por Rômulo Serique (*)
Desde que embarcamos para a Europa, a viagem tem tido uma babel de idiomas, exigindo-nos esforços para compreender até mesmo os portugueses no aeroporto de Lisboa.
Entre o espanhol que viemos aprender, o prático e internacional inglês e um pouco de mímica, temos nos comunicado satisfatoriamente. Mas se há uma linguagem universal de diálogo, esta deve ser o futebol!
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Os espanhóis também são apaixonados pelo futebol, até mais que os brasileiros, segundo afirmam. Será mesmo?
De fato, eles possuem 4 jornais diários exclusivos sobre futebol, os telejornais despejam mais de 20 minutos por dia de informações sobre o tema e há camisas de seus maiores clubes, Real Madrid e o Barcelona, por toda a parte.
Com todo esse aparato midiático e comercial, sem dúvida, a vitória do Brasil sobre a Espanha por 3×0 na final da Copa das Confederações não passou despercebida. Ficamos receosos em falar sobre isso no começo, mas com o tempo foi inevitável.
As reações deles são diversas. Os mais exaltados dizem que a Copa das Confederações foi só um treino e o que vem pra valer será a Copa de 2014. Os mais conformados dizem que o Brasil jogou com o peso de sua história e sua torcida e que não é vexame perder para uma grande seleção.
Sobre a atuação dos jogadores, eles costumam criticar o Neymar, mas destacam que se surpreenderam com o atacante Fred e o zagueiro David Luiz.
Eles se orgulham muito desta atual geração da seleção e seu nível técnico, seu principal orgulho é o jogador Iniesta, ídolo do país, que certamente ofusca, em popularidade, o argentino Messi que joga no Barcelona. E apesar do crescimento do futebol alemão nas competições europeias, eles seguem confiantes nos seus times.
Os clubes ainda estão em pré-temporada, por isso não vamos poder assistir uma partida, mas fomos ao estádio Santiago Bernabeu, do Real Madrid. Um tour completo custa 19 euros (quase 57 reais), mas são duas horas que valem apena. O estádio é um sonho, conhecemos o museu, a sala de títulos, os vestiários, a sala de imprensa, banco de reservas, o tapete (gramado) e a impressionante vista panorâmica.
Dentre os clubes, Barsa e Real não são os únicos, mas são os maiores e de mais intensa rivalidade, que é reforçada pela questão política separatista catalã. Os espanhóis não parecem demonstrar grande expectativa sobre a chegada de Neymar, que deverá a aprender a jogar em equipe e ao lado de Messi.
Se é possível responder a pergunta de qual povo é mais apaixonado por futebol, algo pesa a nosso favor, não somos apenas espectadores, mas somos mais praticantes do esporte. Em pleno verão e no período de férias, encontramos as quadras públicas todas vazias o dia todo, ao ponto que já providenciamos as nossas chuteiras e uma “pelota” para ocupá-las depois das aulas, e convocar um Brasil x Espanha aqui.
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* Santareno, é professor do CDA (Colégio Dom Amando). Relata a temporada na Espanha de um grupo de alunos e professores do colégio santareno naquele país.
