Espero no fim do mês

Uma brisa quente invadiu o meu corpo
Denunciando quiçá o seguir da rotina
Ninguém a mais que esse tempo oco
A fazer-me as honras nessa triste sina
Eu sempre te espero nunca te procuro
Dessa vez eu juro não vou te esperar aqui
Vou matar algumas horas ficar só é duro
Com sede e no escuro não dá pra dormir

Mais um dia talvez
Morto por completo
Sou um grão no deserto
Não sou mais burguês
Tua ausência é voraz
O teu cheiro apraz
Te espero no fim do mês

É certo que esteja alegrando outros leitos
Isso não é defeito se foi sempre assim
Mas se for enfim nem tudo é perfeito
E sempre tem um jeito de adiar o fim
Foi pensando assim que eu matei a morte
Eu olhei pro norte vi teu zíper se abrindo
Tuas roupas caindo eu vendo tudo negro
Fim do tempo seco a chuva me invadindo

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De Neco Ney, poeta e compositor paraense de Santarém. Reside atualmente em Brasília.

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