O previsto e a votação nas urnas: deputado federal e estadual no Pará. Por Alan Lemos, Votação biométrica
Votação biométrica no Brasil, nova realidade

Em agosto escrevi o seguinte texto Pará 2018: as chances de cada uma das 23 coligações para Câmara e Alepa. Chegou a hora de comparar o previsto com o realizado.

No plano nacional,  estas eleições trouxeram a derrocada das grandes legendas e a ascensão de vários pequenos partidos, com destaque para a direita radical e candidatos ligados à área da segurança pública.

Alan Lemos (*)

O PT sagrou-se como maior bancada individual, mas enfraquecido.

Pela primeira vez na história recente do Pará uma coligação conseguiu eleger os dois senadores, fato relativamente comum em poucos estados. A maioria dos deputados estaduais eleitos ultrapassou a marca dos 43 mil votos e os federais, 146 mil.

Em 2014, esses números foram de respectivamente 36 e 105 mil. O curioso é que o número de votos válidos cresceu apenas cerca de 7%, então o movimento real foi de concentração.

Reforço que o objetivo não era acertar categoricamente o nome dos 58 eleitos, mas sim tentar chegar o mais próximo possível do número de mandatos conquistados por cada chapa e, secundariamente, elencar o nome dos pleiteantes de maior destaque, ainda sugerindo faixas de votação necessárias para ser eleito.

O desvio médio foi de 0,56 vaga por chapa estadual e de 0,17 vaga por chapa no caso federal, que era bem mais previsível.

Das 23 chapas, em 10 a previsão acertou o resultado exato, em 8 ficou dentro de uma margem estreita esperada e em apenas 3 casos divergiu.

O quociente eleitoral federal ficou em 232.733 e o estadual em 97.999. Neste ano, uma importante alteração na legislação do foi implantada, que torna a disputa mais democrática: não é mais necessário chegar ao quociente eleitoral para disputar vagas da chamada “sobra”.

No Pará, não teve utilidade, mas em outras unidades federativas, sobretudo com menos mandatos, sim, permitindo que chapas menores acessem o parlamento.

DEPUTADOS FEDERAIS

— Chapa: RENOVAÇÃO E TRABALHO: MDB / PSD / PR / PP / PTB / PSC / PSL / PRB / PMB / PHS / PODE

Previsto: 8 ou 9. Realizado: 9. Votação do último eleito: 75.346

Os 12 mais votados estavam entre os 14 nomes aqui escalados, incluindo os eleitos. Em ordem alfabética: Beto Salame, Chapadinha, Cristiano Vale, Eder Mauro, Eduardo Costa, Elcione Barbalho, Joaquim Campos, Joaquim Passarinho, Júlia Marinho, Júnior Ferrari, Paulo Bengtson, Priante, Simone Morgado e Vavá Martins.

Júlia Marinho perdeu a reeleição por apenas 12 votos. Esta foi a coligação mais votada, com 48% dos votos válidos, levou 8,11 quocientes, conseguiu arredondar a nona cadeira e obteve a melhor relação “votos por mandato”: 209.754.

A legenda do PSL obteve 14.047 votos, pouco menos de 1% da votação de Bolsonaro no Pará. Previ que o presidenciável poderia trazer 24 mil.

— Chapa: TODOS PELO PARÁ: PSDB / DEM / PSB / PDT / SOLIDARIEDADE / PPS / PMN

Previsto: 5 ou 6. Realizado: 5. Votação do último eleito: 102.554

Oito nomes foram elencados (em ordem alfabética: Cássio Andrade, Celso Sabino, Giovanni Queiroz, Hélio Leite, Jordy, Nilson Pinto, Olival Marques e Yorann Costa) e ficaram exatamente entre os oito mais votados da coligação.

A chapa teve fortes baixas em relação a 2014, três federais tentaram a reeleição e um não conseguiu: Jordy. Outros três são deputados estaduais que acabam de subir um degrau na carreira política.

— Chapa: PRA VIVER EM PAZ , ex-LULA LIVRE: PT/PCdoB

Previsto: 2. Realizado: 2. Eleitos: Beto Faro e Airton Faleiro. Votação do último eleito: 106.965

Caiu de 2,8 quocientes para 1,9. Tal qual previsto, fez duas cadeiras e o líder foi Beto Faro. Na disputa pela segunda vaga consolidou-se Airton Faleiro, com quase o dobro de Ana Júlia Carepa (54 mil), que subiu de segunda para primeira suplente. Elencado, o ex-federal Miriquinho Batista veio logo em seguida.

— Chapa: JUNTOS PARA MUDAR: PSOL / PPL / PCB

Previsto: 1. Realizado: 1. Votação do único eleito: 184.042

Edmilson Rodrigues desta vez foi o deputado mais votado do Pará e precisou de apenas 26 mil dos 115 mil da chapa para atingir o mandato. A coligação cresceu 68 mil votos e a surpresa ficou por conta de sua primeira-suplente: a jovem militante Vivi, de Belém, com mais de 22 mil votos. A chapa gerou 1,3 quociente.

