Pela 1ª vez em 40 anos, PT do Pará pode eleger uma mulher para o comando do partido
Karol Cavalcante, candidata à presidente do PT no Pará

Socióloga de 33 anos, Karol Cavalcante pode entrar para a história do Pará como a primeira mulher eleita presidente do PT no estado. Ela é candidata ao cargo.

O PT é uma das grandes forças políticas paraense, já tendo, inclusive, eleito uma mulher para gerir o Pará, Ana Júlia Carepa, hoje fora do partido.

 

Karol se apresenta no embate das eleições internas do PT — provavelmente contra o Zé Geraldo (ex-deputado federal) e Beto Faro, reeleito deputado federal — como a renovação.

Não só na idade, mas também como um modus operandi diferente de gestão.

“Queremos construir juntos uma nova etapa para o PT. Uma etapa de reorganização e fortalecimento para que o que o partido volte a governar o Pará”, disse a petista em entrevista exclusiva ao Blog do Jeso.

Para isso, ela entende que o PT precisa mostrar força já nas eleições do próximo ano.

Expertise Karol Cavalcante tem. Ela é especialista em políticas públicas e faz curso de mestrado em Ciências Políticas na UFPA (Universidade Federal do Pará), em Belém, onde reside.

Karol é quadro da tendência denominada DS (Democracia Socialista).

 

— Você é candidata à presidência do PT no Pará com que propósito?

Karol Cavalcante: Nosso propósito é o da renovação. E não é apenas uma renovação geracional. Queremos que o partido se renove também no campo das ideias. O PT completa 40 anos em fevereiro, é a primeira vez em quase 40 anos que no Pará uma mulher disputa a presidência do partido.

Penso que precisamos iniciar uma nova etapa no PT. Tenho muito respeito pelos meus concorrentes que dedicaram suas vidas ao PT nos último anos. Mas o momento agora é de falar de futuro, de organizar a esperança do povo, de lutar contra as maldades do governo Bolsonaro. O PT precisa falar para maioria. Precisa falar pra juventude, pras mulheres, se reconectar com as periferias, com a luta do povo.

Não queremos substituir ninguém, queremos construir juntos uma nova etapa para o PT. Uma etapa de reorganização e fortalecimento para que o que o partido volte a governar o Pará. A renovação é política.

 

— Esse novo PT que sua candidatura representa dialoga, faz alianças com partidos do centro, como PSDB, de direita, como o DEM, ou extrema direita, como o PSL?

Karol Cavalcante: Queremos firmar um novo rumo na política de alianças do PT. A rigor, o estatuto do partido já proíbe alianças com partido de direita como o PSDB, DEM e PPS. Obviamente, o PSL também deve ser incluído nessa lista.

O que defendemos são alianças com partidos de esquerda, de caráter progressistas que tenha como objetivo a construção de frentes democráticas e popular para enfrentar na base social os partidos que apoiaram o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e elegeram Jair Bolsonaro, e este processo de aliança tática deve ser um desafio do partido para as eleições de 2020.

Defendemos que a política de alianças do PT seja pautada pelo programa e não pelo toma lá dá cá. Neste sentido, o fim da coligação nos ajuda no aspecto de fortalecer o nosso partido e definir melhor nossas alianças.

— Você defende candidaturas próprias do PT nos maiores colégios eleitorais do Pará — Santarém, Ananindeua e Belém? Ou há margem para aliança?

Karol Cavalcante: As eleições de 2020 para o PT será um processo de retomada do crescimento do partido no país. A centralidade de nossa tática eleitoral deve ser no debate do desmonte do Estado brasileiro pelo governo Bolsonaro. Mas não podemos deixar de ver as questões de cada município.

Em Santarém, por exemplo, todas as pesquisas a que tive acesso a ex-prefeita Maria do Carmo lidera com folga. Com quase o dobro de intenções de votos em relação ao segundo colocado. Como não ter candidatura própria nesse cenário?

 

Na Região Metropolitana de Belém, em que pese realidades diferentes entre Belém e Ananindeua, defendo a construção de frentes de esquerdas e setores progressistas para enfrentar a hegemonia política dos governos tucanos que já pendura duas décadas. Essas frentes não precisam ser necessariamente lideradas pelo nosso partido.

Para enfrentar o processo eleitoral em Belém, estamos propondo, inclusive, um novo modelo de organização partidária. Independente de ter ou não candidatura própria do PT, defendo que a decisão das direções municipais sejam respeitadas.

Portanto, se for eleita, quero dialogar com cada um dos municípios sobre o melhor caminho para o fortalecimento do PT local.

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Karol é milita dentro do PT na DS (Democracia Socialista)

— A ex-prefeita Maria do Carmo tem intenção de participar da eleição? Ela já manifestou isso ao PT?

Karol Cavalcante: O PT de Santarém deve definir até dezembro sua tática eleitoral. Não sei se ela já se manifestou oficialmente. O que posso afirmar é que estive em Santarém recentemente e o que percebi é que tem um forte apelo popular para que a Maria volte a governar o município. E as pesquisas também apontam isso.

 

Maria é uma liderança popular, sensível aos apelos do Povo. Ser for da vontade da maioria, ela com certeza não irá declinar desse desafio.

— Eleita presidente do PT, o que urge mudar rapidamente, logo nos 100 primeiros dias de seu mandato?

Karol Cavalcante: Pretendo atuar em três frentes. A primeira delas é a de organização eleitoral do partido, visando o fortalecimento do PT para as eleições municipais de 2020.

A segunda é de aproximar a direção do partido da sua base militante. Quero levar a executiva estadual para próximo dos municípios. Infelizmente, hoje , essa estrutura é centralizada em Belém. Caso seja eleita, vamos realizar reuniões da executiva itinerante, em todas as regiões do Pará.

A terceira é a retomada do diálogo com os movimentos sociais. Nesta conjuntura duas ações primordiais são necessárias: a campanha pela liberdade do presidente Lula e a intransigente defesa da Amazônia e seus povos que sofrem com os ataques do governo de Bolsonaro.

 

Essas são apenas algumas das nossas propostas. No dia 31/08, às 18h, na Câmara Municipal de Santarém, vamos ter debate de candidatos e candidata a presidente do PT do Pará e aproveito o espaço para convidar todos os leitores do blog, que são filiados ao PT na região do Baixo Amazonas para que participem e conheçam um pouco mais da nossa plataforma de mudanças para o PT.

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5 Comentários em: Pela 1ª vez em 40 anos, PT do Pará pode eleger uma mulher para o comando do partido

  • Querendo fortalecer uma desgraça como o PT, tem que acabar com essa doença pela raiz.

  • PT hoje em dia está sem crédito.

  • o pt está crescendo que nem rabo de cavalo…. para baixo!!!!!!!

  • Continue estudando minha jovem para vc abrir essa cabecinha. Está com o mesmo discurso de 30 anos atrás do seu mentor presidiário.

  • No pós governo Ana Julia em 2010, obeservou-se uma grande fuga de militantes que se desfiliaram do PT.
    Pergunto se existe essa clareza na candidata, e se existe dentro de sua pauta de renovação algum tipo de estratégia para que seja trabalhado uma aproximação junto à essa militância, inclusive de quadros históricos do partido.

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