Arena Xingu, em Vitória do Xingu, onde o prefeito vai implantar o Distrito Industrial
por Paulo Leandro Leal (*)
A região do Xingu e da Transamazônica, que está recebendo os investimentos para a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, vem buscando alternativas para manter a economia em crescimento após o fim da sobras da usina.
As lideranças políticas e empresariais da região vêm traçando cenários no chamado pós-obra, e apontando caminhos.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Um deles é a verticalização da produção regional, com a criação de um pólo industrial forte e capaz de agregar valor à economia regional.
A economia regional hoje se baseia praticamente em cima da produção de produtos primários e no setor de serviços, este segundo impulsionado pela construção de Belo Monte.
A taxa de industrialização da economia regional, como apontada no gráfico abaixo, é muito baixa, não alcançado nem mesmo 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Para garantir que o upgrade da economia permaneça, é preciso criar condições para verticalizar a produção primaria e aumentar a participação de indústria no PIB.
PIB DOS DEZ MUNICÍPIOS DA REGIÃO DE BELO MONTE INCLUINDO ALTAMIRA (2012 – IBGE)
| MUNICÍPIO | PIB TOTAL | PIB AGROPEC | PIB SERVIÇOS | PIB INDÚST. | % IND. |
| Altamira | 1.228.811.000 | 129.001.000 | 720.093.000 | 255.226.000 | 20,6% |
| Anapú | 142.508.000 | 41.569.000 | 77.016.000 | 13.692.000 | 9,5% |
| Brasil Novo | 119.531.000 | 40.322.000 | 65.254.000 | 6.796.000 | 5,7% |
| Medicilândia | 188.519.000 | 62.804.000 | 104.821.000 | 11.755.000 | 6,2% |
| Placas | 105.638.000 | 33.656.000 | 61.227.000 | 8.413.000 | 8% |
| Porto de Moz | 143.395.000 | 21.390.000 | 104.342.000 | 13.383.000 | 9,4% |
| Souzel | 68.941.000 | 18.340.000 | 42.543.000 | 5.070.000 | 7,4% |
| Uruará | 268.189.000 | 69.067.000 | 156.310.000 | 28.934.000 | 11% |
| Vitória do Xingu | 148.789.000 | 34.820.000 | 87.733.000 | 8.589.000 | 5,8% |
| TOTAL | 2.414.321.000 | 450.969.000 | 1.419.339.000 | 351.858.000 | 9,28 |
PIB DOS DEZ MUNICÍPIOS DA REGIÃO DE BELO MONTE EXCLUINDO ALTAMIRA (2012-IBGE)
| MUNICÍPIO | PIB TOTAL | PIB AGROPEC | PIB SERVIÇOS | PIB INDÚST. | % IND. |
| Anapú | 142.508.000 | 41.569.000 | 77.016.000 | 13.692.000 | 9,5% |
| Brasil Novo | 119.531.000 | 40.322.000 | 65.254.000 | 6.796.000 | 5,7% |
| Medicilândia | 188.519.000 | 62.804.000 | 104.821.000 | 11.755.000 | 6,2% |
| Placas | 105.638.000 | 33.656.000 | 61.227.000 | 8.413.000 | 8% |
| Porto de Moz | 143.395.000 | 21.390.000 | 104.342.000 | 13.383.000 | 9,4% |
| Souzel | 68.941.000 | 18.340.000 | 42.543.000 | 5.070.000 | 7,4% |
| Uruará | 268.189.000 | 69.067.000 | 156.310.000 | 28.934.000 | 11% |
| Vitória do Xingu | 148.789.000 | 34.820.000 | 87.733.000 | 8.589.000 | 5,8% |
| TOTAL | 1.185.510.000 | 321.968.000 | 699.246.000 | 96.632.000 | 7,8 |
As estratégias para a industrialização da região apostam na grande produção regional de produtos como cacau, gado, pescado, madeira, entre outros.
