por José Baldino Vasconcelos (*)
“A boa administração é mais do que tudo uma questão de amor…pois a própria administração envolve tomar conta das pessoas, e não manipulá-las.”
“O amor é sempre o início do conhecimento, tal como o fogo é o princípio da luz.”
Quando foi a última vez que você ouviu a palavra amor em seu lugar de trabalho? O amor raramente é usado na mesma sentença com as palavras negócios ou administração. Diga a palavra amor num encontro de negócios e os olhos ficarão embaçados ou as pessoas tratarão o assunto como uma brincadeira. É difícil encontrar a palavra amor em manuais de planos de ação de empresas ou em textos de administração. As que aparecem não representam o amor em sua totalidade.
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Por que esta palavra – amor – está ausente do mundo empresarial? Como seria se amássemos nossos subordinados, nossos chefes e nossos colegas como amamos a nós mesmos? Isso significaria que não poderíamos magoá-los intencionalmente ou tratá-los injustamente; agiríamos com dignidade e respeito.
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Esses são alguns dos blocos de construção de um sistema saudável e próspero. Se você trata todas as pessoas com as quais trabalha da mesma forma que gostaria de ser tratado, então, de fato, você está agindo pela Sabedoria do Amor. E se todos os executivos e administradores de organizações fossem guiados por esse princípio nas decisões que tomam, então poderíamos dizer que a organização traz a espiritualidade como parte de seu alicerce.
Os administradores são impelidos a uma mentalidade agressiva, e, ao mesmo tempo, esperam desenvolver equipes de alto desempenho, que precisam receber poderes delegados, ser atendidas e ter suas necessidades sociais preenchidas, a fim de alcançar os níveis de atuação desejados. Os realizadores de vanguarda descrevem sua disposição de ânimo como cheia de energia, entusiasmada, concentrada e confiante, e assim por diante.
Eles dizem que essas características são resultados de um compromisso de sua parte, bem como do desafio e do sentimento de um objetivo a ser alcançado. Essas qualidades positivas raramente são encontradas em grupos de trabalho baseados em objetivos egoístas e que buscam o engrandecimento pessoal, ou em ambientes de desconfiança, suspeita e intriga.
Organizações que exigem um alto compromisso por parte dos trabalhadores só podem consegui-lo se valorizarem sinceramente as contribuições dos mesmos e criarem uma atmosfera confiante. Essas atitudes fazem parte do conjunto de comportamentos amorosos. Elas representam a Sabedoria do Amor em ação.
Sem amor, não pode haver sentimento de comunidade. Administradores envolvidos principalmente com seu próprio bem estar, com a satisfação de suas próprias necessidades, não poderão ser administradores destacados e tampouco criarão uma organização de destaque. Para conseguir sucesso prolongado, os administradores precisam, sinceramente, cuidar das necessidades dos outros, ajudando-os de formas desinteressadas, de formas que afirmem a comunidade.
Com esta disposição de espírito, o grande problema de um diretor executivo de sucesso seria: “se você não está criando a comunidade, você não está administrando”.
Um resultado positivo de se seguir as leis espirituais é ver o sucesso em termos mais amplos do que simplesmente um aumento nos lucros. É importante enfatizar que seguir as leis espirituais apenas com esperança de se tornar mais rentável rompe com a lei da pureza de intenções que tende a neutralizar os efeitos do esforço.
O amor aumenta não apenas o bem-estar econômico, mas também quase todos os outros elementos da existência social. Isso cria uma tremenda reserva de capital social, a capacidade das pessoas em subordinar seus interesses individuais e trabalharem juntas, em grupo, por propósitos comuns. Sem amor, não pode haver compromisso de grupo e, por conseguinte, não pode haver capital social.
Os consultores administrativos são tão culpados quanto qualquer um. Entram nas organizações com suas fórmulas, estratégias e informações esmagadoras. Sem amor, esses instrumentos não podem ser usados sem seu potencial máximo e podem até causar prejuízos. Uma organização sem amor traz consigo o egoísmo, a luta política, o ciúme mesquinho, as mentiras e a desconfiança.
De que serve o sistema de informação mais avançado se ele é usado para esconder fatos de certos grupos, proporcionar vantagens para algumas pessoas em detrimento de outras ou transmitir uma idéia falsa da realidade para os empregados?
E até que ponto ainda é útil um outro programa de treinamento administrativo a respeito de comunicação, diversidade e atribuição de poderes se ele apenas se junta ao repertório de manipulações do administrador? “Só a bondade fundamental dá vida à técnica”.
Algumas organizações, acreditando que estão afinal no caminho certo, instituem programas de espiritualidade ou de formação de comunidade apenas para cair no vazio. É verdade que a espiritualidade não funcionará se for tudo, menos autêntica, e se não mexer com os valores essenciais da organização. As pessoas não são estúpidas. Essas pessoas percebem intenções que não são puras, ou programas que foram projetados para fazê-las eficientes sem alterar quaisquer injustiças estruturais ou aperfeiçoar a comunicação honesta.
Isso as tornam ressentidas, irritadas e alienadas. Depois de algum tempo, a administração percebe que existem novos problemas (na verdade, apenas os mesmos, só que revisitados) e requer outro programa. Assim os trabalhadores tornam-se cada vez mais cínicos.
Pode uma organização ser espiritual? Se os seus membros trabalham pelo desenvolvimento coletivo das virtudes e trabalham com as “visões corretas, as aspirações corretas”, e assim por diante, essa organização é, de fato, espiritual? Talvez…neste momento.
O desenvolvimento espiritual está em contínuo processo, está sempre em movimento. Nunca podemos dizer que já alcançamos. Uma determinação de que a empresa A é espiritual não tem sentido. Tudo o que podemos admitir é que neste momento, a Empresa A se encontra na trajetória espiritual e que tem adotado alguns processos ou programas baseados no desenvolvimento de certas virtudes.
Não se concede “prêmios de espiritualidade” para empresas. Podemos observar o esforço das organizações em busca de crescimento neste caminho. Qualquer um ou qualquer organização não só pode como irá recair. A questão, no entanto, não é ser desencorajado, mas uma vez mais ir adiante. Não é onde você está o que conta, mas sim se você está se movendo para a frente.
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* Santareno, é é educador holístico e aposentado.
É a chave para todos os mistérios da vida: o AMOR, pena é que pessoas foquem mais a parte material – a consciência de 99,99% dos que ocupam cargos no Executivo, Judiciário, Legistativo, Empresarial, etc.. é o próprio bolso – em detrimento da vida espiritual.
Bravo, Mestre Baldino, sua concepção atingiu o alvo, parabéns pela lucidez e pelo vosso grau espiritual, assino embaixo também, meu dileto, eclético e détetico Amigo.
Sérgio Campos
Você é muito feliz quando relaciona amor e espiritualidade, pois um é a essência do outro. E acrescento a necessidade da busca do auto-conhecimento, para podermos viver conectados com o que realmente somos, e não com que pensamos que somos. Claro que isso passa pelas nossas crenças,etc. Finalmente precisamos refletir com profundidade sobre se somos “seres humanos com experiências espirituais, ou seres espirituais com experiências humanas”. QUEM SABE PODE MUITO, QUEM AMA PODE MAIS!!!!!!!
– “Como seria se amássemos nossos subordinados, nossos chefes e nossos colegas como amamos a nós mesmos? Isso significaria que não poderíamos magoá-los intencionalmente ou tratá-los injustamente; agiríamos com dignidade e respeito.”..
Grande Baldino, meu amigo do coração.