Crime racial envolve alunos da Ufopa; réus usaram até conteúdo pornô contra vítima
Um das unidades da Ufopa em Santarém

Em 2013, escrevi um polêmico artigo em função das eleições para Reitoria da Ufopa. Quase fui preso, mas depois soube que alguns colegas mudaram seus votos, dando uma apertada vitória à chapa que pregava mudança em uma campanha acirrada, mas extremamente vibrante.

A atual situação em que vive a Ufopa e seus 10 anos de existência revelam ainda situações distintas,  divergentes e que precisam agora serem convergentes, cooperativas e não antagônicas.

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Jackson Matos (*)

Faço aqui uma análise reflexiva, tendo como marco aquele artigo e os 10 anos da Ufopa que completamos.

 Percebe-se que há muito que fazer, dado tratar-se de uma universidade nova, dentro de um clima artificial de ficção e realismo científico,  as mudanças vão das greves climáticas às necessidades de políticas públicas para combatê-las, continuar a não fazermos nada, ou enfrentarmos a dura realidade, cabendo aos eleitores que prezam o caráter publico, gratuito e de qualidade decidirem o que podemos fazer, considerando as eleições para o Consad e Consep do próximo dia 19 de novembro.

Entre tapas e beijos, pode-se fazer os contrapontos do que se vive, considerando o que pode ser um oportunismo para a atual situação que obteve 29 % dos votos nas últimas eleições, pode ser a adequação nos  desafios da primeira universidade do interior da Amazônia.

 

Para além da simples construção de infraestrutura, este pode ser a real de mudança de paradigmas para o demais 2/3, que continuam esperançosos de uma universidade inclusiva e cooperativa, sem os atuais conflitos com os mais humildes, tomando uma posição clara de estar ao lado dos que produzem o seu próprio sustento e dos recursos que sustentam  a universidade.

Não podemos nos iludir, pois o trabalho para nessa direção é difícil, requer compromisso e responsabilidade social, com honestidade, seriedade e sinceridade, mas temos que saber que o desafio requer uma dimensão qualitativa, mais que a predominância quantitativa.

Isto precisa inserir os conhecimentos parciais e locais adquiridos da experiência até agora, num contexto mais complexo e global (Morin, 2013), principalmente envolvendo o conhecimento ancestral que garantiu a enorme diversidade étnica e biológica que ainda se observa na floresta amazônica.

Nisto vemos que estes valores estão representados de forma coletiva nos nossos alunos, técnicos administrativos, professores-pesquisadores e cientistas que trazem em suas experiências o conhecimento que pode interagir com outros centros de excelência, demonstrando que temos recursos humanos e materiais, aptos a contribuírem na construção de uma nova universidade brasileira e mundial, já que este conhecimento está em  sintonia com a realidade da preocupação que mais mobiliza o mundo: a Amazônia que vivemos.

Uma palavra pode ser a chave: complementariedade.

Segundo Morin, opcit, um conhecimento não é mais pertinente porque contém um número maior de informações, ou porque é organizado da forma mais rigorosa possível sob uma forma matemática; ele é pertinente se souber situar-se em seu contexto e, mais além, no conjunto ao qual está vinculado.

 

Aí temos antigas e novas chaves, em que a educação moderna deve se inspirar, incluindo as ideias pedagógicas dos que criaram o capital do maior patrimônio publico brasileiro, aliado aos que se dedicam em níveis local e global, a pensar o futuro deste capital, integralmente, construindo com muito suor, mais com a alegria de dar continuidade ao projeto de nação, hoje percebido com tristeza, devido ao extremismo político a que estamos hoje metidos.

Uma reforma da educação múltipla, é inseparável da reforma do PENSAMENTO, e isto, nós docentes, temos que estar preparados para dar as respostas que nossa sociedade espera nos próximos passos que daremos nessa caminhada da Ufopa no oeste do Pará, que ser requer muita flexibilidade, mais vigilância e organização institucional.

