre o risco de um colapso em suas belezas naturais.

A construção desordenada de hotéis, edifícios e casas de alto padrão estão transformando o Lago Verde e suas cercanias em um depósito de detritos, coliformes fecais e demais imundícies.

Hoje, o banho nas águas que cercam o lago se torna problemático pela contaminação causada por estes elementos, tanto que ao sair do banho é aconselhável um banho com água quente para eliminar (ou minimizar) qualquer micose que possa advir da “deliciosa e mais bela praia do mundo”.

O cuidado deveria partir do governo municipal – através da área de infraestrutura, saneamento e meio ambiente – obrigando os donos destas edificações a promover um tratamento adequado dos resíduos gerados.

É claro que esta atitude provoca uma reação poderosa dos poderosos, mas se não for feita possivelmente teremos um “Caribe” morto antes de se desenvolver plenamente.

E depois que está acabado nada mais restará de turismo para a Vila de Alter do Chão.

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

20 Comentários em: Esgotos ameaçam Lago Verde

  • Amigo JUBAL,
    VC TEM RAZÃO, AGORA UMA PERGUNTA : QUAL O PEITUDO QUE VAI EXIGIR QUE ISSO SEJA FEITO?, SE TODOS SÃO PEIXES GRANDES ? DE UMA COISA FIQUE CERTO, SE FOSSE NO TEMPO DO AI – 5, ERA POSSIVEL, ENTÃO VAMOS CANTAR : eu era feliz e não sabia.

    • A Coisa tá feia: Em São Paulo xenofobia pura, aqui o cara está com saudade do A1-5. Desconjuro!

      ]

      • Jeso,
        parece que o chico corrêa tem roupa no secador, não quer ouvir falar nem de longe do tempo do AI-5. Não te preocupes chico correa foi só para ilustrar.

  • É uma vergonha pra nossa cidade, não se ve político algum preocupado com obras de saneamento básico, esgoto caindo em cima da praia mais bonita do Brasil, nosso maior patrimônio, é um absurdo. Se você for agora em alter do chão, verá uma areia preta horrível perto da orla e em alguns locais até grama por conta dos nutrientes carregados pelo esgoto.UMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO LÁ SERIA MUITO BOM, UM PROJETO BEM FEITO, APESAR DO ALTO CUSTO, SERIA UMA OBRA QUE DEFINITIVAMENTE RESOLVERIA ESTE PROBLEMA, ATÉ PORQUE ALTER DO CHÃO NÃO SE DEVE MEDIR DESPESAS PRA CONSERVA-LA BELA. É UM BOM DAR UMA OLHADA NA FRENTE DE NOSSA CIDADE TAMBÉM, ESTA ÉPOCA DO ANO OS ESGOTOS AFLORAM E MAU CHEIRO INVADE A FRENTE DA CIDADE.

  • Não são apenas os hotéis, edificios e casas de alto padrão que contribuem para a sujeira no lago verde. Os próprios moradores da vila também tem sua parcela de culpa pois os mesmos jogam seus resíduos nas ruas tanto quanto qualquer outro frequentador do balneário.
    O saneamento tem de ser feito por todos. E para alter realmente desenvolver temos de ter uma política de desenvolvimento e atendimento ao turista.
    O saneamento e o bom atendimento seriam um bom início. Deveriam também tirar as barracas do meio da rua pois a praça foi construída para todos e não apenas para os barraqueiros e hypies. E aproveitando a questão de limpeza, deveriam multar as organizações dos botos por trasformarem o sairódromo em um verdadeiro chiqueiro, pois até hoje ainda não retiraram os carros alegóricos de lá, transformando o lugar em lixão particular dos botos.

  • Com a vazante de nossos rios em fase máxima, afloram sujeiras que jogamos nos rios como eles fossem depósito de lixo.A limpeza de nossas praias e ruas deveriam ser feitas com afinco por todos, diariamente. Cobramos da Prefeitura os cuidados que deveríamos também participar.A educação de nossas crianças será o futiro de tudo, os mal educados são irrecuperáveis.Alter do Chão, vila balneária, envergonha-nos pela sujeira abundante, os turistas criticam muito. Há poucos dias ouvi de turistas americanos, europeus comentários acerca da falta de educação de nosso povo e a quantidade de lixo jogado às margens do rio.Não precisamos de dinheiro para sermos educados.A limpeza da praia que é encetada pelos nativos com suas barracas de alimentos ainda é precária. Faltam banheiros químicos nas praias, só aparecem no Sairé. Uma pergunta aos nossos incompetentes gestores: só fazemos nossas necessidades fisiológicas na festa do Sairé?Outra coisa: os barraqueiros extrapolam nos preços de alimentos e refrigerantes, não temos fiscalização…Obriga-nos a levar nossas bebidas e alimentos, transformando-nos em autênticos farofeiros.Voltando ao assunto do Lago Verde: não sou Engenheiro mas as construções na orla do lago trarão alterações severas ao meio ambiente, as consequências serão drástico assoreamento de nosso lago verde, que acham? Já vemos na prática, qualquer dias atravessaremos todo lago andando.Parece-me que nossa Governadora falou em campanha política que Alter do Chão estava ilcluida em polo turístico do estado. Asfaltamento de ruas sem drenagem adequada traz sérias consequências ao nossso lago, os especialistas podem se manifestar, dou minha opinião como leigo!!!! Uma campanha, conclamando o povo para, em mutirão, fazermos uma limpeza nas praias seria minha humilde sugestão.

