Jeso Carneiro

Mistérios da Amazônia: os encantes dos rios

por David Marinho (*)

A Amazônia em sua natureza prístina se reserva a eventos incompreensíveis pelos homens.

Fenômenos físicos e segredos na dinâmica dos elementos naturais contidos neste grande “laboratório vivo a céu aberto” sem dúvida existe magia e exotismo, quando particularmente falamos da fenomenal e intrigante Amazônia.

As populações tradicionais inseridas nesse gigantesco bioma, respeitam, temem e passam de geração a geração a obediência e submissão na interação harmônica do homem/natureza, em sua fisiologia ambiental, na sua atmosfera úmida e pesada, e nas energias das grandes massas hídricas.

Pois, quando viajamos pelo rio Amazonas e tentamos fixar o olhar nos redemoinhos em volta do barco, temos a sensação de que querem nos atrair e tragarmos naquela grande massa de águas barrentas desse “rio-mar”.

As lendas, tabus e paradigmas surgem sempre após fatos acontecidos, às vezes mal interpretados e mal explicados. Ficando uma lacuna sem resposta, então as mentes férteis das pessoas entram em ação tentando justificar de forma fantasiosa e dedutiva os fenômenos de acordo com a cultura e a realidade social daquela comunidade.

Muitos ainda devem se lembrar de um fato misterioso que aconteceu com um médico santareno que residia no sudeste do país, e que convidou alguns amigos para curtir merecidas férias aqui na região.

Mas que, em pleno deleite, num gesto inexplicável e de livre desejo, como que hipnotizado, segundo declarações de seus próprios companheiros de excursão, experimentava naquele momento uma sensação de “grande felicidade” – e nesse clima decidiu se despedir de seus amigos e entes queridos, quando demonstrou isso inexplicavelmente num “salto de liberdade” do toldo do barco, para se abraçar e fundir-se no grande e misterioso rio Amazonas, próximo a Óbidos, para nunca mais ser encontrado.

Será que a “mãe d’água” ou uma linda “sereia” o chamaram para um paraíso submerso?

Tempo depois, comentou-se que alguns resíduos humanos foram encontrados nas vísceras de uma “piracatinga”, peixe comum dessa região. A Amazônia é assim, exótica, encantada e misteriosa. Quando nos fala sem voz, nos aperta sem abraçar e nos sepulta sem covas, apenas absorvendo-nos em suas entranhas…

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* Santareno, é gestor ambiental. Escreve regularmente neste blog.

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