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	Comentários sobre: Cinema, que cinema?	</title>
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	<description>Fatos e opiniões - Amazônia e Brasil. O portal Jeso Carneiro mostra o melhor conteúdo sobre o que acontece na Amazônia, Pará, Brasil e no mundo.</description>
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		<title>
		Por: marth uchôa		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21845</link>

		<dc:creator><![CDATA[marth uchôa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 03:54:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá, sou gerente do Cinema Lucio Mauro desde 2005. Quando assumi o cinema de Altamira era um elefante branco para o municipio pois não tinha publico e praticamente só haviam sessões nos finais de semana. Demoramos pelo menos 1 ano e meio para conseguir criar um publico cativo e que estivesse em todos os lançamentos que faziamos. Criar um comportamento numa sociedade não é facil, mas o lance foi fazer muita midia de diversas abrangencias, ampliar o numero de distribuidoras cadastradas e exibir sempre os titulos que estivessem maior apelo nos grandes multiplex. Por muito pouco o cinema não fechou, mas agora estamos caminhando para adaptar a sala para ser digital com projeção 3D.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, sou gerente do Cinema Lucio Mauro desde 2005. Quando assumi o cinema de Altamira era um elefante branco para o municipio pois não tinha publico e praticamente só haviam sessões nos finais de semana. Demoramos pelo menos 1 ano e meio para conseguir criar um publico cativo e que estivesse em todos os lançamentos que faziamos. Criar um comportamento numa sociedade não é facil, mas o lance foi fazer muita midia de diversas abrangencias, ampliar o numero de distribuidoras cadastradas e exibir sempre os titulos que estivessem maior apelo nos grandes multiplex. Por muito pouco o cinema não fechou, mas agora estamos caminhando para adaptar a sala para ser digital com projeção 3D.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Jeso Carneiro		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21844</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jeso Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 17:28:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21843&quot;&gt;Alexandre Pedroso&lt;/a&gt;.

O que eu sei que existe é o Hotel Barrudada, que planeja reavivar a sua sala de cinema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21843">Alexandre Pedroso</a>.</p>
<p>O que eu sei que existe é o Hotel Barrudada, que planeja reavivar a sua sala de cinema.</p>
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		<title>
		Por: Alexandre Pedroso		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21843</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alexandre Pedroso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 15:50:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jeso sabe informar se já existi algum projeto de cinema para Santarém? Um amigo meu falou que existi...mas não acreditei.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jeso sabe informar se já existi algum projeto de cinema para Santarém? Um amigo meu falou que existi&#8230;mas não acreditei.</p>
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		<title>
		Por: Pascoale		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21842</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pascoale]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 12:44:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21811&quot;&gt;Stefane Brito(conhecidencia hem?)&lt;/a&gt;.

PONTUAÇÃO: 10]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21811">Stefane Brito(conhecidencia hem?)</a>.</p>
<p>PONTUAÇÃO: 10</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Horácio Betcel		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21841</link>

		<dc:creator><![CDATA[Horácio Betcel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 06:19:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá Gil Serique,

Interessante e criativo seu comentário.
Não posso acreditar que uma cidade com + de 250 mil habitantes e com um povo com um bom nível cultural como Santarém não tenha cinema por falta de público e vice versa.

Saudações Mocorongas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Gil Serique,</p>
<p>Interessante e criativo seu comentário.<br />
Não posso acreditar que uma cidade com + de 250 mil habitantes e com um povo com um bom nível cultural como Santarém não tenha cinema por falta de público e vice versa.</p>
<p>Saudações Mocorongas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: R.Crítico		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21840</link>

		<dc:creator><![CDATA[R.Crítico]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 22:47:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O cinema de ALTAMIRA é tudo de bom!!!!!! A Prefeita de Altamira, Odileida Sampaio (PSDB), está de parabéns, pois o cinema só traz os melhores lançamentos.
Infelizmente a prefeita de Santarém, Maria do carmo (PT), não cuida de manter nem a cidade livre das sujeiras e das crateras em plenas vias públicas, quem dirá construir um cinema, enquanto que o telhado do hospital municipal tá caindo em cima da cabeça das pessoas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema de ALTAMIRA é tudo de bom!!!!!! A Prefeita de Altamira, Odileida Sampaio (PSDB), está de parabéns, pois o cinema só traz os melhores lançamentos.<br />
Infelizmente a prefeita de Santarém, Maria do carmo (PT), não cuida de manter nem a cidade livre das sujeiras e das crateras em plenas vias públicas, quem dirá construir um cinema, enquanto que o telhado do hospital municipal tá caindo em cima da cabeça das pessoas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: tiago da costa freire		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21839</link>