  • E o que falar dos próprios banhistas que usam o rio para suas necessidades, em razão da falta de banheiros na praia e na orla…, entretanto, o amigo Jubal está de parabéns por levantar o problema.

  • No Maica a situaçãoé bem mals tambem. Uma lástima!

  • Enquanto o mundo se volta para os problemas causados pela poluição, os imbecis ( governantes e moradores ) nada fazem para preservar a praia de agua doce mais bonita do Brasil ( escolhida por uma revista muindialmente conhecida ). Quem vai a alter do chão dia de domingo encontra além do esgoto, jogado na cara dura neste berço natural, muito, mais muito lixo jogado pelas pessoas que passam por la. Isso é uma vergonha, cada vez que visito alter, me sinto pior e muito triste. Infelizmente esse é o destino de alter, ficar igual as praias da frente da cidade, que antigamente tinham a areia tão branca e bela como as de Alter do Chão. Isso é uma idiotice e nem a sociedade que é a maior interessada se mobiliza. Não faz nada.

    • Acho que os botos (Cor de Rosa e Tucuxi), com a força política que tem, poderiam encampar essa luta em favor de Alter do Chão. Saneamento básico, Código de Postura, respeito ao meio ambiente são pautas e práticas que deveriam estar constantemente desfraldadas na vila balneária.

  • Infelizmente isso tudo é verdade.

  • Nós não merecemos a praia que temos. Aliás, não só Alter-do-Chão, mas também diversas outras belezas naturais que insistem em sobreviver na nossa Região.
    Somos afortunados. Herdeiros milhonários que repudiam herança que nos foi deixada.

  • A situação é mais feia do que a fotografia registra.

  • Hoje, Santarém amanheceu sob o peso de uma discussão: os maus tratos que Alter do Chão vem recebendo ao longo dos tempos.

    Ontem, encontrei-me com Jubal Cabral Filho, ligado às questões ambientais na região Oeste do Pará, que tratou do assunto. Disse de sua preocupação e de outros especialistas, que tem notado o avanço das agressões contra a natureza apreciada pelo Brasil e pelo mundo da praia tida como ‘a mais bonita do Brasil’.

    Entre os problemas, os esgotos que desembocam no Lago Verde, causando um péssimo aspecto. Tem ainda o assoreamento que acontece em época de inverno, quando as águas das chuvas despejam a terra do centro da vila no rio. Para completar, a carência de banheiros públicos em toda a vila, especialmente no ambiente da praia, provocando nos banhistas desconforto no momento de realizarem suas necessidades fisiológicas.

    Neste momento, o que tem saltado aos olhos é a falta de saneamento básico na vila balneária, que é, por poucos dias, mais antiga do que Santarém. Um trabalho, contando com os esforços das três esferas de poder, se faz necessário. Um trabalho absolutamente realizável. Há de se levar em consideração de que Alter do Chão tem, colocando por cima, cerca de 3 mil habitantes. É um núcleo pequeno, com problemas ainda pequenos, com necessidades incipientes. Então, é muito mais fácil fazer algo para mudar a vida de um dos destinos mais populares do turismo brasileiro.

    Para que a situação mude, um projeto deve ser efetivado por profissionais na área de planejamento. Uma ação de governo. Com a devida manifestação da comunidade local e da sociedade civil organizada (incluindo ONGs, associação de moradores de Alter do Chão, instituições de ensino superior).

    Santarém tem que se manifestar.

    Ninguém pode mais jogar tudo na costa do poder público. Para que o poder público aja é necessário que haja um reclame vindo do seio da população. E a pergunta que se faz necessária é: Alter do Chão é importante para o desenvolvimento do turismo na cidade? Nós somos responsáveis pelo futuro da cidade? Estamos vendo e sentindo que, do jeito que está, a situação se encaminha para o estrangulamento dos recursos naturais da vila? Ou não estamos vendo nada?

