
por Ericson Aires (*)
Apaixonado por Augusto dos Anjos, o artista plástico santareno Apolinário Oliveira, 47 anos, é umas das pessoas mais controvertidas da região. Sempre envolvido em polêmica, falastrão, não teme os poderosos desta cidade.
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Apolinário é o verdadeiro artista mambembe das calçadas esburacadas que gritam de dor e se esvaem no tempo.
Filósofo das ruas, seus versos sempre atentos captam uma cidade perdida, uma cidade que se perde no horizonte da lembrança do que nunca foi. Seu canto é de desespero.
Canta a dor que dói diariamente, mas que todo mundo finge não existir. Apolinário assina várias obras conhecidíssimas na região, como a estátua de Sant’Ana (Óbidos),que até hoje divide a cidade pelas formas da expressão facial de mãe e filha, fruto do subjetivismo do artista.
A Santarém de Apolinário é a que grita o silêncio dos varzeanos em nossas periferias – os passageiros do seu trem -, do cheiro forte, dos sons ásperos das palavras mal pronunciadas, das vidas que ninguém se importa.
Uma Santarém sombria, que ninguém ama porque ela mesma não consegue amar a si mesma. Então ela foge, “em fuga”, como o rio foge procurando correr liberdade. Mas Apolinário não foge, apesar do seu constante canto de desespero.
Canta a dor que dói diariamente, mas que todo mundo finge não existir. Ele canta a vontade de libertar as coisas que não conseguem se libertar, pois, como disse o Ferreira Gullar, “o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz”.
Somos fãs desse artista polêmico, que além de artista plástico, é pai de família e poeta, como ele mesmo se apresenta.
“A dor do povo é dor doída demais, e ninguém cura, ninguém cura porque sabe que o povo curado não pode ser dominado, mas a vida um dia nos pagará a dor que ninguém pensa em curar…A dor controla a felicidade!”
Um salve à Santarém de Apolinário!
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* Coordenador do Sebo Porão Cultural.