		<dc:creator><![CDATA[tiago da costa freire]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 21:44:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que uma cidade que esta perto de ser uma capital tem que ter um cinema, mas um cinema que acompanhe a programaçao nacional, só assim poderá concorrer com as locadoras de dvd. em toda capital a concorrencia existe, e os cinemas estão sempre lotados, esse empreendimento tem que ser particular, nada de prefeitura, a PMS tem que tratar do social da população da cidade, ou incentivar a arte do cinema nas escolas. Mas que saudade do cine olimpia, acacia e cine tropical hotel na liberdade, o cinerama foi os dos mais demorou ser extinto, vamos torce que essa perola do tapajos no futuro tenha mais governante comprometido com esse povo maravilhoso, hoje estou em Manaus, mas continuo torcendo pela minha terra natal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que uma cidade que esta perto de ser uma capital tem que ter um cinema, mas um cinema que acompanhe a programaçao nacional, só assim poderá concorrer com as locadoras de dvd. em toda capital a concorrencia existe, e os cinemas estão sempre lotados, esse empreendimento tem que ser particular, nada de prefeitura, a PMS tem que tratar do social da população da cidade, ou incentivar a arte do cinema nas escolas. Mas que saudade do cine olimpia, acacia e cine tropical hotel na liberdade, o cinerama foi os dos mais demorou ser extinto, vamos torce que essa perola do tapajos no futuro tenha mais governante comprometido com esse povo maravilhoso, hoje estou em Manaus, mas continuo torcendo pela minha terra natal.</p>
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		<title>
		Por: EU		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21838</link>

		<dc:creator><![CDATA[EU]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 12:19:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21806&quot;&gt;Anônimo&lt;/a&gt;.

QUE PRECONCEITO 1]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21806">Anônimo</a>.</p>
<p>QUE PRECONCEITO 1</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jota Ninos		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21837</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jota Ninos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 May 2010 13:13:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Considerações de um cinéfilo órfão

Me considero um cinéfilo inveterado e por isso mesmo sofro numa cidade sem cinema. Desde que cheguei em Santarém, em 1978, tornei-me um assíduo espectador do cine Olympia antes de virar um restaurante; vi nascer e morrer o Cineramma, que agora é um templo evangélico; e vi fechar o cine Acácia, transformado em depósito de atacado. Neste último, trabalhava numa filial da lanchonete de meu pai ao lado do cinema (e por isso assistia muito filme de graça, em troca de alguns sanduíches...). Para fins de registro histórico, conheci no cine Acácia um dos grandes locutores de FM da atualidade, o Jorge Carlos, da Guarany FM, que era um dos funcionários de projeção do cinema(!).

Na década de 1980, vi de perto, também, a tentativa de implantar um cineclube de filmes de arte, uma iniciativa visionária de um carioca chamado Mário Ennes que criou aqui o Arte Clube Acauã, uma ONG voltada para a difusão cultural, em especial o cinema. Ele fez projeções de filmes clássicos na Casa de Cultura, para uma platéia até razoável. Depois se envolveu com os festivais de música e acabou abandonando a idéia. Mário Ennes faleceu em um acidente no Rio de Janeiro, como me informou recentemente sua esposa, a santarena Eliete Diniz. Até hoje, nenhum tributo foi feito a este produtor cultural que tentou com o próprio esforço investir na cultura local. Mas isso é tema para outro debate.

Voltando ao cinema, demorei a aceitar a realidade de não ver um filme dentro de uma sala escura, em tela panorâmica. Os três anos em que passei na Europa, tive a oportunidade de assistir grande parte de &quot;minha&quot; filmografia, não só os filmes comerciais do final da década de 1980 e início da década de 1990 (alguns, hoje considerados clássicos, entre eles o Cine Paradiso, que é uma verdadeira ode cinematográfica para o fim das antigas salas de cinema nas cidades). Mas lá também vi o que acontece nas cidades: antigas salas de cinema sendo engolidas pelo progresso, tema bem retratado no já citado Cine Paradiso.