— Chapa: PARÁ RENOVA: AVANTE / PROS / PATRI / PTC / DC

Previsto: 0. Realizado: 0

Não trouxe surpresas: nenhum eleito. Obteve quase dois terços de quociente, um percentual expressivo, e ficou a 58.752 votos de eleger alguém. O mais votado foi o ex-prefeito Xarão Leão, com 46 mil votos.

— Chapa: AMOR PELO PARÁ: PRP / PRTB / REDE / PV

Previsto: 0. Realizado: 0

Lanterna dentre as chapas federais, atingiu 27% de quociente e o mais votado foi Zé Carlos do PV, com 9 mil votos. Caso estivesse unida com a PARÁ RENOVA (AVANTE / PROS / PATRI / PTC / DC), os nove partidos teriam tomado a nona vaga da chapa liderada pelo MDB, que foi dada a Eduardo Costa.

DEPUTADOS ESTADUAIS

— Chapa: ESPERANÇA RENOVADA: MDB / DC / PSD

Previsto: 11 a 12, Realizado: 10. Votação do último eleito: 33.752

Foram citados 18 nomes: 14 deles ficaram entre 17 mais votados. Dentre os eleitos faltaram elencar Paula Gomes e Diana Belo como destaques.

Surpresas ficaram por conta da grande renovação: quatro deputados estaduais perderam a reeleição, quais sejam, Ozório Juvenil, Scaff, Gesmar Costa e Coronel Neil – e nomes importantes ficaram distantes da vitória: Valmir Mariano da Integral, Jefferson Lima, Carlos Maneschy, Antônio Rocha e Paulo Titan.

Havia sugerido 30 mil como necessários para vencer: o primeiro-suplente teve 440 votos a mais que esse número, então com 30.441 o último eleito já chegaria à vitória.

— Chapa: LUTANDO PELO PARÁ: PSDB / DEM / PDT / PRP

Previsto: 10 a 12. Realizado: 10. Votação do último eleito: 36.761

Citei 15 dos 16 nomes mais votados: faltou apenas o de Doutora Heloísa, estreante eleita com 40 mil votos. Sugeri ainda 40 mil como marca para ganhar: dentre os eleitos, oito passaram desse ponto – apenas os jovens Victor Dias e Luth Rebelo ficaram abaixo: o primeiro apenas 294 votos abaixo e o segundo, 3.239.

Com certeza o maior destaque ficou para Dr. Daniel: uma votação estúpida de 113.588, suficiente para elegê-lo deputado federal sem problema. Esta foi a coligação que conseguiu a melhor correlação “votos por mandato”: foram 85.322. Obtiveram 8,7 quocientes e conquistaram 1,3 vaga extra.

— Chapa: PT isolado

Previsto: 3, podendo chegar a 4. Realizado: 3. Votação da última eleita: 43.796

Dos sete mais votados, seis foram citados na previsão. O partido auferiu 3,2 quocientes e manterá uma bancada de três deputados na Alepa: a única substituição é de Airton Faleiro, que acaba de ser eleito federal, por Dilvanda Faro.

Sugeri 25 a 27 mil votos como previsão para ganhar: a primeira suplente teve 25.004 votos, então bastaria que a última eleita tivesse somado 25.005. Mesmo assim a votação do trio foi pesada: de 44 mil a 60 mil. A chapa ficou a 30.054 votos de eleger o quarto.

— Chapa: PR isolado

Previsto: 1 a 2. Realizado: 3. Votação do último eleito: 39.193

O conjunto dos veteranos somado aos vários novatos conseguiu agregar não somente a segunda, mas também a terceira cadeira ao PR: que fez 2,9 quocientes.

Três deputados tentavam a reeleição pelo partido: dois conseguiram e um deles, Pastor Divino, sofreu uma débâcle para tão somente 4 mil votos e foi substituído por Alex Santiago, de Redenção, que não estava em nossos radares. Os outros dois estavam.

— Chapa: RENOVA PARÁ: PODE / PTB / PSL / PROS / AVANTE

Previsto: 2. Realizado: 3. Votação do último eleito: 29.151

A chapa demonstrou grande capacidade de recuperação da eleição passada para esta: de 1 para 2,9 quocientes. A previsão para ser eleito era de 40 mil votos, mas ficou equilibrada na casa dos 30 mil e produziu uma vaga a mais.

Dos cinco mais votados, quatro foram aqui citados, em ordem alfabética: Ângelo Ferrari, Nilton Neves, Rildo Pessoa e Soldado Tércio. O novato que não tinha sido listado é o Delegado Toni Cunha, eleito como primeiro da coligação.

— Chapa: PSC isolado

Previsto: 1 a 2. Realizado: 2. Votação do último eleito: 14.551

Com muitos nomes novos conseguiu reconstituir a segunda cadeira e tal qual em 2014 elegeu uma dupla, incluindo o menos votado da Alepa – como previsto: 37 candidatos tiveram mais voto que ele e perderam.

