Política: diálogo e unificação na era do extremismo ideológico. Por Edenmar Machado

A política contemporânea brasileira vivencia dicotomia que beira o extremismo ideológico.

O radicalismo explícito que envolve as discussões político-partidárias e ideológicas é cada vez mais comum no cotidiano do brasileiro.

Edenmar Machado (*)

E vem gradativamente se intensificando, dificultando o diálogo e a capacidade de análise política lúcida, com clara e irrefutável ausência de racionalidade, preenchida por uma veemente e apaixonada defesa das bandeiras ideológicas de Direita e Esquerda, quase sempre despida de consistência argumentativa e coerência dialética, gerando uma clara polarização divisionista.

A reflexão política perdeu espaço. Vê-se de forma recorrente somente adjetivações. Ambos (direita e esquerda) se qualificam (desqualificam), mutuamente, com menções depreciativas, provocando distanciamento.

Tentar pensar o cenário para além das dicotomias, tem nos levado a ser rotulado de um lado ou outro, a depender daquele que faz a imputação. Embora esse maniqueísmo tente empurrar qualquer posicionamento com toda força para um dos polos, é preciso resistir a essas correntezas ideológicas e, com serenidade, não abdicar de nosso maior trunfo: o pensamento.

 

A cegueira ideológica não permite que se observe qualquer qualidade no outro, e muito menos reconheça desacertos no âmbito de seu viés ideológico.

A outra “bandeira” representa sempre a encarnação do errado e do que precisa ser combatido.

Quem é o herói ou vilão, depende apenas da ótica ideológica, e não passa pela lógica da exteriorização do pensamento lúcido e racional. Qualquer posicionamento, jurídico ou político, acaba sendo engolido por essa polarização.

E neste cenário, a democracia perde força, o povo perde força e quando o povo perde força, a Nação enfraquece. Dando abertura aos discursos de negação. Relativizando o senso crítico e o que se entende por conduta moral ou ética.

Não se trata da negação do raciocínio ideológico – que move a política partidária – e sim da necessidade de racionalização do pensamento e discussão política a partir do viés ideológico.

E no centro desta premente necessidade estão os partidos por seus agentes políticos, que são responsáveis pelo elo entre o mundo político e a vida das pessoas. Tendo o relevante papel de realinhar a propositura de ações afirmativas de unificação, dissociada de cunho meramente ideológico, com o fito precípuo de racionalizar o diálogo e fortalecer a democracia.

Pois, é incontroverso afirmar que o diálogo político racionalizado, não divide e nem polariza, ele unifica os diferentes em matérias de interesse comum, ainda que presente o viés ideológico.

O momento exige reflexão. Estamos no “tempo” das coisas absurdas. Há uma confusão mental no ar, que impede que a política seja a arte do diálogo e da negociação para unificar e contabilizar interesses. Sendo de forma gradual, diminuída a mero instrumento separatista.

 

O que acaba favorecendo apenas os expoentes de cada vertente ideológica, e por outro lado diminuindo sensivelmente o nível da discussão política esperada e merecida pela sociedade, que se materializaria em melhores serviços e condições de vida à população.

Ou você prefere escolher seu representante a partir de uma política alicerçada somente no viés ideológico e pela negação do outro?

Não podemos olvidar que antes do número e do dado estatístico sufragado nas urnas, tem a afeição, a arte do convencimento, a consistência argumentativa, a coerência dialéticae a propositura de políticas públicas viáveis, que configuram o liame eleitor/candidato.

O voto sufragado na urna é o ato final de um processo eleitoral. Até lá há um longo caminho a percorrer. E esse caminho se percorre fazendo política. Mas que seja uma política calçada no campo das ideias, capaz de proporcionar a aproximação dos díspares à um diálogo minimamente racional.


* Edenmar Machado Rosas dos Santos é advogado, pós-graduado em Direito Constitucional e pós-graduando/MBA em Ciência Política. Reside em Santarém. Twitter: @edenmar_machado

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