Ainda sonho em comprar um home theater para ter uma sensação mais próxima de assistir filmes em uma sala de cinema, para ver clássicos em DVDs e no novo formato Blue Ray, para o monitores portáteis. Enquanto isso, me contento assistindo estas mídia em telas menores.

Por conta disso, acho oportuno o debate sobre o tema suscitado por Evaldo Viana, muito embora de pronto eu me associe a vários comentários sobre não confundir o papel do estado e da iniciativa privada. Até me admiro do Evaldo resvalar no tema desta forma, talvez no calor de sentir a falta de uma sala de cinema para uma cidade como Santarém, o que realmente é uma vergonha, mas não para a prefeitura, e sim para o chamado &quot;espírito empreendedor&quot; dos empresariado local.

De vez em quando surgem informações de que alguém está pensando em investir neste filão. Muito embora, os novos investimentos já não prevêem, como já acontece nos grandes centros, a manutenção de salas de cinema como era o Cineramma, uma coisa suntuosa e luxuosa que nos dava orgulho. Fala-se que há gente pensando em trazer para cá franquias das salas de cinema dos grandes grupos como Cinemax ou Moviecom, que geralmente usam espaços de shoppings. Como ainda nem temos um shopping... Até dias atrás, ouvia dizer que no mini-shopping que vão inaugurar em frente ao fórum, haveriam duas salas de cinema! Me entusiasmei com a idéia de terminar o expediente, atravessar a rua e assistir a &quot;vesperal&quot;... Mas tudo não passou de boato.

Sou muito amigo da família Loureiro e sempre gosto de conversar com o seu Raul. Muita gente pode criticá-lo por não ter investido no cinema, mas pouca gente sabe o sacrifício que ele fazia para sobreviver em meio à máfia dos distribuidores no Brasil. Regras rígidas que o faziam tirar dinheiro do bolso para trazer algumas produções e, muitas vezes, não ter público e amargar prejuízos. Ainda é preciso um estudo aprofundado para entender o que aconteceu naqueles anos. Ninguém pode dizer que houve negligência, até porque, se lerem as notícias do passado, descobrirão que a família Loureiro foi visionária desde meados do século passado ao manter um cinema como o Olympia que chegou a apresentar, sim, sessões simultâneas com os grandes centros. Assim como o Cineramma, em casos como os dos chamados &quot;blockbusters&quot; (ou &quot;arrasa-quarteirões&quot;, como são chamado os filmes de grandes bilheterias) como o meloso Titanic, que valeram um investimento maior. Mas não vou me deter a estes detalhes. Um dia alguém fará um registro mais consistente da história do cinema em Santarém (espero!).

Voltando à proposta de Evaldo, creio que ela se encaixaria apenas no que se refere ao cinema de arte, aquele que tenta manter viva a memória da 7ª arte, através da projeção de filmes das primeiras décadas do cinema. Estes sim, só em salas especiais e talvez com o apoio da prefeitura. E é verdade que a prefeita Maria do Carmo chegou a pensar nisso, comprando as cadeiras do Cineramma (hoje instaladas na Casa de Cultura) e inclusive os projetores. E é verdade também, que até hoje NÃO PAGOU O QUE DEVIA à família Loureiro, como fiquei sabendo de um de seus membros, que me confidenciou isso. No calor do populismo neo-petista, o todo-poderoso Everaldo Martins encabeçou a proposta, até porque ocorria em Belém uma situação idêntica com o cine Olympia de lá, que hoje é uma sala de filmes de arte, bancada pela Prefeitura (e olha que o prefeito de Belém, o gran-demagogo Duciomar Costa, é menos intelectual que os Martins...).

