Jeso Carneiro

Cadê o asfalto, prefeita?

por Evaldo Viana (*)

A malha viária da zona urbana de Santarém tem em torno de 570 quilômetros de ruas e vias públicas. Desse total, apenas 165 km são pavimentadas. Pessimamente pavimentadas. Mais de 500 km são fontes permanentes de poeira, buracos, lama e matagal que entristecem, atormentam e infernizam a vida do povo santareno.

A atual prefeita de Santarém, talvez a gestora municipal que proporcionalmente menos tenha pavimentado e recuperado ruas entre os últimos gestores, tem alegado repetidas vezes que não pavimenta as ruas da cidade porque a prefeitura não dispõe de recursos.

Verdade também que já alegou a falta de asfalto e até mesmo de empresas capacitadas para o trabalho.

A sra. prefeita pode alegar ou se desculpar lançando mão de qualquer argumento, menos o de que lhe faltaram recursos nos últimos 6 anos.

Desde o início do governo Maria do Carmo, em janeiro de 2005 a agosto de 2010, o montante de recursos, que ingressou nos cofres da prefeitura, devidamente corrigidos pelo IGP-M -Índice Geral de Preços- foi de R$ 1.278.356.053,27 (um bilhão, duzentos e setenta e oito milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil, cinqüenta e três reais e vinte e sete centavos).

Desse total, R$ 286,46 milhões foram destinados a área de saúde, R$ 434,19 milhões a educação e R$ 557,35 milhões o volume de recursos destinados às demais áreas, excluídas educação e saúde.

É razoável supor que, após a área da Educação e Saúde, a função Infraestrutura seja a mais importante e a que requer, ou deveria, despertar, mais atenção por parte da prefeita Maria do Carmo.

Se ao longo desses últimos 6 anos a senhora Maria do Carmo tivesse destinado dos R$ 557,35 milhões apenas 20% para a pavimentação de ruas, o que representaria mais de R$ 100 milhões, teria sido possível pavimentar, ao custo médio de R$ 500.000,00 por quilômetro linear, algo em torno de 200 Km da malha viária da cidade de Santarém.

E o que fez a prefeita ao longo desse período?

Lamentavelmente, esse infeliz governo não pavimentou sequer 40 km de ruas, mesmo isso tendo recebido recursos do governo federal para essa finalidade. E, diga-se de passagem, que as ruas pavimentadas foram invariavelmente com asfalto de péssima qualidade.

E um dado específico das ações de pavimentação do governo Maria do Carmo é que só asfalta em ano eleitoral e próximo das eleições. Fois assim em 2006, 2008. E 2010?

Bom, esse ano, por razões desconhecidas, a prefeita não lançou o Projeto Tape Ação.

E o que fez então o governo Maria do Carmo com a montanha de recursos que ingressou nos cofres da prefeitura?

A resposta, ou uma delas, pode ser encontrada na folha de pagamento da prefeitura, que no final do governo do prefeito somava R$ 5,35 milhões e em 2009 já ultrapassava os R$ 135,12 milhões.

Eis aí o triste quadro de um povo que tem no governo uma dirigente carente tanto de bom senso quanto de responsabilidade.

A conseqüência, infelizmente, é que o povo continuará sofrendo com a poeira, os buracos, matagais e lama.

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* Servidor público federal, é articulista deste blog.

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