por Paulo Cidmil (*)
Minha opinião, sobretudo após a não candidatura de Erick Jennigs/PV, é que, caso exista essa via, a única possível é a candidatura do PSOL. Acho que Márcio tem o direito de postular a condição de ser uma alternativa possível ao eleitor santareno.
Isso ele vem conquistando ao se lançar uma segunda vez como candidato, apresentando programa de governo com propostas alternativas; pela postura de seu partido, ao nível nacional e regionalmente, e por ser a candidatura que mesmo sem tempo de TV e Rádio, sem recursos, sem grande suporte partidário, sem coligação com outros partidos, acredita ser possível mudar a forma de fazer política em Santarém. Vai nadando contra a maré e sonhando com outros rumos para política no município.
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Infelizmente o PSOL, por vezes demais arraigado a posicionamentos ideológicos (que entendo também são necessários), típico dos movimentos sindicais, estudantis e dinossauros leninistas, exacerba nesses conceitos e não leva em conta a pluralidade da sociedade brasileira, não compreendendo que só existirá governo democrático se esse governo refletir essa sociedade plural. Aí, claro, excluindo-se os ladrões e maus intencionados.
Parece que as eleições no Rio de Janeiro e Belém irão trazer um novo oxigênio para o interior do PSOL e o farão repensar as suas estratégias. É sintomática a postura da grande mídia, que se esqueceu de lembrar que o PSOL é fruto de dissidência do PT, cujo estopim foi o agora comprovado mensalão.
A preocupação do PT com o crescimento do PSOL é tamanha, que hoje, o Lula já aparece mais que Eduardo Paes na propaganda eleitoral do Rio de Janeiro, Eduardo Paes que é um dos prefeitos com melhor avaliação dos que estão disputando reeleição.
Avalio também, que a votação de Marcio Pinto irá refletir a insatisfação do eleitor santareno, e que, as eleições municipais em todo o País, irão dar ao PSOL uma capital (Belém) e provocar um segundo turno na segunda maior cidade do País (Rio de Janeiro); transformando o nanico PSOL em um Partido em franco crescimento.
A divulgação das ultimas pesquisas realizadas em Santarém, a primeira da Doxa realizada antes da propaganda eleitoral (Blog do Jeso 15 a 18/agosto) e a segunda da BMP realizada após o inicio da propaganda eleitoral (O Estado do Tapajós, 24 a 28/agosto), só reforçam a minha convicção que será Marcio Pinto o candidato que sairá das urnas com uma votação acima dos prognósticos dos analistas de Von, Lucineide e José Maria Tapajós.
As duas pesquisas apresentam resultados idênticos. Exceto claro, a diferença significativa entre Von e Lucineide. Se na da DOXA/Jeso, Lucineide tem 22% e Von 40%, na da BMP/O Estado do Tapajós, Lucineide perde cinco pontos percentuais para Alexandre Von que aqui tem 45% e Lucineide 17%, o que aumenta a diferença entre os dois de 18% para 28% a favor de Von. O que não é real. Atribuo isso a origem de cada uma das pesquisas, sua metodologia e o direcionamento das perguntas. E aqui não entro no mérito de quem adotou o método mais adequado.
Quanto aos outros resultados os números são praticamente idênticos. José Maria Tapajós Na primeira aparece com 14% e na segunda 13%, Marcio Pinto na primeira tem 7,7% na segunda 8,6% crescendo 1%, Rubson Santana tem os mesmos 2,4% em ambas e os INDECISOS na primeira somam 12% e na segunda 11%.
Esse resultado me leva a pensar que os programas de rádio e TV, os debates e o corpo a corpo dos partidos não influem na intenção de voto do eleitor ou que estão totalmente equivocados, sem trabalhos para mostrar, sem propostas para apresentar, sem poder de convencimento e incapazes de interferir em um quadro já cristalizado. Não creio nisso a quarenta dias das eleições.
Outra opção é aceitar a hipótese de que é apenas Lucineide que esta fazendo uma campanha desastrosa e perdendo votos para Alexandre Von. E vou além, todos os outros candidatos estão impotentes diante do fenômeno eleitoral Alexandre Von. Também não creio nisso. O índice de rejeição de Alexandre Von desmente qualquer hipótese dele representar um fenômeno de votos nessas eleições.
Na minha avaliação, a campanha de Lucineide esta cometendo um grave erro ao usar o slogan NÃO! E NÃO! para combater Alexandre Von. Além de mentiroso, todos sabem que Von defende o Estado do Tapajós, é de uma lembrança traumática para a nossa população e agora esta sendo associado a ela Lucineide (isso é uma grande falta de criatividade). Ficar esbravejando NÃO! E NÃO! (lembrando a humilhante derrota que tivemos que engolir), dizendo que Von é aliado do governador inimigo do Tapajós, enquanto Von inaugura obras e repartição do Estado em Santarém, não é uma ação inteligente.
Lucineide tem muito para apresentar. Realizar a comparação entre o governo Lira Maia/Von versus governo PTista que Lucineide faz parte, ainda é a melhor estratégia. Sei que é uma tarefa difícil, Lira Maia deixou a cidade entregue aos urubus e o PT, com muito mais recursos, transformou Santarém na cidade dos buracos, foram 16 anos de maus tratos.
Mas Lucineide fez muito pela educação e realizou uma gestão sem escândalos de desvio de verbas em sua pasta. Seria bom também ela sinalizar que terá independência, autoridade, apresentar um novo projeto, outro secretariado e dizer que não será capacho nas mãos de figuras do PT e PDT.
