Jeso Carneiro

Proposta de uma nova orla para Santarém

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por David Marinho (*)

Santarém possui todas as características naturais para ser uma cidade bonita. A verdadeira “Pérola do Tapajós”. Mas, infelizmente, nossos gestores não conseguem manter nem a frente da cidade, nosso principal cartão postal”, limpa, cheirosa e agradável, para curtirmos as tardes prazerosas e as noites serenas.

Sempre deparamos com muita sujeira: peixes podres, fezes das embarcações, buracos, mau cheiro, vegetação agressiva ao ambiente. É o que restou de uma praia limpa e branquinha no passado, onde banhávamos.

Essa é a triste realidade.

Todos os gestores até agora se mostraram incapazes de reverter esse quadro. Proponho, então, uma mudança radical no aproveitamento desse espaço com um projeto arrojado e audacioso: fazer um aterro avançando mais para dentro do rio Tapajós, desde a frente do prédio da Receita Federal, direto ao galpão da Cargill, livrando-se apenas o Parque da Vera Paz, conforme layout anexo.

Cria-se, assim, um espaço que poderia ser otimizado para uma real e nobre utilização social e de infraestrutura. Sei que muitos ambientalistas e saudosistas se posicionarão contra, um direito que respeito. Mas tive essa ideia, e devo exteriorizá-la para apreciação dos leitores do blog. Pois muitos defendem o “status quo” desse logradouro, porém não vejo um movimento autêntico e de peso que force os governos investirem na revitalização e a manutenção ambiental de nossa orla.

Se esse meu projeto ganhasse simpatia e, quiçá, um dia fosse executado, afirmo que numa análise consciente de “custo x benefício”, que as vantagens seriam maiores para toda a população, e explico por que:

1º) Eliminaria-se essa sujeira crônica definitivamente – uma vergonha diante dos turistas que nos visitam;

2º) Ganharíamos uma enorme área para se implantar um grande projeto social, ambiental e de saneamento;

3º) Nesse espaço, poder-se-ia construir: uma Estação de Tratamento de Esgoto – ETE, para tratamento do esgoto da parte frontal da cidade, em conexão com um sistema de “emissários subfluvial”, jogando os efluentes mais distante da praia, e várias baterias de banheiros coletivos para os ocupantes das embarcações;

4º) Teríamos espaço para construir uma arena poliesportiva, uma grande área para eventos como desfiles cívicos, carnaval, parque de diversões (play center), circos e outros. Praças históricas resgatando nossos personagens ilustres do passado, arborização diversificadas de nossas espécies nativas, grandes estacionamentos para absorver a demanda de veículos que se dirigissem para a parte central da cidade, otimizando o trânsito;

5º) Eliminar-se-ia definitivamente os problemas dos alagamentos da avenida Tapajós;

6º) Na parte fluvial, pode-se construir várias marinas flutuantes de pequeno porte com rampas móveis e retráteis, para ancoragem das centenas de barcos de nossa região e melhor fiscalização pela Capitania.

Quanto à tecnologia para se construir em área alagada, já existe. Só compete contratar empresas idôneas e com capacidade para isso, pois no Japão e outros países da Ásia estão construindo verdadeiras cidades dentro do mar. A praia poderia ser deslocada, utilizando-se tratores “bulldozzer” que durante um grande verão empurrariam toda areia da atual praia para o limite da água na seca, formando uma grande trincheira provisória, que depois de feita a cortina de concreto armado do novo cais avançado.

Essa areia seria espalhada novamente na frente dessa estrutura, criando-se uma nova praia, apenas removida de seu antigo lugar e o próprio rio se encarregaria de ajustá-la a nova situação.

O aterro teria um custo baixo, pela abundância de material de algumas serras dentro da área urbana da cidade, que já estão em processo de desmonte e erosão. Mas seria necessário a implantação de filtros horizontais e verticais no maciço da área do aterro para que as águas surgentes e de subpressão, fossem direcionadas para galerias e poços de drenagem para seu posterior bombeamento, como nas “barragens de terra” das usinas hidrelétricas.

Esse projeto é possível se fazer, e Santarém ganharia uma nova e ampla orla, proporcionando à sua população uma grande opção de lazer, num novo espaço artificial, mas ainda integrado ao natural, na melhoria da qualidade de vida de um povo.

Porém, para a implantação desse projeto, deve-se ouvir a população, profissionais especialistas no assunto e as autoridades competentes para avaliação dos impactos ambientais. Mas reafirmo que não haverá desmatamento, apenas a eliminação da cena degradante de sujeira crônica em frente da nossa cidade.

A ideia está aí, juro que é fruto das melhores intenções, assim como outras que aqui já publiquei, pois sou santareno e gostaria de ver ainda em vida, minha cidade melhorada.

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* Santareno, é projetista e gestor ambiental. Escreve regularmente neste blog.

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