Elas têm punch, têm atitude e pegada: TPM Festival. Por Paulo Cidmil
A 2ª edição do Festival TPM aconteceu no sábado (5) em Santarém

No sábado, 5, aconteceu o  TPM  Festival. Em sua segunda edição,  o Tudo Pelas Mulheres (tradução de TPM) tem a excelente proposta de expor a produção artística da mulherada da cidade e região.

O festival é iniciativa de um coletivo de mulheres que discute questões que estão na ordem do dia, em tempos de onda reacionária que tenta impor ao país retrocesso civilizatório.

Paulo Cidmil (*)

Machismo, homofobia, transfobia; questões de gênero, igualdade de direitos e o direito de afirmar sua individualidade sem constrangimentos truculentos e moralistas. Essas são asbandeiras das meninas nada comportadas do TPM.

Felizes na escolha do local, orla da cidade no pequeno palco entre a quadra esportiva e o parque infantil, o evento teve como atração bandas de rock formadas por mulheres ou com a presença de mulheres.  Mas não apenas isso. Pequena feirinha de produtos artesanais,  roda de discussão sobre a presença das mulheres na cena cultural e artística e até sessão de terapia coletiva.

Assistir à apresentação das meninas foi sem dúvida uma experiência muito agradável, além de surpreendente. Foram cinco apresentações. Excetuando-se a primeira, mais poprock, o que veio a seguir foi puro rock, punk, metal, pós punk e o pós-tudo das meninas da Godiva de Macapá, com composições autorais de mensagem sensível e direta, afinadas com a proposta do evento.

 

Festa de mulheres feministas onde homens podem ficar à vontade, inclusive tocar junto. Meninas sem frescuras, vestidas com suas armaduras de som, empunhando suas armas elétricas, transformado o palco em uma arena onde fazem explodir protestos e sentimentos positivos.  E o vilão é o machismo e o preconceito. Atitude porrada. Sensibilidade à flor da pele.

É visível que muitas são instrumentistas iniciantes, abraçam a música como forma  de arte que melhor amplifica o que pretendem  expressar. Se falta técnica e virtuosismo, sobram coragem, atitude e consciência social.

Tudo isso é rock, tudo isso é punk, tudo isso é o canal por onde a juventude contemporânea verbaliza sua insatisfação e expressa sua visão de mundo.

O TPM é uma proposta que vai além dos limites da arte, que em si já é transformadora, promovendo discussões sobre comportamento, diversidade, respeito mútuo e novas perspectivas para a juventude. Rompendo as barreiras da desinformação e da apatia.

Festival TPM
O público em sintonia com os artistas no palco

O festival revela a Santarém das tribos urbanas, onde podemos nos ver de frente com a contemporaneidade, muito cara à cidade que cultua por regra o folclore e a tradição, quase não há interlocução com as linguagens contemporâneas.  A gestão e fomento cultural do município tradicionalmente toca o carro em frente olhando o retrovisor.

Mudar a concepção de cultura dos gestores culturais e do empresariado, que poderiam estar patrocinando iniciativas como o TPM Festival, é o desafio a ser superado.  O fortalecimento de coletivos como o que produziu o TPM é o caminho. A sinergia entre os diversos coletivos e linguagens artísticas trocando ideias e somando forças é outra saída.

O fato negativo do festival foi  a crônica falta de comprometimento dos técnicos de som quando prestam serviço para eventos alternativos  que geralmente contam com o apoio do município. Agem como se estivessem fazendo um favor aos artistas. Isso acaba por interferir na qualidade do espetáculo. Falta de profissionalismo e respeito para com pessoas que estão começando e se expondo.

Mas nada disso tirou o brilho das garotas do festival. Superaram a falta de estrutura com coragem, atitude e pegada de gente que sabe o que quer e chega chegando. Garotas que dizem não à caretice até que esse não torne-se afirmação. No território amazônico das Amazonas, não poderia ser diferente.

TPM Festival
Baixista toca no Festival TPM

* Paulo Cidmil, santareno, é produtor e ativista cultural. Escreve regularmente neste blog.

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9 Comentários em: Elas têm punch, têm atitude e pegada: TPM Festival. Por Paulo Cidmil

  • Baixista e não guitarrista, na ultima foto..editemm! rs

    • Obrigado, Diene, será corrigido. Grato!

      • Ótima matéria, parabéns …. E outra essa história dos técnicos de som acharem que estão fazendo um favor é sempre a mesma. Sou produtor cultural de Parauapebas e percebi os mesmo problemas aqui.

  • Muito bom! Curti demais a matéria, importante o registro e críticas. Acredito que a técnica estava tão presente quanto a coragem, e que venham mais TPM! Vlw Santarém

  • Eu to achando tudo isso lindo! Essa mulherada da nova geração santarena tá mostrando a que veio! Artistas com sangue no olho. Um orgulho!

  • Foi muito bom o show🤘

  • Muito lindo! Maravilhoso! Santarém é realmente abençoada por existirem pessoas assim como elas, de atitude e competência. Que arregaçam as mangas e fazem acontecer. Estão de parabéns! E que venham outros TPM’s!!!!

  • Ótima matéria, parabéns …. E outra essa história dos técnicos de som acharem que estão fazendo um favor é sempre a mesma. Sou produtor cultural de Parauapebas e percebi os mesmo problemas aqui.

  • “Festa de mulheres feministas”… O próprio texto afirma isso.

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