Também chama atenção os 14%, 13% de José Maria Tapajós, mas não é algo surpreendente. Candidato com eleitorado cativo e de um partido com grande capilaridade social, com bancada nas Câmaras Municipal e Estadual; Secretarias e muitos cargos no executivo do município, o PMDB de José Maria Tapajós, não tem um projeto alternativo de governo para Santarém, tem um projeto de poder, cujo foco são os interesses pessoais.
A candidatura de José Maria irá dar um certo protagonismo à legenda, o que ajudará o partido, que certamente vai eleger no mínimo três vereadores. Eu avaliava que Zé Maria iria renunciar para apoiar Lucineide ou Von, mas creio que isso não irá acontecer pelo fato de hoje ele ter números até certo ponto surpreendentes. Apostando em um bom resultado o PMDB irá vender caro o seu apoio ao futuro governo seja ele quem for.
Zé Maria não ficará órfão, é um provável ocupante de pasta no Executivo na composição do futuro governo municipal e também ganha densidade eleitoral para disputar uma cadeira no legislativo estadual nas próximas eleições. Para quem sabe propor a criação de mais um município em nossa região, projeto que certamente contará com todas as bênçãos de Belém, inviabilizando mais uma vez a possibilidade de um segundo turno em Santarém.
Apesar de contar com recursos para campanha, os números de Zé Maria Tapajós já estão batendo no teto e ele não ultrapassa os 20%. O que será uma grande vitoria para uma candidatura com o seu perfil: sem projeto político alternativo que o diferencie de Von e Lucineide, sem carisma para que possa fazer uma campanha com apelos populista e sem comunicação fluente, fundamental a um político que queira disputar eleição majoritária.
Os números já definiram a candidatura de Rubson Santana, se não renunciar em favor de um dos candidatos à sua frente, não irá ultrapassar os 5%. O que significa dobrar a sua intenção de votos que hoje é de 2,4%. Sua candidatura servirá para torná-lo conhecido como político e dará visibilidade ao seu partido, construindo um caminho para as próximas eleições.
Quanto a Alexandre Von, não há o que falar de um candidato que surfa em um favoritismo absoluto, mas tenho algumas afirmações e perguntas que gostaria de saber a resposta.
Ao propor uma Santarém sustentável, Von botou em pauta uma discussão que chega com muito atraso e hoje é inadiável, acertou em cheio. Resta saber até onde ele irá implementar e endossar políticas públicas que objetivem essa nova filosofia de gestão, que em muitos casos contrariam interesses hegemônicos.
Outra pergunta que creio não seja só minha: até onde irá a presença do deputado Lira Maia em sua Administração. Quantas secretarias o deputado colocará debaixo do braço a pretexto de contemplar o seu partido Democratas? Essa pergunta cabe também à Professora Lucineide com relação à família Martins.
Assim, resta a candidatura de Marcio Pinto que é originária de um Partido com diretrizes claras e que seus filiados observam; embora tendo em suas fileiras algumas figuras com perfil autoritário, propõe um programa de governo comprometido com gestão que vise o interesse publico e o zelo pelo erário. E a se avaliar pela atuação de seus políticos em todo o território nacional o PSOL tem credibilidade para reivindicar o discurso da ética na política.
Marcio Pinto até última pesquisa acusa uma intenção de votos que soma exatamente o dobro da que conquistou em 2008. Vejo o voto em Marcio Pinto como uma ótima alternativa para o eleitor desanimado diante das candidaturas de Von, Lucineide e José Maria Tapajós, que parecem o mesmo, do mesmo que é dado ao eleitor há 20 anos.
Nada posso falar de Rubson Santana, não o conheço, assim como também não conheço Marcio Pinto, mas sua intenção de votos e principalmente o seu Partido não o estão credenciando a ser uma terceira via eleitoral.
Marcio Pinto é o candidato que nos últimos 20 anos não contribuiu ou participou das péssimas gestões que se sucederam, é o candidato a quem não podemos imputar muitas das mazelas de nossa política, também é o único que aparece ao eleitor com propostas alternativas de gestão garantindo a participação popular, proposta que pelas diretrizes de seu partido é possível dar crédito e confiar (o PT promete isso em Santarém mas não faz).
As pesquisas apontam 12% de indecisos e cerca de 35% de eleitores que podem mudar o voto, este é um dato importante porque revela que 47% do eleitorado na verdade ainda encontra-se indefinido. Márcio, que detém a menor rejeição e uma proposta que o diferencia dos demais, é o candidato com maior potencial para conquistar esses votos.
Outro fato importante que os números estão apontando com muita clareza: o próximo prefeito de Santarém não terá sequer a metade dos votos do eleitor santareno e deverá se eleger com 38% a 42% dos votos.
Longe de ser um aventureiro ou de já estar derrotado antes da abertura das urnas, a candidatura Marcio Pinto/PSOL, que muitos consideram um pato em corrida de ganso, pode ser uma ótima alternativa e um voto de desabafo diante do cinismo que se tornou regra na política santarena. Marcio pode até ser pato, mas não será um pato de terreiro, poderá se tornar um pato do mato, daqueles que alçam voo e são muito comuns em nossas regiões de várzea lá para as bandas do Pindurí, Igarapé do Costa e Guajará.
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* Santareno, é produtor cultural e filiado ao PPS em Santarém. Reside no Rio de Janeiro.