Como candidato a uma vaga no Consep, a proposta que venho defender, é mais ampla que termos um ambiente com infraestrutura adequada ao ensino, a pesquisa e a extensão.

É a de pensarmos a recomposição da Amazônia, que chegou ao seu máximo nível critico, já beirando ao nível de não retorno o que só será possível se nos aliarmos    com os grandes centros de excelência, inculindo uma concepção de novas relações de trabalho, em que alunos indígenas, quilombolas, toda a diversidade cultural, possam conviver harmonicamente, compreendo  a compreensão efetiva de trabalharmos juntos, como o defendido por Yurval Harari, 2019.

Essa visão, traz princípios e valores que são balizadores de uma nova via para a universidade e para a própria vida de quem a frequenta e a respira no seu dia a dia, principalmente os seus técnicos administrativos, a partir da gestão das pessoas para a valorização da plenitude do ser humano.

Sinceramente, a proposta continua sendo a sensação de uma perspectiva de um Novo Espírito de Universidade, que inclua todas as disciplinas e profissões, dentro de um novo olhar sobre a vida, a cultura e da identidade que nos forma como indivíduos e coletividade, respeitando todos os elementos da natureza e produzindo uma era sustentável longe da hipocrisia do mercado e próxima de uma economia eficiente que ajude a salvar a Amazônia e o Planeta, como exigido nas marchas das sextas-feiras.

As questões que se colocam são: em que consiste essa nova visão ou espírito que podemos juntos trabalhar? Qual é a imagem projetada para o futuro? Quais os benefícios que pesquisas nesse sentido possam gerar?

Isto se refere à política administrativa e de planejamento que coloca o corpo de professores, de funcionários e de alunos como sujeitos importantíssimos dentro de um processo coletivo de construção que realmente dê as condições da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão, onde todos possam se envolver e mobilizar a sociedade para tal, sem mais parar.

Todos precisam ser os agentes que operacionalizarão esse triplé, complementando o funcionamento de uma nova mentalidade, que paradoxalmente pressupõe outra reforma: apenas as mentes reformadas poderão reformar o sistema educacional, pois o sistema educacional reformado poderá formar espíritos reformadores (Morin, adaptado por Rêgo Matos, 2019).

 

A nossa preocupação traz isso o estímulo às iniciativas que darão preferência às vocações sociais e culturais de cada cidade que atuamos, as quais podem ser polos de desenvolvimento sustentável, com estratégias de pesquisas nos diferentes ecossistemas onde se possa identificar a biodiversidade e os processos, incluindo os recursos minerais e naturais,que possam definir uma riqueza a ser trilhada, trazendo mais satisfação acadêmica e profissional, sem preconceitos, a partir do diálogo com a sociodiversidade, universalizando as oportunidades, despertando o espírito criativo e solidário da pesquisa e da extensão, para tirar do esgotamento mental nossos alunos, cansados de meras aulas teóricas sem  a devida prática.

Para que isto realmente ocorra e a universidade tenha sua Missão, Valores e Visão cumprida de forma objetiva, precisamos do apoio de todos os que querem olhar para dentro da realidade onde estamos inseridos, apontado a metamorfose, a alquimia, da UFOPA que se quer, sem perder a generosidade de sabermos a aprender a trabalharmos juntos.

Assim peço o voto dos docentes, antigos e novos para re-construir de forma coletiva a universidade que conduzirá a uma mentalidade capaz de enfrentar os problemas fundamentais e globais, como o apontado por Nobre, Ghost e o recém Sínodo, 2019, aportando definitivamente em nosso caráter de sermos nós mesmos para  contribuir com um mundo melhor.


* Jackson Rego é doutor em Políticas Públicas pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável/UnB, ex-coordenador de Extensão do INPA, ex-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais da UFAM, professor da Área de Conservação da Natureza e coordenador do Projeto Luz/Ufopa.

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Um comentário em: Ufopa 10 anos: de onde viemos, onde estamos e pra onde vamos? Por Jackson Matos

  • é o que dá criarem universidade nas coxas…com criterios mais politicos partidários que cientificos….

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