Gema

Boca ianomâmi em pele de Iracema,
Olhos fitando o mais distante Oriente.
Que a noite presa em teu cabelo oriente
Meu caminhar nas matas do poema.

Colo de Ci, Segredo da Jurema;
Mar do Japão co’o rio Guamá de afluente.
Giras o globo assim tão de repente,
Que espaço e tempo e luz são só uma gema.

E, assim, nações afloram de teu seio
Em leite e mel e gelo e fogo e ideia
Num Big Bang de volúpia ateia.

Mãe da Beleza, espreitas o caos feio,
E o teu sorriso lindo o atinge em cheio,
Fazendo em cacos a infeliz Pangeia.

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De Orivaldo Fonseca, poeta paraense de Belém.

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