Jeso Carneiro

Precisamos ouvir a associação dos estudantes

por Joaquim Onésimo F. Barbosa (*)

Início de ano letivo em algumas escolas públicas e nas universidades. Começa-se a perceber a presença dos representantes dos da Associação dos Estudantes de Santarém (AES), para entregar formulários para a aquisição da carteirinha de estudante. Formulários que, certamente, funcionam como uma espécie de cadastro da associação.

A carteirinha de estudante custa R$ 10,00 (dez reais). E aí, pensando nesse valor, matutando com meus botões, vieram-me algumas interrogações: quanto recebe a AES num ano letivo? quanto custa, de fato, uma carteirinha para cada estudante, já que se paga a quantia de dez reais, mas a carteirinha, no verso, vem com patrocinadores?

São questionamentos que os estudantes, os pais e a sociedade deveriam suscitar.

Uma associação que representa uma categoria tão importante em Santarém, a dos estudantes, estes tão fragilizados dos seus direitos, não deveria ser transparente com os quem a mantém? Se é transparente, perdoem-me qualquer desatino aqui.

Os da AES prestam conta aos estudantes para mostrar quanto arrecadam e com que gastam o que recebem?

Quanto recebe a AES dos patrocinadores que constam do verso da carteirinha? E, por conta do patrocínio, quanto custa uma carteirinha aos estudantes de fato?

Uma associação que recebe dinheiro todo ano, ou o ano todo, já deveria ter um espaço próprio, não deveria abrigar seus postos em cantos de açougue, como se vê um dos postos da AES, na avenida Rui Barbosa, inadequado, sem condições de receber os seus.

Assim como aconteceu com o Ecad que teve suas contas abertas e fiscalizadas pelo poder público – Ministério Público –, a AES também, certamente, carece de maior transparência e, quiçá, de mais atenção dos órgãos responsáveis por velar pelos direitos do cidadão.

Não vejo, da parte dos vereadores de Santarém, qualquer mobilização quanto ao assunto. Não olham para isso por medo, por descuido ou por excesso de trabalho? Não vejo este último como motivo, pois trabalhos tantos não o têm.

Deveria partir dos vereadores ou dos próprios estudantes, em seus grêmios escolares, a iniciativa de pedir aos órgãos competentes que fiscalizem a AES, não para retaliação, não como caça as bruxas, mas para mostrar, aos que a mantém, como e com que é gasto o dinheiro que se arrecada com a compra das carteirinhas.

Os que estão à frente da AES deveriam tomar a iniciativa e mostrar, se não o fazem, aos estudantes em que é empregado o dinheiro.

Se recebe dinheiro dos estudantes, se é mantida com o dinheiro dos estudantes, a AES deveria ser o que se espera dela de fato, uma representante ardil dos estudantes. Deveria cobrar do poder público assistência aos que ela representa. Deveria ir às escolas, juntamente com quem lhe presta assessoria jurídica, para ver como estão sendo os trabalhos das escolas em reforma (?) (entenda-se essa reforma como maquiagem, popularmente adjetivada pelos alunos e professores).

Ainda não vi, na escola em que trabalho, que está sendo maquiada, a presença dos da AES ou de outro órgão público de fiscalização. Se estiveram na escola, desconheço, e peço desculpas pelo desconhecimento. Mas os da AES deveriam ser agentes ativos na fiscalização das reformas (?).

Em muitas escolas, a reforma (?) está sendo feita com material reaproveitado. Não seria o caso de os da AES verificarem isso, denunciar aos órgãos de fiscalização? Cobrar do governo do Estado planilhas de custos e do que realmente consta para essas reformas (?).

A AES não pode ser apenas uma mera associação que, em placa, se diz representante dos estudantes, que cobra carteirinhas para compra de meia passagem ou de outros benefícios. Ela tem que ser ativa na defesa dos direitos dos estudantes.

Tem que ser uma das fiscalizadoras do poder público, que se desleixa com a educação. Ela deveria cobrar dos órgãos públicos fiscalizadores presença onde quer que um estudante tenha seus direitos lesados. Tem que acompanhar a matrícula nas escolas. Exigir um número de alunos adequado às salas de aulas, não um amontoado em uma sala que mal cabem 30 alunos.

Tem que cobrar também do Sindicato dos profissionais da Educação o efetivo cumprimento dos 200 dias letivos pós-greve, principalmente fiscalizar como acontecem os semestres letivos no Ensino Modular, nas comunidades do interior. É isso e muito mais que os da AES deveriam trazer para si como tarefa.

Próxima segunda-feira, 17, reiniciam as aulas em todas as escolas da rede municipal e,final do mês, na maioria das escolas estaduais. Certamente, centena de estudantes precisarão de carteirinhas. Quanto arrecadará a AES?

Precisamos ouvir a AES. Com eles, a palavra.

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* Santareno, é professor e mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Escreve regularmente neste blog.

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