
por Sávio Carneiro (*)
Muito oportuna a matéria do jornalista Manoel Dutra na edição nº 1161 da Gazeta de Santarém, sobre a reunião dos órgãos ligados ao trânsito de Santarém, para levantamento dos problemas e busca de soluções para o trânsito violento que se estabeleceu na cidade.
Como frisa bem o jornalista, o “trânsito em Santarém tornou-se um pandemônio infernal”. Eu testemunho e acrescento muito mais: dirigir, pilotar, andar de bicicleta ou até mesmo o simples ato de andar a pé nas ruas da cidade tornou-se uma faca de dois gumes. Quem se arrisca a enfrentar o trânsito na hora do “rush” nas avenidas Rui Barbosa, São Sebastião, Barão do Rio Branco, Sergio Henn, Tapajós, Bartolomeu de Gusmão e outras mais, é como se você entrasse numa briga de vida ou morte.
São motoristas que não respeitam motociclistas e vice-versa, ciclistas invadindo os espaços destinados a pedestres, pedestres atravessando as ruas fora da faixa de segurança, fora os que dirigem sem habilitação, fazendo malabarismo e infernizando ainda mais esse trânsito louco.
Como vítima duas vezes desse próprio “pandemônio” e acadêmico do curso técnico de Segurança e Saúde no Trabalho, acredito que, além do esforço dos órgãos, empresas e da mídia no sentido sensibilizar a sociedade para a situação caótica. É preciso implementar uma estratégia educativa mais sistemática e eficiente.
Faz-se necessário usar a prática reiterada do uso de informações e conhecimento relacionados com a direção defensiva ou direção segura por meio de palestras, cursos e encontros, principalmente, com os trabalhadores que estão mais expostos ao trânsito, para tentar amenizar o problema.
Durante muitos anos, nós, motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres não víamos com bons olhos e muita das vezes interpretávamos erroneamente o ensino da prática da direção defensiva. Achávamos que levava a uma condução veicular temerosa e até própria dos medrosos.
Ao contrário, a direção defensiva é a forma de dirigir que permite ao condutor reconhecer antecipadamente as situações de perigo e prever o que pode acontecer com todos os envolvidos no ambiente do trânsito e tomar a decisão certa para evitar acidentes.
A educação no trânsito, baseada nos conteúdos sobre direção defensiva, pode ser didaticamente dividida em quatro vertentes que se iniciam pela letra “V”: viventes (seres vivos envoltos no trânsito), vias (ruas e estradas), veículos (meios de locomoção e transporte) e velocidade (variável vinculada à velocidade).
O educador em segurança no trânsito tem que utilizar essas informações colhidas em todos os meios de comunicação disponíveis e agregar as inúmeras situações reais vivenciadas para tornar o processo de ensino e aprendizagem, literalmente, numa via de mão dupla.
O planejamento é um elemento chave para uma direção defensiva segura no trânsito.
De acordo com estudos científicos realizados por renomados institutos de pesquisa, é preciso dar maior ênfase ao comportamento e às atitudes dos viventes no trânsito, por ele ser a vertente mais difícil para ser trabalhada.
Cabe também, a nós, profissional da área de Segurança e Saúde no Trabalho, a responsabilidade, de estabelecer a freqüência das ações educativas e proceder a sua correspondente avaliação para um melhor entendimento sobre a questão e dessa forma, se obter à tão almejada “Paz no Trânsito”.
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* Santareno, é estudante de curso técnico de Segurança e Saúde no Trabalho.