por Apolinário (*)
Saudoso Luis Araújo,
Sei que, na medida em que podias, você ia muito bem pelo inferno aqui da Terra. Era só uma questão de cabeça, muito embora você não fosse mais cabeçudo do que aquele da família Dias, a maior de Alenquer.
Parece loucura escrever uma carta para alguém que já morreu. Pior são aqueles que fazem até festa e pedem proteção de gente que morreu há mais de 1990, como por exemplo Maria De Nazaré, Jesus Cristo, Santa Clara, São Lázaro, São Judas Tadeu e outros do além. Imaginando isso tomei a decisão de te escrever esta.
Tudo que os Novelinos desejaram, fizeram com você. Por sorte, não te aplicaram o latrocínio e formação de quadrilha. Nem uma testemunha te comprometeu como a polícia queria e a banda podre da imprensa ainda vende.
Depois das duas últimas vezes que você falou, anunciando da ameaça de morte que vinha sofrendo, aos poucos foi se modificando os planos dos que circulavam com o objetivo de matar o bando todo, e sua cabeça já valia 250 mil dentro da cadeia. E só não rolou mais rápido, porque os contratantes exigiam métodos difíceis de serem executados por qualquer um, e seus companheiros de pavilhão eram desqualificados para tal.
Foi necessário, então, contratarem intelectuais do crime, figuras que trabalham há muito tempo com os Novelinos para dar início ao projeto de assassinar você, Chico Ferreira e Sebastião Cardiais.
Tudo foi acontecendo muito rápido, enquanto eu calculava que te matariam por último, você já tinha sido transferido e estava voltando pra casa morto.
Os 4 milhões que era a divida, e que causou um grande barulho dentro da imaginação tremida, agora já era fichinha diante da quantia que os Novelinos pretendem gastar para executar Chico Ferreira, Sebastião Cardiais e José Marroquin, que em breve também serão noticia funesta.
Até agora a polícia que sabe mais, ganha muito e tem a senha dos Novelinos continua trocando de carro, melhorando o guarda-roupa e abastecendo nas bombas do principais postos de gasolina em Belém.
O entra e sai de deputados, secretários, assessores e outros acionistas do crime organizado e endinheirados do Pará aumenta a todo momento, na sala do juiz do caso, Dr Moises Flexa, sempre a serviço do Sr. Ubiratan Novelino, pai dos finados Ubiraci e Uiraquitan.
Falando nisso, devo te informar Luis Araújo, que a carta que você escreveu pedindo socorro pro Megale, não o comoveu nenhum pouco, pois além de estar no time de cima é típico dele abandonar os velhos companheiros nos momentos difíceis.
Agora a coisa fiou mais simples, o dinheiro do PT, orçado para campanha de reeleição da governadora Ana Julia, não precisa mais de guia para circular no escuro.
Você se lembra dos últimos dias aqui no inferno, quando ainda estava na ativa e comentava no rádio a respeito do golpe dos falsos japoneses?
Você sabe quem pintou o cabelo do galego da Praça da Sé? Não foi o Wilmar Freire e nem o Jader Barbalho.
O resultado das investigações só veio sair agora, depois que você estar no céu e não pode interagir com os seres do inferno material.
Mas olha, foi muito engraçado, a elite da polícia belenense descobriu que todo aquele cabelo do galego era peruca e os japoneses eram índios falando japonês.
A propósito Luiz, como é ai?
No lugar de tesão, paixão, amor, fantasias, desejos, cobiças, raiva, medo, fome e sede a gente sente o quê?
Da pra falar fácil com Deus? Precisa ter padrinho para ser salvo? Servem peixe no almoço?
Me desculpa é que lembrei do dia em que comemos aquela caldeirada de Gurijuba, e na conversa você me disse que a parte mais interessante do ser humano e aquela que não presta, por que a boa é muito óbvia.
Termino aqui lamentando terem matado você primeiro, e pode ficar a vontade se quiseres me dar alguma informação a respeito do caso em sonho.
Por favor, descanse em paz, com um forte abraço do seu amigo artista Apolinário.
Obs: Luiz , a concha da caldeirada era de zinco e não de alumínio.
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* É artista plástico santareno. Escreve regularmente neste blog.