Mas se nem grandes &quot;empreendedores&quot; resolverem investir na instalação de uma sala de cinema mesmo nos moldes comerciais, e nem a Prefeitura tentar resgatar pelo menos uma sala para projeções do cinema de arte, continuaremos convivendo com o cinema em casa, sem condições de ver, por exemplo, os avanços tecnológicos do cinema em 3D a partir do sucesso de Avatar (do mesmo Cameron, de Titanic, e novo amigo dos índios do Xingu). Ou assistiremos às projeções na salinha do SESC, ou veremos de perto as experiências de outras ONGs que fazem do cinema a linguagem para criar uma cultural digital em comunidades rurais ou bairros de periferia. Talvez a revolução do cinema esteja lá, e quem sabe, de lá, surgirá um novo visionário com o espírito de Franklin Loureiro, pai do seu Raul e criador da nossa primeira sala de cinema, o antigo cine Olympia.

Até lá, continuaremos fazendo o que a persona assumida por Evaldo fez: indicar outras cidades para se assistir cinema, que não a futura &quot;capital&quot; do Tapajós.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Considerações de um cinéfilo órfão</p>
<p>Me considero um cinéfilo inveterado e por isso mesmo sofro numa cidade sem cinema. Desde que cheguei em Santarém, em 1978, tornei-me um assíduo espectador do cine Olympia antes de virar um restaurante; vi nascer e morrer o Cineramma, que agora é um templo evangélico; e vi fechar o cine Acácia, transformado em depósito de atacado. Neste último, trabalhava numa filial da lanchonete de meu pai ao lado do cinema (e por isso assistia muito filme de graça, em troca de alguns sanduíches&#8230;). Para fins de registro histórico, conheci no cine Acácia um dos grandes locutores de FM da atualidade, o Jorge Carlos, da Guarany FM, que era um dos funcionários de projeção do cinema(!).</p>
<p>Na década de 1980, vi de perto, também, a tentativa de implantar um cineclube de filmes de arte, uma iniciativa visionária de um carioca chamado Mário Ennes que criou aqui o Arte Clube Acauã, uma ONG voltada para a difusão cultural, em especial o cinema. Ele fez projeções de filmes clássicos na Casa de Cultura, para uma platéia até razoável. Depois se envolveu com os festivais de música e acabou abandonando a idéia. Mário Ennes faleceu em um acidente no Rio de Janeiro, como me informou recentemente sua esposa, a santarena Eliete Diniz. Até hoje, nenhum tributo foi feito a este produtor cultural que tentou com o próprio esforço investir na cultura local. Mas isso é tema para outro debate.</p>
<p>Voltando ao cinema, demorei a aceitar a realidade de não ver um filme dentro de uma sala escura, em tela panorâmica. Os três anos em que passei na Europa, tive a oportunidade de assistir grande parte de &#8220;minha&#8221; filmografia, não só os filmes comerciais do final da década de 1980 e início da década de 1990 (alguns, hoje considerados clássicos, entre eles o Cine Paradiso, que é uma verdadeira ode cinematográfica para o fim das antigas salas de cinema nas cidades). Mas lá também vi o que acontece nas cidades: antigas salas de cinema sendo engolidas pelo progresso, tema bem retratado no já citado Cine Paradiso.</p>
<p>Ainda sonho em comprar um home theater para ter uma sensação mais próxima de assistir filmes em uma sala de cinema, para ver clássicos em DVDs e no novo formato Blue Ray, para o monitores portáteis. Enquanto isso, me contento assistindo estas mídia em telas menores.</p>
<p>Por conta disso, acho oportuno o debate sobre o tema suscitado por Evaldo Viana, muito embora de pronto eu me associe a vários comentários sobre não confundir o papel do estado e da iniciativa privada. Até me admiro do Evaldo resvalar no tema desta forma, talvez no calor de sentir a falta de uma sala de cinema para uma cidade como Santarém, o que realmente é uma vergonha, mas não para a prefeitura, e sim para o chamado &#8220;espírito empreendedor&#8221; dos empresariado local.</p>
