Abaré: um passo fundamental

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De Caetano Scannavino, coordenador da ONG PSA (Projeto Saúde & Alegria), sobre o post Lavrado na Justiça o acordo Abaré I:

Jeso e amig@s do blog,

Nossos parabéns à Prefeitura sob a condução direta e equilibrada da Semsa [Secretaria Municipal de Saúde], que não mediu esforços em defesa de seus cidadãos. À Terre Des Hommes, pelo restabelecimento do bom senso mesmo que aos 45 minutos do segundo tempo. À Justiça brasileira, que de forma pragmática elevou ao primeiro plano o direito a saúde dos ribeirinhos em detrimento aos “pontos-e-virgulas” de detalhes jurídicos e burocráticos que muitas vezes determinam esses processos judiciais. E principalmente às comunidades do Tapajós que desencadearam toda esta campanha pela permanência do Abaré, de forma digna e não abrindo mão de um direito adquirido, trazendo lições a todos os envolvidos.

E, claro, nossos parabéns aos comentaristas do blog e ao próprio Jeso, que teve a sensibilidade de abrir e democratizar espaços neste concorrido site para trazer à tona a realidade do outro lado do rio, desdobrando também o caso Abaré para assuntos que envolvem a Amazônia, as relações internacionais, o Brasil de hoje, ONGs (muitos gostam, muitos odeiam), políticos e políticas. Com debates calorosos, polêmicas construtivas, enfim, um exemplo do bom exercício da cidadania tão necessária para a nossa região e país.

Deu-se um passo fundamental. Sabemos também que há todavia novos “rounds” pela frente até setembro na busca de um encaminhamento definitivo, mas o mais importante nisso tudo – seja com o Abaré ou com um barco substituto – são os compromissos assumidos para que não se interrompam os atendimentos.

A Saúde da Família Fluvial veio para ficar e Santarem se legitima como polo difusor desta política para toda Amazônia e Pantanal.

Parabéns a tod@s!


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7 Responses to Abaré: um passo fundamental

  • Até eu que sou do beiradão sei que o Saude e Alegria conseguiu e depois passou para a Prefeitura o Abaré. Ainda conseguiu o Abaré II para o Arapiuns. Eles não venderam nada e se não tivessem feito o trabalho deles até hoje não teria barco para os rios. Eu vejo o trabalho, não tem sacanagem.

  • É TAMBÉM UMA DÚVIDA QUE TENHO ACERCA DO CONFISCO DO BARCO ABARÉ PELA ONG TERRE DES HOMMES, O PSA ESTAVA USANDO PARA OUTRAS FINALIDADES? NÃO CONSEGUÍ DIGERIR ATÉ AGORA.Conheço funcionário do PSA que deixou de ser funcionário , acho que isso é problema administrativo do Projeto, não devemos nos envolver.Sr Scannavino poderia esclarecer nossas dúvidas de cidadãos curiosos.

    1. Prezado Antonio,

      O Abaré nunca foi confiscado, mesmo porque é de propriedade da TDH, responsável pela gestão naval da embarcação (tripulação, manutenção, etc). Cabe lembrar ainda que o calendário anual das rodadas ordinárias (Tapajós) do Abaré, liderado pela SEMSA/STM, sempre foi feito com bastante antecedência e aprovado por todas as partes envolvidas, o que facilita a logística por se saber aonde estará o barco ao longo de todo ano (jan-dez). Para qualquer uso extraordinário da embarcação – mesmo com finalidades assistenciais para outra região – se faz necessária a autorização da TDH, que por sinal detêm as chaves da embarcação.

      Por exemplo, uma rodada extraordinaria que esperamos que nao seja necessária, mas que os municipios devem desde já se preparar para tal – assim como a TDH estar sensibilizada quanto a isso – é o possível uso do Abaré para atender as populações afligidas pela grande cheia que parece estar vindo com tudo neste ano. E contarão com nosso total apoio.

