Carta fascista com ameaças a alunas da UFPA entra na mira do Ministério Público, altamira - UFPA
Campus da UFPA em Altamira

O Ministério Público Federal (MPF), em despacho na quinta-feira (8), determinou a abertura de investigação criminal sobre uma carta com ameaças a alunas do curso de geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Altamira.

A carta, anônima, foi encontrada no dia 31 de outubro, provavelmente passada por baixo da porta do Centro Acadêmico de Geografia, contendo ameaças contra duas alunas que são lideranças do movimento estudantil.

A carta iniciava com os dizeres “Bem vindos ao Fascismo” (sic) e prosseguia anunciando que chegou o momento de “passar por cima de cada um de vocês, cada gay, cada sapatão, preto e preta”.

“Vamos exterminar cada um de vocês. Vamos destruir cada um desse tal movimento estudantil, começando por vocês do Diretório Acadêmico, vamos começar com a preta que se acha dona da razão a coordenação geral do D.A, vai aprender a ficar calada, vai aprender a ficar no lugar dela, vai aprender que preta não tem voz e nem vez”, dizia o texto para em seguida nominar duas alunas e ameaçá-las de morte.

O texto encerrava-se com as frases “A UFPA vai ser nossa! Vamos colocar vocês no lugar onde merecem…Nas valas de Altamira! Se preparem porque a tortura vai começar. Viva Bolsonaro. Viva a Ditadura. Viva o Fascismo. Viva o Carlos Alberto Brilhante Ustra.”

As alunas denunciaram a ocorrência nas redes sociais e o Movimento Xingu Vivo para Sempre enviou representação ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) em Altamira, mas o MPF entende que a competência para a investigação é federal, pelo caso ter ocorrido no campus de uma instituição federal de ensino superior e por incidir no crime de incitação ao genocídio, que é objeto de convenção internacional de 1948.

carta fascista
A íntegra da carta fascista

No despacho de instauração da investigação, o MPF aponta a ocorrência de três crimes que reputa “gravíssimos” na carta:

— Racismo (Lei nº 7.7716/1989), com pena de um a três anos de prisão e multa;

— Incitação ao genocídio (Lei nº 2.889/1956), com penas de 6 a 15 anos de reclusão; e

— Ameaça (art. 147 do Código Penal), com pena de um a seis meses de prisão ou multa.

Para os procuradores da República que instauraram a investigação, é fundamental determinar a autoria da carta para que os responsáveis sejam levados à Justiça.

Leia também:
Racismo | MPF denuncia aluno por comentário contra indígenas no Facebook da Ufopa

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3 Comentários em: Carta fascista com ameaças a alunas da UFPA entra na mira do Ministério Público

  • Todo crime contra a dignidade da pessoa deve ser duramente reprimindo… não devemos aceitar nenhum tipo de ameaça de ninguém…a sociedade é nossa ação em ação…

  • Caro blogueiro, o assunto aqui nso tem nada a ver com a matéria. Apenas queria dar uma sugestão de pauta: “a classe empresarial de Altamira está preparada para os novos tempos?”
    Estou em Altamira passando o feriado do natal e conhecendo a cidade. Achei uma cidade promissora, mesmo com os problemas trazidos com o início do fim da obra da barragem. Isso, certamente aumentará o desemprego e o comércio local será inevitavelmente afetado.
    Tive a impressão que a classe empresarial ainda não se deu conta dessa realidade, ou não está levando a sério. O início de uma crise previsível deve fazer com que os empreendedores reforcem suas estratégias e mudem paradigmas.
    Andei pela orla no dia 26 de dezembro ao meio dia em busca de um restaurante para almoçar com a família e não encontrei nenhum funcionando. Um estava aberto mas a funcionária informou que só servia a noite.

    Um caso de descaso e incompetência – Açai Xingu
    Por recomendação de um parente, no mesmo dia fui no estabelecimento tomar um café expresso e um açai. Entrei, aproximei do balcão e fui solenemente ignorado. Uma funcionária estava no caixa atendendo um cliente e outra estava na pia lavando louça. Nem um bom dia, nem um olhar. Após alguns minutos, a moça do caixa enfim, se dirigiu a mim e perguntou se eu queria algo. Pedi um café expresso e um açai. Ela me deu duas opções e escolhi o natural. A que estava lavando louça veio me servir o café expresso num copo de isopor. Perguntei se não tinha uma xícara, e pasmem! Respondeu que não. Um ambiente tão bonito, tão organizado e não tem uma xícara. Expliquei que não aceitaria o café naquela embalagem pois, além de fazer mal a saúde (bebida quente extrai as substâncias cancerígenas do isopor), desvirtuaria o café. A funcionária apenas fez uma cara de nojo e levou o café de volta.
    Após 40 minutos de espera a outra funcionária veio a minha mesa e disse que não tinha açai in natura que ela mesma havia me oferecido como opção. Além do tempo que perdi, sai sem tomar o café e o açai, mas antes deixei o meu protesto pela falta de respeito. Como uma funcionária nso sabe o que tem no estoque? E olhe que o estabelecimento estava vazio.
    Será que essas funcionárias receberam treinamento? Será que o proprietário sabe que elas estão falindo o negócio?
    Não adianta nada o empreendedor investir num local bonito e bem estruturado, se seus funcionários não estão preparados para atender o cliente com respeito e distinção. Afinal, quem é que mantém o negócio funcionando?

    Luiz Vieira – professor, escritor, blogueiro e coach especialista em treinamento empresarial.

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