<p>De vez em quando surgem informações de que alguém está pensando em investir neste filão. Muito embora, os novos investimentos já não prevêem, como já acontece nos grandes centros, a manutenção de salas de cinema como era o Cineramma, uma coisa suntuosa e luxuosa que nos dava orgulho. Fala-se que há gente pensando em trazer para cá franquias das salas de cinema dos grandes grupos como Cinemax ou Moviecom, que geralmente usam espaços de shoppings. Como ainda nem temos um shopping&#8230; Até dias atrás, ouvia dizer que no mini-shopping que vão inaugurar em frente ao fórum, haveriam duas salas de cinema! Me entusiasmei com a idéia de terminar o expediente, atravessar a rua e assistir a &#8220;vesperal&#8221;&#8230; Mas tudo não passou de boato.</p>
<p>Sou muito amigo da família Loureiro e sempre gosto de conversar com o seu Raul. Muita gente pode criticá-lo por não ter investido no cinema, mas pouca gente sabe o sacrifício que ele fazia para sobreviver em meio à máfia dos distribuidores no Brasil. Regras rígidas que o faziam tirar dinheiro do bolso para trazer algumas produções e, muitas vezes, não ter público e amargar prejuízos. Ainda é preciso um estudo aprofundado para entender o que aconteceu naqueles anos. Ninguém pode dizer que houve negligência, até porque, se lerem as notícias do passado, descobrirão que a família Loureiro foi visionária desde meados do século passado ao manter um cinema como o Olympia que chegou a apresentar, sim, sessões simultâneas com os grandes centros. Assim como o Cineramma, em casos como os dos chamados &#8220;blockbusters&#8221; (ou &#8220;arrasa-quarteirões&#8221;, como são chamado os filmes de grandes bilheterias) como o meloso Titanic, que valeram um investimento maior. Mas não vou me deter a estes detalhes. Um dia alguém fará um registro mais consistente da história do cinema em Santarém (espero!).</p>
<p>Voltando à proposta de Evaldo, creio que ela se encaixaria apenas no que se refere ao cinema de arte, aquele que tenta manter viva a memória da 7ª arte, através da projeção de filmes das primeiras décadas do cinema. Estes sim, só em salas especiais e talvez com o apoio da prefeitura. E é verdade que a prefeita Maria do Carmo chegou a pensar nisso, comprando as cadeiras do Cineramma (hoje instaladas na Casa de Cultura) e inclusive os projetores. E é verdade também, que até hoje NÃO PAGOU O QUE DEVIA à família Loureiro, como fiquei sabendo de um de seus membros, que me confidenciou isso. No calor do populismo neo-petista, o todo-poderoso Everaldo Martins encabeçou a proposta, até porque ocorria em Belém uma situação idêntica com o cine Olympia de lá, que hoje é uma sala de filmes de arte, bancada pela Prefeitura (e olha que o prefeito de Belém, o gran-demagogo Duciomar Costa, é menos intelectual que os Martins&#8230;).</p>
<p>Mas se nem grandes &#8220;empreendedores&#8221; resolverem investir na instalação de uma sala de cinema mesmo nos moldes comerciais, e nem a Prefeitura tentar resgatar pelo menos uma sala para projeções do cinema de arte, continuaremos convivendo com o cinema em casa, sem condições de ver, por exemplo, os avanços tecnológicos do cinema em 3D a partir do sucesso de Avatar (do mesmo Cameron, de Titanic, e novo amigo dos índios do Xingu). Ou assistiremos às projeções na salinha do SESC, ou veremos de perto as experiências de outras ONGs que fazem do cinema a linguagem para criar uma cultural digital em comunidades rurais ou bairros de periferia. Talvez a revolução do cinema esteja lá, e quem sabe, de lá, surgirá um novo visionário com o espírito de Franklin Loureiro, pai do seu Raul e criador da nossa primeira sala de cinema, o antigo cine Olympia.</p>
<p>Até lá, continuaremos fazendo o que a persona assumida por Evaldo fez: indicar outras cidades para se assistir cinema, que não a futura &#8220;capital&#8221; do Tapajós.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Homer		</title>
		<link>https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21836</link>

		<dc:creator><![CDATA[Homer]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 May 2010 11:51:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21827&quot;&gt;Gil Serique&lt;/a&gt;.

Boa dica!!!
Será que eles cobram ingresso???
hehe...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.jesocarneiro.com.br/artigos/cinema-que-cinema.html#comment-21827">Gil Serique</a>.</p>
<p>Boa dica!!!<br />
Será que eles cobram ingresso???<br />
hehe&#8230;</p>
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