Paixão de 16 anos: Lila Bemerguy

Publicado em por em Arte

Lila Bemerguy, jornalista
Lila Bemerguy: auto-retrato em preto e branco, sua paixão

A partir de amanhã (29), o blog vai colocar no ar uma nova exposição fotográfica virtual. Desta vez, assinada pela jornalista e professora universitária Lila Bemerguy, 41 anos, dos quais 16 dedicados com paixão à fotografia.

Em entrevista ao blog (confira a íntegra abaixo), ela revela que os primeiros passos nessa seara artística foram dados em Belém, onde morava, através de Miguel Chikaoka, da Fotoativa. De 1995 para cá, não parou mais de clicar.

A exposição no blog tem um propósito: desvendar, através de seus registros, essa trajetória.

Os leitores terão a oportunidade de, em cerca de 15 fotos, uma a cada dia, acompanhar o trabalho realizado por Lila, nesses 16 anos. Todas as fotos serão em preto e branco, e ela revela a preferência:

– Sempre gostei dos contrastes de preto e branco provocados pela intensidade de como as coisas estão iluminadas. Às vezes uma réstia de luz, uma fresta, revela uma imagem emocionante.

Que tipo de reação a fotografia, qualquer fotografia, te provoca?

Lila Bemerguy: De pura paixão. É fascinante ver algo que está ali, fisicamente na foto, mas já passou, fez parte de outra hora, de outro tempo. Também sou apaixonada pelo tempo. Acho que as duas coisas se juntaram.

Essa reação vem desde quando?

Lila Bemerguy: Desde que fiz a oficina de fotografia da Fotoativa, em Belém, em 1995, e vi pela primeira vez uma fotografia em preto e branco surgindo, se revelando na bandeja do laboratório. O Miguel Chikaoka, que conduziu a oficina, tinha (e tem) um modo muito especial de orientar, sem interferir na nossa vontade, no nosso olhar. Só mostrava os caminhos, e a gente escolhia qual seguir.

Acreditas que a tua veia fotográfica está no teu DNA, já que teu avó, Vidal Bemerguy, também foi fotógrafo?

Lila Bemerguy: Acredito. Vidal era um homem sisudo, mas como avô era muito carinhoso. Ele nos dava papel fotográfico para brincar. Era só colocar um objeto sobre o papel e esperar no sol, pra aparecer o contorno. Minutos depois, queimava tudo, mas a mágica estava feita. Meu irmão, Emir Filho, também “herdou”.

O que mais te seduz: fotografia artística ou fotojornalismo?

Lila Bemerguy: Acho que no fotojornalismo existe arte também. Acredito que a arte é uma manifestação do que a pessoa é, do que sente. Por isso prefiro fotos mais autorais, aquelas que trazem a marca da pessoa, do fotógrafo, quase como uma assinatura. No dia a dia do fotojornalismo isso pode se perder, mas alguns fotógrafos conseguem manter sua marca sempre.

Santarém é um polo musical dos mais ricos da Amazônia, e na fotografia, qual a tua avaliação? Temos bons fotógrafos?

Lila Bemerguy: Temos excelentes. Em 2009 eu e a Tamara Saré organizamos um foto-varal com cerca de 30 pessoas, entre amadores e profissionais, e o resultado foi muito bom. Não dá pra citar nomes, senão não ia caber na entrevista. Podíamos ser mais unidos e promover mais coisas juntos. O Ádrio Dener tá organizando um fotoclube. Quem sabe esse é o caminho.

Rio azul, cristalino, céu azul na maior parte do ano, praias paradisíacas, Santarém parece ser um lugar fácil de se obter belos registros fotográficos, não achas? Ou muito pelo contrário? Ou ainda, Belém ou Santarém, onde é mais fácil registrar boas cenas fotográficas?

Lila Bemerguy: Bem, tenho uma opinião chata sobre essas cenas que são lindas de se ver. Resultam muitas vezes em fotografias pra guardar de lembrança, mas não em trabalhos originais. Como sempre busquei fotografar mais detalhes, o que está quase escondido sob a luz, penso que em Santarém, Belém, ou qualquer outro lugar, são essas pequenas coisas que “rendem” boas imagens.

As máquinas digitais se popularizam. Que tipo de consequência esse fenômeno causou na fotografia enquanto atividade artística?

Lila Bemerguy: Lá no fundo do coração, ainda sou analógica, principalmente no meu trabalho autoral. Mas sem dúvida, a fotografia digital facilita muito. Acho que o maior efeito é o alcance ao equipamento, que hoje é muito fácil. Enquanto atividade artística abriu possibilidades, novos formatos, novos suportes. Mas o que conta mesmo pra uma boa imagem continua sendo o olho do fotógrafo. Isso não tem equipamento que supere.

Por que fotografia em preto e branco te seduz tanto?

Lila Bemerguy: Pelo modo com que consegue capturar a luz. Sempre gostei dos contrastes de preto e branco provocados pela intensidade de como as coisas estão iluminadas. Às vezes uma réstia de luz, uma fresta, revela uma imagem emocionante. As cores são lindas, admiro demais os fotógrafos que conseguem trabalhar com elas. Mas o PB [preto e branco] é como vejo melhor o mundo.


Publicado por:

13 Responses to Paixão de 16 anos: Lila Bemerguy

  • Ainda nao tive o prazer de conhcer tua arte fotográfica, Lila. Mas a vida me ensejou um aprazimento ainda maior: conhecer e conviver com teu pai, Emir Bemerguy. Acerca dele, escrevi esta crônica, que gostaria que lesses.

