Jeso Carneiro

A mídia e o plebiscito

por Eduardo Dourado (*)

Só agora, após eleição, o que eu vejo todos os dias são veículos de comunicação fazendo entrevistas com membros da frente pró-Tapajós. Eles querer mostrar, SÓ AGORA, que estão juntos do povo. E por que não tiveram essa mesma postura antes do plebiscito?

Antes era muito necessária a presença de rádio e televisão para esclarecer alguns pontos que fizeram falta no momento da eleição.

Esclarecimentos que não podiam ser feitos no formato de publicidade nos programas eleitorais. Os veículos deveriam ter promovido essas mesas redondas na época, que mais interessava. E já que tinha a presença de muitos jornalistas na frente pró-Tapajós, deveriam escrever artigos esclarecedores ao povo de Belém e, se preciso fosse, deviam comprar espaços nos jornais impressos da capital. Seriam informes publicitários contando a história do porquê do desejo de ser estado.

Agora querer que o Duda contasse essa história, só se ele ocupasse todo o tempo dos programas eleitorais, ação que não daria certo, pois ficariam faltando outros pontos também necessários para eleição. Essa história teria que ser contada pelos jornalistas, mas os de verdade, os comprometidos com a informação e com a sociedade.

E por que os veículos de comunicação não se posicionaram antes? Ficaram com medo de perder verbas publicitárias do Estado e de empresas da capital? Tudo bem. Cada um defende o seu ponto de vi$ta como acha que deve. Nada contra. Mas sejam mais sutis, não grosseiros, achando que todo mundo é bronco e que vocês, por serem jornalistas, são os únicos “inteligentes”.

E por que os jornalistas não mostraram os dois lados da questão? Por que seguiram rezando nas cartilhas dos patrões? Medo e falta de profissionalismo se misturam nesse caminho. Eu entendo que precisam do emprego, mas ainda assim não concordo com a postura.

O prejuízo causado pela omissão dos veículos de comunicação do pretenso estado do Tapajós foi muito grande e deve ser pago, e muito bem pago, ajudando o povo dessa região a ser mais feliz e a ter mais consciência, coisa que a mídia pode muito bem fazer através das campanhas de responsabilidade social.

Eu espero que funcionários desses veículos de comunicação não se ofendam, achando que falo diretamente com eles, como aconteceu há bem pouco tempo no Facebook. Falo isso só para que o jornalismo em Santarém não caia na armadilha de achar que deve apenas noticiar fatos de interesse dos seus patrões, sem ouvir os dois lados e ainda fingindo que isso é jornalismo.

Jornalismo vai muito além de impostação de voz e um terninho. Mas saber disso é adotar uma postura realmente responsável vai da consciência de cada um no que diz respeito ao seu papel enquanto formador de opinião.

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