    Se não estiver acontecendo nada de anormal com Alter do Chão, que todos se calem…

    PS
    Comentários postado no: santaremconexao.blogspot.com

  • O problema é que quando voce questiona a construção de certos imóveis na orla da vila, chega logo uns cara e te perguntam: “Você é contra o progresso?
    E assim caminha a humanidade.

    • Acredito que o problema não esta nas obras e sim nas pessoas…há diversas formas de tratamento da agua dos esgotos e também diversas formas de reutiliza-las, se nas obras em alter fosse utilizadas tecnologias sustentáveis, estariamos preservando muito bem nosso patrimonio. O Jeso foi muito feliz ao citar uma lei organica ambiental para o município, ja será uma progresso grandioso ( se junto com a lei vier também a fiscalização e punição ).

  • Já há algum tempo que Álter-do-Chão deixou de ser para mim a mais bonita das praias. E isso ocorreu devido ao crescimento desordenado da vila, e todas as consequências que as ações desenfreadas do homem trazem ao bem natural. Uns poucos afortunados estabeleceram ali empreendimentos (hotéis, restaurantes, p. ex.) sem qualquer preocupação que não fosse a rentabilidade de seus negócios. E boa parte desses poucos estão na gestão municipal, direta ou indiretamente. Levantar a necessidade de ações que mudem o cenário atual é fácil; difícil é por em prática as medidas que se fazem necessárias. Torço, porém, para que aconteça.
    A propósito, aproveito para pedir encarecidamente que não entitulem Álter-do-Chão como o “Caribe da Amazônia”. Álter-do-Chão é Álter-do-Chão. Caribe é Caribe. É idiotice taxar nossa praia tal rótulo, assim como querem chamar a casa de plástico instalada no Parque da Cidade de Hangar (santa patetice…).

  • KADAFI:
    Não é só questão de ter razão ou não. Estou levantando a questão para ser discutida pela sociedade em geral. E também não concordo com a ditadura em qualquer forma seja ela vermelha, azul ou branca.

    José:
    Esta deve ser uma plataforma a ser cobrada nas futuras eleições no município tanto para os que querem ser parlamentares como executivos. E porque não ver um projeto amplo para discutir a questão?

    Antonio Jequitibá:
    Existem formas de ajudar na conservação. Em alguns casos basta não lançar o papelzinho que enrola aquela goluseima no chão “só porque tem gari pra varrer”. E aí, quem chama a atenção de quem faz isso na sua/nossa frente? Seja em Alter do Chão ou em Santarém vale começar…

  • Mais do que somente turismo, a importância do tratamento dos esgotos, o cuidado com a água, é uma questão de saúde pública. Cerca de um terço das internações hospitalares em Santarém se deve à ingestão de água inadequada para consumo, como já alertava o Dr. Sinimbu em 2008, durante o VI Encontro de Estudos e Debates sobre Águas Doces do Baixo Amazonas, em palestra proferida no Centro de Cultura. Alguém se lembra?

    Mas esta não é uma mazela exclusiva de Santarém, do Pará ou da Região Norte, é bem brasileira. Campos do Jordão, no Estado de São Paulo, o mais rico da federação, situada na Serra da Mantiqueira, conhecida como a “Suíça brasileira”, adjetivo tão inapropriado quanto chamar Alter do Chão de “Caribe da Amazônia”: “Cidade turística que associou seu nome à sofisticação, visitantes de alta renda, marcas de luxo que lá se instalam durante a temporada e hotéis com diárias acima de R$ 1.300,00, Campos do Jordão, a “Suíça brasileira”, vai, enfim, deixar de jogar esgoto sem tratamento no rio”, escreveu José Benedito da Silva, enviado especial.

    A audiência pública do projeto, de custo superior a R$ 90 milhões, será no próximo dia 23. Em Campos do Jordão apenas 44% do esgoto são coletados, mas nada é tratado, sendo jogado “in natura” nos rios Sapucaí-Guaçu, Perdizes e Capivari.

    Ainda, segundo a reportagem, “Sua riqueza ambiental em contraste com a falta de saneamento não chega a ser exceção: é o mesmo quadro de cidades como Florianópolis (no Sul), Natal (no Nordeste) e Ubatuba (litoral paulista)”.

    Será que em Santarém os interesses políticos, econômicos e sociais, convergirão para a solução deste problema, numa quebra de paradigma?

    Queria acreditar mas, a julgar pelas evidências, falta muito ainda.

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