
por Celivaldo Carneiro (*)
“Toda coerência é, no mínimo, suspeita.” A frase, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), combina bem com o drama vivido pelo novo prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), que assume o cargo em janeiro de 2017.
Eleito por uma aliança envolvendo vários partidos, entre eles PDT, PMDB, PPS, PHS, PSD, PMB e PR, o prefeito escolhido nas urnas atravessa um oceano de dúvidas e anseios, para não ser estigmatizado com os mesmos vícios de seu tutor, a administração que vai assumir em 2017.
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Médico, Nélio sabe perfeitamente como operar cirurgicamente este tumor cancerígeno, que por 8 anos (1997-2004) se enraizou visceralmente nas entranhas da combalida prefeitura – e dela usurpou para enriquecimento ilícito, malversação e locupletação pessoal e da família cipoalense.
É preciso, acima de tudo, ter sensibilidade e percepção humanista para mobilizar a opinião pública e buscar todos os meios para confrontar a compulsão desta turma pela corrupção, sem qualquer compromisso ético com os recursos públicos, para visualizar o bem estar do povo e comunidades.
Assim, a única saída para Nélio se livrar da sombra sinistra do corrupto Lira Maia, que agora o assessora, é abandonar a turma dele. Como fará isso?
A solução não é simples, mas por enquanto basta fingir que está em lua de mel com ele e seus asseclas.
Será que Nélio irá se livrar dos grilhões desta turma da República do Cipoal? Vai ficar no pelourinho que o aprisiona ao que há de mais velhaco, ultrapassado e podre da política santarena?
Senhores e feitores acostumados a submeter a pressões e castigos todos os que não concordam com seus métodos de corrupção e desvio de dinheiro público.
Ou será que Nélio será apenas o candidato que se dispôs a instrumentalizar mais uma vez o acesso da turma do Cipoal à grana da Prefeitura de Santarém?
Nélio irá realmente administrar a cidade livremente, sem amarras, como porta-voz altivo e corajoso do povo que o escolheu nas urnas?
Não é preciso, ainda, deixar claro para eles qual será o seu comportamento depois que tomar posse como prefeito eleito. Mas ninguém é de ferro, e perfeito só Deus.
No entanto, é bom sempre lembrar que na sua perfeição Deus entregou à morte seu filho, Jesus Cristo, crucificado entre dois ladrões.
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* É jornalista e editor do jornal Gazeta de Santarém.