por Helvecio Santos (*)
Estive por 22 dias em outubro e por 10 dias em janeiro p.p. na nossa ex-Pérola do Tapajós e, como fiz no início dos dois períodos do governo anterior, tomo liberdade e ofereço minha humilde colaboração. Espero que aceite!
À vista do estado de degradação, “nunca antes na história” desta cidade, um prefeito encontrou condições tão favoráveis para deixar marcas positivas nos anais santarenos.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Qualquer coisa que se faça já será muito!
Ao mesmo tempo, colocar a cidade no que, minimamente se pode dizer, condições de respeito aos cidadãos, é uma tarefa hercúlea. Para todo lado há carência!
Se as mazelas vividas e suportadas pela população saltam aos olhos de alguém que passa normalmente uma média de 20 dias por ano em Santarém, muito mais saltará aos seus olhos, que está mais presente na ex-Pérola, mesmo que em uma constante ponte aérea Santarém/Belém, por força de seu anterior mandato político.
O que me autoriza a escrever a presente e outras de igual teor, é que mesmo por 42 anos ausente, este tempo não foi capaz de arrefecer a amor que sinto por essa cidade. Ao contrário, o tempo dá mais vigor ao sentimento, o que aumenta, em igual proporção, o sofrimento por tanta maldade a esse berço que a todos acolhe com amor.
Sugerirei ações que demandam somente vontade política ou poucos recursos e para que V.Exa. colha os frutos políticos, devem ser executadas no máximo nos dois primeiros anos.
CALÇADAS LIVRES – as calçadas devem ser disponibilizadas aos pedestres.
Ação: primeiramente uma campanha nos meios de comunicação fixando um prazo. Passada esta fase, mercadoria exposta, extensão de comércio, construção avançada, ou melhor: qualquer empecilho ao livre trânsito dos pedestres na calçada, provisório ou permanente, se for mercadoria, será apreendida e liberada após pagamento de multa e apresentação de nota fiscal e se for construção de qualquer tipo, a mesma será demolida.
CAMELÔS – é urgente a retirada dos camelôs de todos os lugares públicos. A cidade precisa respirar. Dizer que é um problema social é balela. Camelô é uma esperteza dos comerciantes que pagam um só alvará e possuem vários pontos de venda. No final do dia é só olhar para onde vai o estoque do camelô.
Ação: a Prefeitura disponibilizará uma assessoria para formalizar sociedades comerciais entre os camelôs, num prazo, por exemplo de 60 dias, dispensando a taxa de alvará por um período. Findo esse prazo toda mercadoria exposta nas ruas, será apreendida e devolvida ao dono mediante nota fiscal.
BENS ABANDONADOS – primeiramente uma campanha nos meios de comunicação fixando um prazo. As ruas precisam ser liberadas de todo empecilho.
Ação: carros velhos; carrinhos de estiva presos por correntes em árvores, em postes ou outros; caixotes e tudo o mais que estiver nas ruas e não for móvel público, será recolhido. A devolução se dará mediante documentação hábil, com prazo para retirada. Esgotado o prazo os mesmos serão destruídos.
VENDEDORES DE PERECÍVEIS – vendedores de prato feito, churrasquinho, pipoqueiros, pizzaiolos, refresqueiros etc no cais e outros lugares. É um comércio que atenta contra a saúde dos consumidores, é um risco físico a utilização de braseiros ou botijões de gás, além da sujeira que promovem onde se instalam.
Ação: disciplinar o que pode e o que não pode ser comercializado. Como exemplo do que pode: água em copo e garrafas pet, água de coco e similares. Os que não podem, se insistirem, terão inutilizados o material perecível vencido e o não vencido será encaminhado para instituições de caridade. Os utensílios utilizados serão apreendidos e liberados após prova de propriedade.Decorrido o prazo sem retirada, serão inutilizados.
BARCOS – proibição total dos barcos em frente à cidade.
Ação: as balsas utilizadas como embarcadouro em frente à Praça Tiradentes, serão deslocadas para o final da cidade lá pras bandas do Maicá e o péssimo serviço que é oferecido em frente à cidade, na Tiradentes, será oferecido lá, até que o sonhado Terminal Fluvial fique pronto.
Retirada dos vergalhões de engate dos cabos dos barcos de toda extensão do cais.
AREIA LISA E TRAVES – com a retirada dos barcos não haverá mais buracos de lama nas praias e diminuirá consideravelmente a sujeira.
Ação: a praia deverá ser alisada (com trator) e ao longo dela colocados postes para prática de vôlei, futevôlei e traves para futebol.
PLACAS DAS LOJAS/OUTDOORS – a cidade está escondida e feia também por obra deste material.
Ação: as placas serão fixadas paralelas ao imóvel. O tamanho das placas será padronizado proporcionalmente ao tamanho do comércio.
Os out doors serão retirados de todos os lugares públicos.
CICLOVIAS – as bicicletas são um meio de transporte barato e limpo.
Ação: criação em todas as principais ruas de faixa para ciclista demarcada com tachas em altura suficiente que impeça a sua invasão por carros. Paralela ao cais, construção de ciclovia aproveitando a aba interna (que dá para a Tapajós). Além da ciclovia, haverá um ganho extra por finalmente desaparecer a vista do esgoto ali existente.
PATROCÍNIO AO FUTEBOL – não haverá patrocínio direto a clubes de futebol. Ação: abertura de postos de recebimento de garrafas pets que serão trocadas por ingressos de jogos de futebol. O dinheiro dos ingressos será repassado aos clubes (da cidade) participantes da campanha, que se obrigariam em contrapartida a ceder sua marca e seus atletas para campanhas de incentivo ao esporte e à limpeza da cidade.
NIVELAMENTO DAS CALÇADAS – é vergonhoso o desnível de nossas calçadas.
Ação: definindo-se a altura ideal, formalização de parceria com os proprietários, entrando a Prefeitura com a mão de obra – contratando-se preferencialmente pedreiros do bairro em obra – e o proprietário com o material.
ARBORIZAÇÃO – a cidade é uma das mais quentes que conheço e, ressalto, já teve um clima agradável.
Ação: plantio de mudas nativas em todas as principais ruas e incentivo ao plantio nas residências, fornecendo-se mudas. Plantio de mudas nativas intervaladas em toda extensão do cais, construindo-se baias avançando sobre a areia e colocação de bancos sob as mesmas.
Campanha de incentivo ao ajardinamento na frente das casas com contrapartida no IPTU.
PRAÇA TIRADENTES – é vergonhoso seu estado.
Ação: retirada de todas as construções particulares e mobiliário público.
Reconstrução da praça com a construção de uma quadra de esportes, um rinque de patinação, um parquinho para crianças e um centro de convivência para idosos (com mesas para jogos de carta e damas e aparelhos de ginástica), obrigatoriamente. Manutenção de todas as árvores existentes e plantação de novas. Ajardinamento, passeio e bancos.
Sobre esta última sugestão, pode-se dizer que Santarém não tem lugar público para idoso, o mesmo podendo-se afirmar para crianças. Aliás, perdoe-me a franqueza Prefeito, mas a profusão de bares e biroscas me leva a crer que a grande diversão colocada à disposição do povo santareno é a bebida. Ou não?
Finalizo com o otimismo de todo começo e, sem querer provocar, desejo-lhe um mandato TAPAJOARAMENTE AZUL.
Com o apreço de sempre, respeitosamente,
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
* Santareno, é economista e advogado. Reside no Rio de Janeiro. Escreve regularmente neste blog.