Na cabeça-de-chapa ficou mesmo o atual legislador Dr. Jaques e a segunda vaga foi ocupada por um estreante que estava fora do radar: Dr. Galileu, de Abaetetuba.

Outros dois candidatos ficaram na mesma casa dos 14 mil votos. A previsão para sair vitorioso era de 15 a 20 mil votos.

— Chapa: POR UM PARÁ MELHOR: PRB / PMB

Previsto: 1 a 2. Realizado: 2. Votação da última eleita: 18.391

Na previsão colocamos apenas dois nomes e ambos ganharam. A única diferença foi na ordem proposta: Fábio Freitas liderou e Professora Nilse foi a segunda. A previsão de votos para vencer era de 20 mil votos.

— Chapa: PARÁ FICHA LIMPA: PPS / PMN / PRTB

Previsto: 2. Realizado: 2. Votação do último eleito: 22.358

Tal como dito em agosto, a chapa mandou uma dupla para a Alepa: encabeçada por Thiago Araújo (55 mil votos), o que não era novidade. A novidade foi a queda de Gerson Peres para apenas 10 mil votos: a segunda vaga ficou com Orlando Lobato (22 mil), que estava fora dos radares.

A chapa fez praticamente dois quocientes exatos. Wellington Magalhães, que foi citado na previsão, ficou como segundo-suplente.

— Chapa: FRENTE HUMANISTA PROGRESSISTA: PP / PHS

Previsto: 1. Realizado: 2. Votação do último eleito: 16.325

O líder da chapa foi um dos dois previstos: Igor Normando, com 25 mil votos. O outro sucumbiu a apenas 6 mil votos. Quem conquistou a segunda vaga estava abaixo dos radares: o novato Delegado Caveira, vereador de São Félix do Xingu. A sugestão de votação mínima para ser eleito era de 15 mil.

— Chapa: PSB isolado

Previsto: 1 ou 2. Realizado: 1. Votação do único eleito: 29.077

Os três mais votados foram citados na previsão. A sugestão de votos necessários para vencer era de 30 mil. A chapa fez um quociente e meio e ficou a 24 mil votos de conquistar a segunda cadeira.

— Chapa: Partido SOLIDARIEDADE isolado

Previsto: 1. Realizado: 1. Votação da única eleita: 45.991

Dos quatro mais votados, três estavam listados aqui, incluindo a eleita Renilce Nicodemos. O partido saiu de 0,3 para 1,4 quociente e ficou a 31 mil votos de fazer a segunda cadeira. Não havia sugestão de nível de votos para ganhar.

— Chapa: JUNTOS PARA MUDAR: PSOL / PPL / PCB

Previsto: 1. Realizado: 1. Votação da única eleita: 43.178

A chapa do PSOL chegou a 1,14 quociente, garantindo para a ex-senadora Marinor um mandato na Alepa, que reuniu pouco mais da metade do necessário para selar o cargo. Exatamente como previsto.

O primeiro suplente, também como sugestionado, ficou Beto Andrade. Os votos em legenda ultrapassaram os 14 mil. Marinor já era a líder consolidada.

— Chapa: PATRIOTA CRISTÃO: PTC / PATRI

Previsto: 1. Realizado: 1. Votação do único eleito: 46.779

Mais um resultado sem mistério: chapa feita para eleger um e extrato consolidado. Não havia uma sugestão de votação necessária para vitória por já ter um líder claramente estabelecido: o pastor Raimundo Santos.

A primeira suplência ficou com o pastor Eduardo Arraes, com 11 mil votos.

— Chapa: PCdoB isolado. Previsto: 1. Realizado: 0

Exatos 28.370 votos separaram o deputado estadual Lélio Costa de sua reeleição, que manteve a faixa conquistada em 2014: 16 mil votos.

Considero uma certa surpresa a agremiação chegar a apenas 58% do quociente. Garantiriam uma quarta cadeira para a chapa caso estivessem coligados com o PT, que seria ocupada por um petista. Por ter um líder definido para uma única provável cadeira não houve sugestão de votação para vencer.

— Chapa: PV, REDE: PV / REDE

Previsto: 0. Realizado: 0

A dupla atingiu 53% do quociente eleitoral, foi até uma surpresa positiva, e ficou a 33.177 votos de eleger alguém. O mais votado foi Ludugero Júnior, com 23 mil votos: um patamar que o levaria à Alepa em outras quatro chapas.

— Chapa: PSTU isolado

Previsto: 0. Realizado: 0

O partido radical atingiu 2% de quociente: seu voto em legenda auferiu mais votos que seus dois candidatos nominais.

Observação: as votações estão arredondadas para a casa de milhar mais próxima.

— * Alan Lemos é petroleiro e “expectador da política”. Escreve regularmente neste blog.

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