por Helvecio Santos (*)
Mesmo raciocínio vale para outro amigo, AZULINO roxo, mas descendente de uma família torcedora do “contrário”. Até já foi diretor e torço que volte a ser. Também conheço outro que é filho de um ex-goleiro do “contrário” e hoje é técnico do futebol feminino do LEÃO. Flamenguista também está nessa margem.O cara não escolhe, é algo predeterminado. São situações que fogem ao livre arbítrio.
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Às vezes os dois, magnanimamente, se permitem perder algumas partidas como contribuição ao sentido de sobrevivência que deve existir no mundo esportivo.
O normal é como um dia disse o Mestre Balão a um pobre mortal adversário que veio cumprimentá-lo num 7 x 0 do LEÃO na Seleção de Óbidos, nos festejos de 7 de Setembro: “Deste sorte que hoje não é 25 de Dezembro”.
Normal também é o que o Urubu mostrou àqueles que diziam que o Furacão ganharia pois Urubu não voa em Furacão. Ora, aos ignorantes, iletrados e desavisados, o Urubu mostrou que Urubu não voa. Na verdade, Urubu passeia em Furacão.
Meu sogro e eu não conseguimos ingressos e tivemos que nos contentar com a telona. Sim, o jogo foi transmitido para a cidade do Rio, pois jogo do Flamengo é o melhor programa de 70% da população carioca, assim como de 70% dos brasileiros. Os outros 30%? Neste caso, poucos torcendo pelo Furacão e o resto “secando”. É a vida!
De Manaus, meu cunhado ligou dizendo que a cidade, em clima de festa, só falava a linguagem do futebol, linguagem do Mengão. Não erro se disser que em minha Santa Santarém o clima era o mesmo.
Nada a estranhar pois desde o Tratado de Tordesilhas que o território da “Nação” estava delimitado e unificado em um “flamenguês” pombalino.
Ultimamente com tantas notícias vergonhosas catapultadas dos noticiários políticos para os policiais, foi emocionante ver o Brasil feliz, unanimidade só alcançada pelo Mengão.
À tarde fui com minha mulher a Copacabana e o Rio se vestia de vermelho e preto, óbvio, camisas com faixas horizontais. Mengo! Mengo! De toda parte vinham gritos coletivos ou cumprimentos singulares.
A loja do Flamengo na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, às 16 horas estava lotada, com fila do lado de fora. Alguns só queriam mesmo tirar fotografias.
Disse à minha mulher que queria ver a movimentação rubro negra e ela, urubu por tabela, concordou. Voltamos de ônibus. O que o amor não faz?! “O amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida. Já curou desenganados, já sarou muita ferida”. Logo, vir de ônibus, é fichinha!
Por volta de 18 horas estávamos próximos ao Maracanã e os bares, ruas, esquinas, eram pontos de encontro de uma “Nação” com vários sotaques e um só sentimento. Todos eram bem vindos! Carros com bandeiras engenhosamente presas nos capôs ou carregadas por braços que se estendiam para fora, buzinavam orquestradamente, naquele carioca por de sol primaveril.
A Guarda Municipal avisava que logo mais o entorno do Maraca seria fechado mas ainda houve tempo de passarmos em frente à estátua do Belini, no portão principal. Pessoas se acotovelavam buscando o melhor ângulo para registrar o momento e vendedores de camisas, faixas, bandeiras, faziam a féria do ano.
As luzes começavam a acender e o vermelho e preto mais bonito do mundo pontificava, reinando absoluto numa cidade que se preparava para mais uma aula do futebol que só os deuses praticam.
O árbitro apita o início do jogo e o time do Fla, sem figurões importados, se multiplica. Exponencialmente, onde tinha um adversário, dois ou três “urubuzinhos” lá estavam para se apossarem da bola. Jaime, à beira do campo, seguro do que plantou, comporta-se com o silêncio dos que se descobrem capazes. Nenhum palavrão, às vezes um incentivo, às vezes uma orientação e o time baila no tapete verde. Jaime deleita-se, criador e criatura, e o beija mão dos súditos.
Gentil e bondosamente esperou até os 43 minutos do segundo tempo para que os que vieram de tão longe, do Paraná, não se decepcionassem tão rápido. Era preciso que eles apreciassem a festa que só os “favelados” sabem fazer. Aos 43 mandou fazer o primeiro gol e aos 45 mandou fechar a conta. Pessoas queridas aguardavam em casa e todos precisávamos dormir.
Infelizmente neste quesito ninguém obedeceu o “comandante”. No Rio e no Brasil a noite foi pequena. Milagres de um amor sem ponto final, até quando os “secadores” de plantão, sem “argumentos” no tapete verde, tentam nos desqualificar. Com o limão fizemos uma limonada!
A pecha de favelados, de onde tantos que já envergaram nosso “manto sagrado” saíram, serviu de inspiração e o grito ecoou pelo Brasil: “Favela, favela, festa na favela”.
Time de favelados, sim, Campeão da Copa do Brasil derrotando Cruzeiro, Grêmio, Atlético Paranaense, Goiás e Botafogo, os melhores colocados no Campeonato Brasileiro.
Favela que faz a glória do futebol brasileiro e a alegria do povão! Favela! Favela! Festa rubro negra na favela chamada Brasil!
PS.: dedico estes escritos a Gilberto, sogro e companheiro de Maraca, à minha irmã Nilda, a meu irmão Eriberto, onde estiver, ao sobrinho Fabrício, ao Célio (Dr.Célio Simões) e ao Paulo (Prof. Paulo Lima), predeterminadamente privilegiados como eu.
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* Santareno, é advogado e economista. Reside no Rio de Janeiro, de onde escreve regularmente para este blog.