Jeso Carneiro

Conversas de botequim

por Tiberio Alloggio (*)

Já de madrugada, num aconchegante “botequim” da pérola santarena houve uma animada discussão sobre os nomes para a sucessão municipal. Foi quando um querido amigo (da imprensa local) com voz greve, sentenciou: “Alexandre Von não entende mais nada do que acontece em Santarém”.

Segundo ele, Alexandre Von seria o candidato mais fraco da oposição em 2012. Da mesma forma em que pensava que ia governar Santarém em 2004 e acabou perdendo feio para Maria do Carmo.

Segundo meu interlocutor, Alexandre Von, por algum motivo incompreensível, ainda acha que Santarém continua à espera de sua salvadora intervenção, quando em 2013, finalmente, a herdaria após um “desastroso” governo petista.

Meu amigo acredita que Alexandre Von ainda não percebeu que Santarém mudou. Que a questão central não é algo pontual, como a saúde ou o buraco na rua, mas a sua inserção num projeto maior, regional.

Por isso, segundo o meu amigo, como deputado estadual Von foi incapaz de formular uma única proposta que fosse dirigida para a transformação de Santarém em um um grande polo regional do oeste paraense.

Segundo ele, Alexandre Von acredita cegamente no que dizem seus assessores, especialmente o empresariado médico, que acham que o problema de Santarém é a $aúde e principalmente a ge$tão do hospital regional. O que, desde 2006, já não faz mais sentido.

Enfim, Alexandre Von desconhece o que se passa em Santarém.

Meu amigo ainda diz que o Alexandre não tomou conhecimento do governo Maria do Carmo, pois para ele, entre 2004 e 2011, não aconteceu nada no município. Por isso, ainda hoje, Von não tem nada a declarar sobre os assuntos que interessam aos santarenos.

O “competente planejador” do governo Lira Maia, segundo meu amigo, ainda não percebeu, por exemplo, que a classe “C” já é a maioria da nossa população. E que a classe “C” tem acesso à internet. Alexandre se preparou para tomar o lugar do Lira Maia quando a prefeitura tinha 4 computadores e nem havia acesso à internet.

“Mas por que Alexandre Von menosprezou o desafio de pensar Santarém como um grande polo regional, uma grande região metropolitana do planalto”, perguntei?

Como resposta, o meu amigo me sugeriu uma reflexão sobre o seguinte: “Alexandre achou que poderia driblar a miséria do segundo mandato de Lira Maia, quando Santarém ainda vinha sendo administrada como uma cidadezinha qualquer. Quando o lixo era coletado por carrocinhas e caminhões alugados e os pacientes chegavam no hospital municipal de carro baú”.

Von, diz o meu amigo, é do tempo em que bastavam três telefonemas à imprensa para fazer a “cabeça” da população. Um telefonema para o TV Tapajós, outro para a TV Ponta Negra e um para os dois locutores das FM das emissoras. Os tempos quando Lira Maia sentava com Vânia Maia, Nivaldo Pereira, enquanto Ruy Correia só podia entrar de penetra.

Era dessa forma, pontificou o meu amigo, que Lira Maia controlava os maiores meios de comunicação local … e calava Santarém.

“Mas então por que com tanto poderio Alexandre Von conseguiu perder de uma “zebra” como Maria do Carmo?”, perguntei.

Porque os meios de comunicação em Santarém não tem penetração no povão. As estagiárias das emissoras não andam pelas quebradas da cidade, tampouco os locutores das FM.

A maioria da população vive nos extremos geográficos da cidade. E a elite santarena ignora os extremos, mas é lá que o povo mora. Só vão lá na hora de cortar cabelo e medir a pressão da população em seus eventos assistencialistas. As emissoras mal conseguem cobrir a avenida Tapajós e a Rui Barbosa, no máximo chegam em Alter do Chão. Sem as emissoras, os demo-tucanos santarenos nem teriam saído do Cipoal.

“Mas Von acreditava mesmo que Lira Maia controlava o povo de Santarém com seus telefonemas? Podendo se concentrar na tarefa de herdar dele a Prefeitura?”, indaguei.

Ledo engano, pois Lira Maia, em seu segundo mandato, já não governava Santarém. Já havia implodido a prefeitura.

“E o governo do Estado? Hoje na mão dos tucanos”, insisti, “não vai ajudá-lo”?

Vai nada. Jatene não vai fazer nada para Santarém, para ele Santarém é gasto supérfluo.

“E os 60 mil votos de Lira Maia não são um capital substancial?”, perguntei, tentando a última cartada.

Já não são mais 60 mil. Mojui dos Campos vai lhe custar uns 15 mil. E caso pintar uma brecha, na hora “H” Lira Maia vai passar a perna no Alexandre e vem ele como candidato.

Contudo, segundo o meu amigo, Alexandre Von ainda acha que o seu chefe lhe dará posse em 2013.

Cruel esse meu amigo. Muito cruel.

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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.

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