Osmando Figueiredo, que assume o PP amanhã, critica o recém-empossado secretário estadual de Agricultura

O coveiro do Estado do Carajás virou patrão de Giovanni Queiroz

O advogado Osmando Figueiredo [foto], 57 anos, está de volta à cena política.

Amanhã, 20, em ato no plenário da Câmara de Vereadores de Santarém, a partir das 11h, com a presença do presidente estadual do PP, deputado federal Beto Salame, ele assina a ficha de filiação do partido. E vai presidi-lo em Santarém.

Por mais de uma década Osmando presidiu o PDT, do qual seu nome esteve intimamente associado até deixar a sigla brizolista por divergências com o presidente estadual Giovanni Queiroz, recém-empossado secretário estadual de Agricultura e Pesca.

Osmando falou ao Blog do Jeso nesta semana. E, no seu velho estilo, não fugiu às perguntas e não poupou críticas a quem ele considera como responsável por desfigurar a história do PDT no Pará – Giovanni Queiroz.

– Não sei como vai ser explicado no sul do Pará que o homem [Simão Jatene] que o Giovanni dizia que era o coveiro dos sonhos daquele povo [a criação do Estado do Carajás] agora é o seu patrão -, atacou.

A seguir, a entrevista do advogado:

Blog do Jeso: O senhor volta a dirigir um partido, o PP, depois de comandar o PDT por mais de uma década. Desencantou com a esquerda?

Osmando Figueiredo: Fui da fundação do PDT. Dei minha juventude a esse partido. Em Santarém, sob o meu comando, o PDT elegeu em 1996 uma bancada com 3 Vereadores e o vice-prefeito. Fomos protagonistas de grandes projetos e do desenvolvimentos de Santarém. Ao nos aliarmos a um projeto, nele acreditávamos pelos seus princípios e ideias.

O rasgar dos panos foi nosso líder no estado, o ex-deputado federal Giovanni Queiroz, que nas eleições de 2014, embora o partido tenha apoiado Dilma Rousseff, ele apoiou . Após a eleição, ele brigou para ser empregado de Dilma. Naquele pleito, Giovanni disse que Jatene era indigno para governar o Pará, e pediu para que renunciasse. Depois buscou um DAS no governo tucano.

Então esse comportamento da liderança estadual explica o partido. A barreira esquerda e direita foi rompida entre quem defende e não defende os interesses da população.

Blog do Jeso – O PP teve o pior desempenho entre os partidos em Santarém na eleição de 2016. Como reverter esse quadro?

Osmando Figueiredo: O PP é uma das grandes forças do Congresso Nacional. Tem dois ministérios importantes: Saúde e Agricultura. No município tem tradição, já tendo, inclusive, disputado as eleições municipais com o ex-deputado Benedito Guimarães.

Vou para o PP com um grupo de companheiros para construir um forte partido político local. Levo comigo um time que me acompanhou na construção política em outros tempos. Tenho experiência e terei apoio da direção estadual e nacional para sair do resultado das últimas eleições para um grande resultado nos próximos pleitos.

Blog do Jeso – O PP vai ter que posição em relação ao governo Nélio Aguiar?

Osmando Figueiredo: Nélio está iniciando o seu mandato. Precisa de apoio e da boa vontade nossa e do partido. O deputado federal Beto Salame, nosso presidente estadual, poderá contribuir com o atual gestor auxiliando nos seus pleitos junto ao governo federal. Entretanto, o partido não conversou com o governo municipal sobre a gestão, projetos e ações. Mas deverá fazer isso no momento adequado.

Blog do Jeso – Olhando o PDT que o senhor deixou, qual a sua opinião sobre a adesão do partido ao governo Simão Jatene depois de anos e anos de duras críticas?

Osmando Figueiredo: O partido no Pará sob a direção do Giovanni desfigurou sua história. Não sei como vai ser explicado no sul do Pará que o homem que o Giovanni dizia que era o coveiro dos sonhos daquele povo agora é o seu patrão. Quem mudou? Como o Giovanni vai justificar que Jatene não podia ser candidato a governador, pediu a renúncia dele e agora vira secretario deste mesmo governador após eleito? Entendo que Jatene engoliu o Giovanni na sua anêmica Secretaria de Agricultura apenas para aferir seu preço político. Um bom DAS.

Blog do Jeso – Quais os planos do PP para eleição de 2018?

Osmando Figueiredo: Disputaremos a eleição em toda sua plenitude, com apoiamento sólido ao Beto Salame à reeleição de deputado federal e um bom nome a deputado estadual.

Blog do Jeso – O que o PP não herderá em termos de gestão e posicionamento político de sua longeva gestão no PDT?

Osmando Figueiredo: O inchaço sem qualificação em seu quadros. Vamos formar núcleos setoriais, para mesmo fora das gestões municipais fazermos o acompanhamento crítico dos governos municipais.

Blog do Jeso – O senhor concorda com a afirmação de que o PP é hoje correia de transmissão da candidatura do ministro Hélder Barbalho a governador do Pará em 2018?

Osmando Figueiredo: As lideranças estaduais estão alinhadas ao projeto do ministro Helder Barbalho. Eu particularmente me ombreio a esse projeto. Não é questão de ser correia, é a escolha entre dois projetos, e entendemos que para o nosso estado o melhor projeto é alternar o poder com a eleição ao Governo do Estado do ministro Helder Barbalho.

Blog do Jeso – A gestão Nélio Aguiar está apenas começando. Tem apenas 21 dias. Qual a sua avaliação dele neste estágio inicial?

Osmando Figueiredo: Prefiro esperar os primeiros 100 dias para uma avaliação. A equipe nova e gestão pública municipal, hoje, está muito complexa. Regramento legal e contábil a cumprir nos primeiros dias. A equipe está se familiarizando com a coisa pública. Hoje, os controles são diferentes de outros tempos. O cuidado deve ser redobrado. Portanto, qualquer avaliação agora é prematura. Melhor aguardar.

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Um comentário em: “O coveiro do Estado do Carajás virou patrão de Giovanni Queiroz”

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  • 650 km de asfalto prometido para a periferia disse:

    o nelio deve ter pego umas aulas com o barrudada, todo politico que chegava em santarem, estava lá ele tirando retrato, neste ritmo ano que vem o nelio vai querer apoiar 33 deputados federais e santarem mais uma vez vai ficar sem representação em brasilia e belem