Bolsonaro demite secretário de Cultura por discurso semelhante a ministro de Hitler
Alvim em vídeo com referências nazistas

O presidente Jair Bolsonaro confirmou a demissão do secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, que fez um pronunciamento semelhante a discurso do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, um dos homens mais poderosos da Alemanha de Hitler.

Eis a íntegra da nota do governo:

“NOTA

– Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência.

– Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas.

– Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum.

Presidente Jair Bolsonaro”

A CITAÇÃO A GOEBBELS

“A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”, disse Alvim em vídeo publicado em suas redes sociais.

A fala tem semelhança com um discurso de Goebbels feito em 8 de maio de de 1933, no hotel Kaiserhof, em Berlim (Alemanha), para diretores de teatro.

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos [potência emocional] e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse Goebbels, segundo o livro “Joseph Goebbels: Uma biografia” (Ed. Objetiva), de 2014, escrito pelo historiador alemão Peter Longerich.

Ao lado de Heinrich Himmler e Joachim von Ribbentrop, Goebbels era um dos ministros mais próximos de Hitler.

Ele era o responsável pela estratégia da propaganda da Alemanha nazista. Suas campanhas foram indispensáveis para mobilizar a sociedade do país rumo à 2ª Guerra Mundial e ao Holocausto, culminando na morte de 6 milhões de judeus e no conflito mais letal da história da humanidade. Segundo ele, uma mentira contada 1.000 vezes se torna verdade.

REAÇÃO DA POLÍTICA

O pronunciamento de Alvim foi veiculado nesta 5ª feira (16), e desencadeou uma reação fortíssima na classe política. A cabeça do secretário foi pedida pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Alcolumbre é judeu, religião professada também por pessoas em posição importante no governo, como o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.

Segundo Maia, “o secretário de Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”. Ele escreveu em sua conta no Twitter.

Alcolumbre distribuiu nota à imprensa em que classificou como “acintoso, descabido e infeliz” o pronunciamento de Alvim, de “assombrosa inspiração nazista”. “Como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo”, escreveu o senador.

A mensagem chocou também pessoas com adesão ampla às pautas do governo. O senador Major Olímpio, líder do PSL no Senado, disse o seguinte ao Poder360: “A inteligência é limitada. A ignorância, não. Tem que sair pela porta dos fundos”.

Com informações do site Poder360

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