Jeso Carneiro

Elza Queiroz: a mais bela santarena de seu tempo, por Wildson Queiroz

Elza Queiroz: a mais bela santarena de seu tempo, Recepção no aeroporto. Elza Queiroz
Elza Queiroz na recepção que recebeu no aeroporto em Santarém

por Wildson Queiroz (*)

Wildson Queiroz

Nascida em Santarém, em 24 de setembro de 1952, Elza Queiroz venceu todos os concursos que participou na década de 1970, em Santarém.

Filha de migrantes nordestinos, vindos do Rio Grande do Norte, concluiu o curso pedagógico no Colégio Álvaro Adolfo, participou e venceu concursos de beleza existentes na cidade, como Rainha dos Estudantes, Mais Bela Caipira, Rainha da Rádio Rural, além do Miss Santarém, representando o Tropical Hotel, em meio a uma grande festa que contou com a presença dos casais Norma e Fernando Guilhon, governador do Estado; Olga e Aliverti, prefeito de Santarém na época.

O concurso Miss Pará era uma realização do jornal A Província do Pará, que deu ampla cobertura para a miss santarena, apontada por todos como a favorita na disputa. Sua chegada à Belém mereceu destaque nos jornais da capital.

Em Belém, Elza, juntamente com demais candidatas ao Miss Pará, cumpriram uma extensa agenda de programações que tinha como principal objetivo divulgar o evento.

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Visitaram as empresas patrocinadoras da competição e também foram recebidas em audiência especial pelo governador do Estado, Fernando Guilhon, no Palácio Lauro Sodré. Na oportunidade, as misses demoraram por alguns instantes observando a exposição “Brasil de Pedro a Pedro”, em seguida dirigiram-se ao Palácio Antônio Lemos onde foram recebidas pelo prefeito de Belém, Nélio Lobato, que recepcionou as candidatas em seu gabinete, no Palácio Antônio Lemos.

A programação de divulgação do evento durou mais de uma semana. No domingo que antecedeu a disputa, as candidatas ao Miss Pará 74 estiveram na sede da Tuna Luso Brasileira e fizeram um desfile à borda da piscina.

O desfile contou com a presença de Moncherry Alexander, Miss Pará 1973. O ginásio do clube ficou completamente lotado de associados e convidados especiais que não economizaram elogios as candidatas.

A disputa do título também aconteceu no ginásio da Tuna, com 19 candidatas representando diversos municípios, clubes e colégios da capital. O júri do concurso contou com a presença da Miss Brasil 73, Sandra Mara Ferreiras, e foi animado pelo conjunto “Secos e molhados” de Ney Mato Grosso.

A cada etapa do desfile, algumas candidatas iam sendo desclassificadas, até que ficaram apenas as oito finalistas, entre elas, Elza Queiroz.

Após o último desfile, o resultado foi enfim anunciado pelos organizadores do concurso. Em primeiro lugar, ficou a candidata de Capanema, Delmira Borges Teixeira, com 35 pontos, em segundo lugar a candidata de Santarém, Elza Queiroz, com 34 pontos.

O resultado pegou a todos de surpresa, inclusive a vencedora. Em entrevista concedida ao jornal A Província do Pará, ela disse que acreditava que Elza seria declarada vencedora. Até o público que lotou o ginásio preferia a Miss Santarém.

Depois que os votos foram apurados, os jornalistas que faziam a cobertura do evento, tiveram acesso as fichas dos jurados e comprovaram que a cada eliminatória Elza Queiroz sempre esteve à frente das demais candidatas. Na semifinal, contavam com uma vantagem de 3 pontos sobre a segunda colocada.

A derrota por apenas um ponto de diferença levantou suspeitas sobre a validade do resultado. Até hoje, passados mais de 40 anos da disputa, muita gente confirma que Elza Queiroz foi injustiçada pela organização do concurso, a coroa lhe foi tirada por manobras de bastidores.

Após a participação no concurso, Elza Queiroz retornou para Santarém, foi recebida no aeroporto por uma verdadeira multidão que fez questão de lhe prestar homenagens, desfilou em carro aberto pelas ruas da cidade e por onde passava era saudada pelos populares que se espremiam para a vê-la.

Recebeu bonitas homenagens de suas colegas de classe e professoras da escola Álvaro Adolfo e também das autoridades locais.

Mas o destino deu a Elza o título que haviam lhe tirado.

Elza na passarela da Tuna Luso disputa o título de Miss Pará

No início de 1975, a Miss Pará, engravidou e não pôde mais representar o Estado em eventos oficiais. Elza Queiroz foi chamada a Belém, onde recebeu a coroa de Miss Pará 1974, completando o restante do mandato. Em maio de 1975, Elza fez o desfile de abertura do Miss Pará e repassou o título a nova representante da beleza paraense.

Encerrada a carreira de Miss, Elza Queiroz concluiu o Curso Colegial Normal de Formação de Professores Primário e trabalhou como professora na escola São Luiz de Gonzaga, sob a direção da professora Helena Bezerra, que, em homenagem a ex-miss, deu a uma de suas salas escolares o nome de Elza Queiroz.

Trabalhou também na Vivenda – Associação de Poupança e Empréstimos.

Em 1977, casou-se com Guilherme José Mallmann, militar que estava em Santarém a serviço do 8º Batalhão de Engenharia e Construção, passando a assinar o nome de Elza de Queiroz Mallmann. A celebração religiosa aconteceu na igreja de Nossa Senhora das Graças.

Alguns dias após o casamento, foi residir com seu esposo na cidade de São Miguel D’Oeste, estado de Santa Catarina, cidade natal de Guilherme, onde o mesmo residia. Desta união nasceram três filhos: Elziane, Guilherme Júnior e Ediane.

Em São Miguel D’Oeste, trabalhou como professora contratada e, em seguida prestou concurso público estadual, sendo aprovada para o cargo de professora do ensino primário, também atuou por um período na função de secretária escolar.

Depois de residirem por 10 anos na cidade de São Miguel D’Oeste, o casal, agora com três filhos, retornou para Santarém em 1987, quando abriram uma empresa de comércio e indústria de madeira.

Elza de Queiroz Mallmann, a mais bela santarena de seu tempo, faleceu em Santarém, em 26 de julho de 1998, aos 45 anos.

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* Pedagogo, é membro do IHGTap (Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós). Reside em Alenquer e escreve regularmente neste site.

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