      Acompanhando seus posts, aproveito também para compartilhar com você que a saúde é responsabilidade do Governo. ONGs, Universidades e outros podem vir a somar como parceiros técnicos, mas a essência dos serviços deve ser pelo SUS, como já afirmei em diversas ocasiões neste mesmo blog. Portanto, lembro mais uma vez que o PSA deixou a linha de frente da administração deste Projeto há tempos, ainda em 2010 quando o Abaré se credenciou como a primeira Unidade de Saúde da Família Fluvial do país, com o Poder Publico assumindo a coordenação, uma conquista que vai de encontro aos seus anseios e ao nosso velho sonho desde que começamos este trabalho.

      O acordo lavrado na ultima sexta-feira foi muito importante por dar segurança institucional à continuidade dos atendimentos nos próximos meses, pois ratificou o acerto até então verbal costurado semanas atras em conversa nossa diretamente com o Presidente da TDH (fato também noticiado por este blog em 27/fev), com quem temos construído uma boa relação.

      Tudo isso já foi amplamente divulgado. Perdão se já estou sendo repetitivo. Sigo viagem daqui algumas horas e não terei mais as facilidades de internet que disponho por aqui. Caso tenha perdido alguma dessas publicações referentes ao assunto, sugiro que visite o nosso blog (www.redemocoronga.org.br) onde encontrará vasto material sobre o caso.

      Forte abraço!

  • Exultamos com a notícia de um acordo entre Prefeitura Santarena e ONG Terre des Hommes.Felizmente, o atendimento aos ribeirinhos será novamente alavancada ( não deixemos de reconhecer o profícuo trabalho encetado pelo Projeto Saúde e Alegria, doravante deveria dedicar-se ao filantropismo que lhe é peculiar, participando do programa do SUS-Prefeitura de Santarém).É obrigação das autoridades de saúde promover e dar assistência aos nossos habitantes das matas e rios, mormente a medicina preventiva, mola mestra de todo programa mundial de saúde.Mãos à obra, chegue-se quem quiser participar sem qualquer escopo financeiro.

  • Concordo plenamente, porém se não fosse a má administração desse projeto PSA, creio que esse barco não sairia da região e nem precisava de intervensão do poder público. Jeso pesquise o por que a ong “Terra dos Homens” realmente queria retirar o barco daqui e você verá que esse PSA pisou na bola feio. Um grande abraço.

    1. Que intervenção do poder público? Se desde 2010 é responsabilidade do poder público cuidar da primeira unidade de saúde fluvial implantada em Santarém, funcionando no Abaré? A prefeitura está cumprindo seu papel. Isso é louvável, mas não pode ser confundido com intervenção, e sim com cooperação. É assim que as coisas podem melhorar. Não adianta a sociedade civil, seja os cidadãos anônimos deste blog, ou as ONGs ou outros movimentos, ficarem só cobrando, sem apresentar alternativas. Foi isso que o Saúde Alegria conseguiu fazer. Por isso sou fã desses caras.

      Então, foi graças à essa “má administração do PSA”, que esse projeto se tornou uma referência nacional e conseguiu que o ministério da saúde aprovasse uma portaria para beneficiar outros municípios da amazônia e pantanal, com o modelo construído por eles?

      Não adiante colocar a situação de saída do barco (que mais depende do TDH do que dos outros)) como mais importante que a conquista da política de saúde fluvial. Acho que a situação da infra-estrutura (o barco abaré I em si) vai se resolver e nosso município poderá se orgulhar de ter sido o berço de um projeto de sucesso, de melhoria do SUS, chegando nas comunidades mais distantes.

      Pelo que vejo a terre des hommes tem seus motivos, financeiros, políticos, outros projetos à vista, quem saberá. Isso seria bom mesmo pesquisar. Mas acho sacanagem querer ficar jogando suspeitas para esconder o sucesso que é este projeto. Torço muito pra que ele continue, quem sabe um dia poderei trabalhar à bordo de um desses barcos de saúde fluvial e um dia poder atender a comunidade do lago grande onde eu nasci.

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