    Santarém sem Emir Bemerguy

    NO DIA 13 DE NOVEMBRO de 2012, Santarém perdia Emir Bemerguy, homem público assíduo no dia a dia mocorongo. Mas o desaparecimento do grande poeta e cronista afigurou-se, ao menos naquele momento, até irreal, como se um vulto do seu quilate pudesse perenizar-se na cidade. Que ficou parecendo incapaz de entender ou aceitar sua ausência.
    A transitoriedade da vida é uma realidade inexo-rável. Ninguém vem ao mundo para ser eterno. Mas, no caso de Emir, a gente quase incorre no devaneio de ima-giná-lo excluído da efemeridade neste vale de lágrimas. Aquele vulto delgado, sisudo, com o bigodinho bem aparado, conhecido de todos, passando apressado para os seus afazeres, parecemos ainda ver pelas ruas da cidade desde sempre sua paixão.
    O eterno amante de Santarém era um dínamo, homem on the move. Reduplicava sua assiduidade em atividades díspares: no rádio, na igreja, no jornalismo, no magistério, na literatura, na odontologia, na pesca com seu Marçal, nas palestras, nas ações comunitárias e em muito mais. Era em rigor onipresente na Pérola do Tapajós.
    Conheci pessoalmente Emir em 1981. Recém-graduado e morando em Belém, estive na residência do poeta à procura de um exemplar de Tupaiulândia. En-contrei-o ali com Isoca. Ambos humildes e atenciosos, conversamos por um bom tempo, eles particularmente interessados na rotina universitária de um acadêmico de Letras. Mais tarde, chegamos a trocar correspondência.
    Pouco antes de sua morte, pude revê-lo na casa onde morava. A porta entreaberta e ele a olhar a rua, fra-gilizado, mas lúcido ainda. Me reconheceu. Cumpri-mentamo-nos como na noite em que me incentivou na Academia de Letras. Eu ali homenageado pela edição das minhas Histórias Agrestes do Lago Grande.
    Depois desse encontro, fiquei flanando meio à toa, sem rumo e sem propósito, pelas ruas do Centro, tentando reconhecer resquícios da minha Santarém dos anos 60 e 70. Dos prédios ainda preservados, das resi-dências antigas, dos moradores desses tempos: Dr. Eve-raldo Martins, Dr. Aluísio Melo, Isoca, Dororó, Chico Coimbra, Laudelino Silva, Zeca BBC, Raul Loureiro, Metri Nicolau e os demais. Desses e de outros vultos mocorongos, Emir era um dos poucos remanescentes.
    Desci a Floriano Peixoto e sentei-me num banco da Praça Rodrigues dos Santos. A mesma praça onde, numa tarde de dezembro de 1973, me peguei imerso em melancolia devoradora. Eu me despedia da cidade, a um dia de viajar para a aventura do vestibular em Belém.
    Fiquei ali em frente ao Mercado Modelo, a olhar as coisas ao redor, que nem um menino em desespero, querendo apegar-me a um liame qualquer que me pren-desse à cidade, não me deixasse partir. Sensação que hoje imagino comparativamente igual à aflição imaginária de um Emir Bemerguy prestes a deixar para sempre sua eterna namorada, a Pérola do Tapajós.

    Jairo Linhares, Belém, 09. 05. 2023

  • Olá Lila! Tudo bem? Sou amigo do Lino Tucunduva. Estou tentando contato com ele. Servimos na Força Aérea. Por favor passe meu e-mail pra ele. Pode ser?
    Meu e-mail meirelesfoto@yahoo.com.br
    .
    Obrigado e um abraço.

  • Lila boa tarde a arte de fotografar é uma das minhas paixões também, parabens pelo trabalho, gostaria de deixar meu comentário sobre o projeto que ora desejo desenvolver ai em Santarém em 2013, trabalho de exposição de telas com o objetivo de transmitir em cores e formas as obras de nossos grandes poetas e músicos como exemplo é teu pai, o nosso maior decano das letras sem contar também e sem esquecer de outros grandes nomes que formam esta pleiade de artistas nato de nossa querida terra,Para isto precisava da permissão mostrar o projeto o mesmo não tem fins lucrativos só sentimentais,grato pela atenção e por tuas fotos produto de um olhar aguçado e sensivel.

  • Lila, sabes que sou fã de tuas fotografias em preto e branco. Tive a sorte de acompanhar de perto tua trajetória. Parabéns mais uma vez.

    1. Olá, prima! Sou o escritor, Menassé Bemerguy ( filho de Isaac Peres Bemerguy) e no meu livro que escrevi sobre a nossa família , Bemerguy, intitulado: Meuã sem blasé : a saga do povo judeu, tem uma crônica que escrevi sobre uma fotografia do meu pai que resgatei depois de 75 anos, pois essa foto foi tirada no tempo da segunda guerra , em 1945 , em Forlândia , próximo de Santarém. E narra como essa fotogragia chegou nas minhas mãos. Meu email é: menassebemerguy2016@gmail.com

  • Muito bom saber de seu rico e criativo entusiasmo fotográfico. Parabéns nessa interminável jornada. Abs

  • Lila, irmã e agora “comadre”. Parabens pela sua arte.
    Do “comprade”, Vidal Bemerguy.

  • GATA DE 41 ANOS MAS C/ CARA DE 20 ANINHOS! É GENÉTICA, HÁBITOS SAUDÁVEIS, CIRURGIAS-PLÁSTICAS OU TUDO JUNTO????

    BOA ENTREVISTA LIGHT E INTERESSANTE,JESO! MEU HOBBIE PREFERIDO TBM É FOTOGRAFAR.

    PARABÉNS!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *