Poetas amazônicos. Tua
Por Jeso Carneiro em 9/2/2012 às 20:20 · 2 Comentários
Vermelho Tua, de seda e feno no transe da metáfora a fenda soletrada-sol, vala de luz, vocabulário Tua, folhagem. O olho alcança o Olho, desce aos infernos: sonha o cabelo da urna, o vermelho da cifra, a ferida no centro da fogueira Tua, tua – – – – – – – – – – – [...]
Análise crítica da poesia de Age de Carvalho
Por Jeso Carneiro em 9/2/2012 às 10:58 · 1 Comentário
Metapoesia em Age de Carvalho – de Arquitetura dos ossos a Caveira 41 é o título do livro de Agleice Marques Gama (foto), a ser lançado em Santarém no próximo sábado (11), a partir das 10h, na BMT Livraria. A autora, santarena, faz doutorado em Linguística Aplicada na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Na [...]
Poesia – Língua
Por Jeso Carneiro em 6/2/2012 às 22:10 · Comente
Aula de português A linguagem na ponta da língua, tão fácil de falar e de entender. A linguagem na superfície estrelada de letras, sabe lá o que ela quer dizer? Professor Carlos Góis, ele é quem sabe, e vai desmatando o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquipáticas, atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me. Já esqueci a [...]
Poetas amazônicos. Minto
Por Jeso Carneiro em 1/2/2012 às 20:20 · 1 Comentário
Inverossímil Minto mais que omito, Mais que o mito do meu íntimo ser E desminto-me a cada entardecer… Sinto que quando minto Não minto pra mim, nem pra você Minto mais pra parecer Que a omissão da missão, de querer ser, É a razão do meu querer No infinito de cada anoitecer… Não sei tecer [...]
Poesia – Vida sem disfarce
Por Jeso Carneiro em 29/1/2012 às 19:20 · Comente
Soneto de amor Não me peças palavras, nem baladas, Nem expressões, nem alma…Abre-me o seio, Deixa cair as pálpebras pesadas, E entre os seios me apertes sem receio. Na tua boca sob a minha, ao meio, Nossas línguas se busquem, desvairadas… E que os meus flancos nus vibrem no enleio Das tuas pernas ágeis e [...]
Poetas amazônicos – Medidas
Por Jeso Carneiro em 23/1/2012 às 20:31 · 6 Comentários
Latitudes Traço um traço equidistante Entre teu ser e o meu instante Passo um passo na régua do compasso Entre o meu coração escasso e teu olhar brilhante Há uma longitude entre tua atitude E o meu ser vacilante Meço cada palmo do meu começo Para encontrar teu avesso no quadrante do meu fim Corro [...]
Poetas amazônicos – Trem da vida
Por Jeso Carneiro em 18/1/2012 às 20:26 · 1 Comentário
Como seu eu fosse um cantador A vida é como um trem que vai passando… Cada vagão é um ano transcorrido Puxados por um coração sofrido Aos poucos da estação se distanciando. Esses tablóides cheios vão rodando Nos trilhos do mistério indefinido, Levando histórias do que foi vivido, Do infante ao velho que já vai [...]
Poesia. Doido coração
Por Jeso Carneiro em 13/1/2012 às 20:24 · 1 Comentário
Anseios Meu doido coração aonde vais, No teu imenso anseio de liberdade? Toma cautela com a realidade; Meu pobre coração olha que cais! Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da soledade? Tuas lindas quirneras irreais, Não valem o prazer duma saudade! Tu chamas ao meu seio, negra prisão! Ai, vê lá bem, ó [...]
Poesia. Apressa-te
Por Jeso Carneiro em 11/1/2012 às 20:17 · Comente
Canção Não te fies do tempo nem da eternidade, que as nuvens me puxam pelos vestidos que os ventos me arrastam contra o meu desejo! Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, que amanhã morro e não te vejo! Não demores tão longe, em lugar tão secreto, nácar de silêncio que o mar comprime, o lábio, [...]
Poetas amazônicos – Olhos verdes sem igual
Por Jeso Carneiro em 10/1/2012 às 19:36 · 2 Comentários
Corina Corina, menina, Dos olhos verdes, sem iguais. Corina, menina, Tua beleza é demais… demais!… É mais que um mar de esperança É uma eterna aliança De dois desiguais És do sonho a ventura, Do amor a procura E de tudo isso és mais. Você é Corina, meu amor, Minha rima, minha flor E de [...]
Poesia – O amor fala?
Por Jeso Carneiro em 4/1/2012 às 20:30 · Comente
Amor O amor quando se revela Não se sabe revelar Sabe bem olhar pra ela Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer Fala: parece que mente Cala: parece esquecer Mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse [...]
Poesia – Palavra
Por Jeso Carneiro em 3/1/2012 às 20:30 · 3 Comentários
Por trás da palavra Por trás de toda palavra há uma trama cavada. Só não se cava nem se sagra a palavra enclausurada. A clausura da palavra é a palavra lacrada; é a usura da palavra que não abre suas veias se se envenena de nada. Só se salva a palavra contaminada por outra palavra [...]
Poesia – O que resta
Por Jeso Carneiro em 30/12/2011 às 20:15 · Comente
Vazio A poesia fugiu do mundo. O amor fugiu do mundo — Restam somente as casas, Os bondes, os automóveis, as pessoas, Os fios telegráficos estendidos, No céu os anúncios luminosos. A poesia fugiu do mundo. O amor fugiu do mundo — Restam somente os homens, Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis. Resta a vida que [...]
Poetas amazônicos – Sozinho
Por Jeso Carneiro em 18/12/2011 às 19:10 · Comente
Ninguém me habita Ninguém me habita. A não ser o milagre da matéria que me faz capaz de amor, e o mistério da memória que urde o tempo em meus neurônios, para que eu, vivendo agora, possa me rever no outrora. Ninguém me habita. Sozinho resvalo pelos declives onde me esperam, me chamam (meu ser [...]
Poetas amazônicos – Irônico dicotômico
Por Jeso Carneiro em 17/12/2011 às 15:29 · 1 Comentário
Soneto macarrônico Como não ser tão cênico – E porque não dizer, irônico – Nesse mundo esquizofrênico E assim tão dicotômico? Como não ser psicodélico E até mesmo, bem platônico, Nesse caos maquiavélico, Nesse cosmos, quiçá, daltônico? Como não ser lacônico Nesse mundo tão afônico, Que acredita no zodíaco? Como não ser, enfim, sardônico Ao [...]
Poetas amazônicos – Sete
Por Jeso Carneiro em 13/12/2011 às 20:35 · 1 Comentário
Poesia profética Se eu tivesse sete dias De inspirações devotas Eu faria sinfonias Com apenas sete notas Se eu tivesse sete fitas Adornando minhas mechas Eu dançaria com as gritas De orixás e Sete Flechas Se eu tivesse sete cores Pra colorir os momentos Eu reviveria as flores Dos meus sete sacramentos Se eu tivesse [...]
Poesia – Amiga
Por Jeso Carneiro em 6/12/2011 às 21:15 · Comente
A ausente Amiga, infinitamente amiga Em algum lugar teu coração bate por mim Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus. Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas Como que cega ao meu encontro… Amiga, última doçura A tranqüilidade suavizou a minha [...]
Poetas amazônicos – Deságua em mim
Por Jeso Carneiro em 4/12/2011 às 16:42 · Comente
Deságua em mim Ao meu rio Tapajós…numa tarde de contemplação… Eu me inundo com o teu cheiro Com tua vida Eu me inundo e me lambuzo com teu paladar Não dá pra ficar sem ti Deságua em mim Há quem diga e estuda teu jeito de ser De nos embriagar Diz lá que tuas águas [...]
Poetas amazônicos – Morada
Por Jeso Carneiro em 3/12/2011 às 18:30 · Comente
Morai em um Poema Morai, mulheres mulheres morai em um poema em um texto em uma canção e sejais ou não inesquecivel navegante em infinitas gerações Atentai-vos em um século inexistiremos precisais urgentemente habitar no contexto da história de um ser ou a passagem terrena so será passagem e nada mais Se desejardes a imortalidade, [...]
Poetas amazônicos – Gente como tu
Por Jeso Carneiro em 25/11/2011 às 20:30 · Comente
Magno Senhor Vide esse homem que aí vem De pés grossos, descalços … Esse que sem te conhecer Timidamente te cumprimentou. Esse que retratou em gesto humilde E obediente sua natureza escrava Ao cumprimentar a ti, indecente, Como se fosses suprema autoridade. Vide esse homem, Ele é o escravo da gleba. Observai suas mãos calosas [...]



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