Jeso Carneiro

Nossos rios, estradas permanentes e seculares, por Mário Guerreiro

Nossos rios, estradas permanentes e seculares, por Mário Guerreiro, porto de santarém
Porto improvisado da praça Tiradentes, em Santarém

por Mário Guerreiro (*)

A ocupação da Amazônia, seus grandes dilemas, suas histórias e o aparecimento de povoados e vilas encontraram nas estradas fluviais o acesso ideal para suas conquistas, demarcando territórios e edificando imponentes fortalezas na época.

Os mesmos caudalosos rios amazônicos, Amazonas, Tapajos, entre outros, continuam ao longo do tempo servindo aos ribeirinhos e as empresas de navegação, diga-se, sem precisar de vultosos recursos “empregados” nas estradas que atendem aos planaltos pelos governos estadual e federal.

Precisando apenas da consciência ambiental como fonte de investimento.

A evolução no sistema de transporte via fluvial é notória. Empresas estão investindo na segurança e conforto de seus passageiros, diminuindo as distâncias entre as cidades, com embarcações velozes e climatizadas.

A migração das tábuas de itaúba às chapas de aço das grandes embarcações modernas, não só a segurança dos passageiros agradecem, mas também o meio ambiente.

As melhorias nesse sistema de transporte, integrando a Amazônia ribeirinha com segurança, rapidez e conforto, deve-se exclusivamente aos bravos empresários com visão regional, que vêem nas vias fluviais o caminho para a integração de nossa gente.

Não podemos deixar de citar a Capitania dos Portos, pelas exigências de adequação das embarcações, assim como as fiscalizações necessárias.

Mas o conflito existente entre os avanços das empresas de navegação e nosso sistema de terminais hidroviários de embarque e desembarque de passageiros é gritante.

Na maioria das cidades ribeirinhas, não existe ou quando existe é de forma improvisada, sem as mínimas condições de utilização.

Condições de higiene péssimas, ao relento, sujeito às intempéries do tempo, sem adequação para pessoas com necessidades especiais ou enfermas, desrespeito total aos idosos, além da mistura generalizadas no embarque de cargas e passageiros, acompanhada pela presença de veículos de todos os portes, trazendo risco eminente aos passageiros.

Se os investimentos nessas estradas fluviais são na ordem do ZERO, dádivas da natureza, seria de bom alvitre que uma visão regional, aí destaco o oeste do Pará, fosse pensada como políticas de governo, tentando oferecer ao povo ribeirinho melhores condições de comodidades ao esperar seu transporte.

Modernizar os portos, aumentar suas capacidades de fluxo de passageiros traria mais cidadania a quem utiliza essas vias fluviais, já que as estradas terrestres não oferecem condições de trafegabilidade.

Nossos rios carregam nossas riquezas e nossa gente.

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* É professor e geólogo. Escreve regularmente neste portal.

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