Essas potencialidades foram inclusive levantadas e mensuradas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (SEDEME), que junto com Governo Federal, Governos Municipais e Sociedade Civil da região realizou em junho um Seminário em prol do Desenvolvimento Socioeconômico do Xingu.
A secretaria é liderada pelo competente Adnan Demachk, ex-prefeito de Paragominas e cuja administração conseguiu imprimir um impressionante processo de desenvolvimento naquele município.
O objetivo é não somente fomentar a atual produção já existente, mas investir num processo de verticalização capaz de transformar profundamente as bases da economia regional. A Sedeme vem então desenvolvendo uma agenda de ações e estratégias em prol do desenvolvimento regional com definição de prioridades, de parcerias e de estratégia de operacionalização.
De olho neste processo, quem saiu na frente foi o município de Vitoria do Xingu, que concentra 93% das obras e estruturas físicas da UHE Belo Monte, sendo um dos maiores impactados.
A gestão municipal, conduzida pelo prefeito Erivando Amaral, vem buscando essas alternativas, investindo em iniciativas que possam alavancar a economia local e manter o processo de crescimento da economia e distribuição de renda iniciado com a construção da usina.
Uma dessas iniciativas foi a criação, através de Projeto de Lei de iniciativa do Executivo Municipal e aprovada pelo Legislativo, de uma área destinada à implantação de um Distrito Industrial. Esta área, localizada na rodovia transamazônica, quase em frente à casa de força principal da UHE Belo Monte, tem localização estratégica, por ter acesso tanto à rodovia Transamazônica como ao Rio Xingu, se tornando um importante componente logístico.
O governo local acredita que Distrito Industrial de Vitória do Xingu tem um potencial de agregar valor à toda produção regional.
Atualmente, a região produz cerca de 100 mil toneladas de cacau, possui o terceiro mais rebanho bovino do Estado e vem fazendo investimentos pesados na piscicultura, que devem transformar a região numa das maiores produtoras de pescado do País.
Toda essa produção pode gerar ainda mais desenvolvimento econômico e social na região se for conectada a um processo de verticalização, que gera mais empregos, atrai novos investimentos, internaliza mais riquezas e cria um ciclo virtuoso que beneficiará ainda mais os municípios do Xingu.
Só a cadeia produtiva do cacau, com a industrialização, tem potencial para agregar cerca de 10% de crescimento ao PIB regional.
Atualmente, o preço do quilo do cacau na região é baixo se comparado a região da Bahia, onde estão concentradas as processadoras da amêndoa. Enquanto na região o preço médio está entorno de R$ 7,00, em Ilhéus chega a R$ 10,30, uma diferença de cerca de 45%. O Pará produz quase a metade do cacau no País, mas não tem nem 1% desta produção processada em seu território. É preciso mudar isso já.
Se houvesse uma indústria na região, haveria um incremento de mais de R$ 200 milhões na economia regional apenas com a melhora no preço, sem contar coma movimentação gerada pela própria indústria. Seria criada toda uma cadeia produtiva, com o Pará se tornando não somente produtor de produtos processados como manteiga de cacau e licor, mas também de produtos finais como chocolate.
Para transformar isso em realidade, é preciso que o governo do Estado e Federal, além da própria empresa dona da usina de Belo Monte, se unam ao esforço de garantir a infraestrutura necessária para a implantação das indústrias na região, bem como a criação de políticas públicas de incentivos, inclusive fiscais.
Uma delas poderia ser a isenção do ICMS na conta de energia de indústrias que se instalarem na região, uma ação mais que justa para com uma região que será responsável por abastecer com energia elétrica limpa e de qualidade a residência de mais de 50 milhões de brasileiros.
– – – – – – – – – – – – – – – –
* É empresário e jornalista. Escreve regularmente neste blog.
Muito Bom saber que tem pessoas preocupadas com o futuro da região. O Oeste do Pará não pode ser so um produtor de comodities e tem que industrializar para desenvolver. Pena que em Santarém os políticos não enxergam além dos 4 anos de mandato.
Triste realidade!
Todas as “vantagens” geradas pela implantação de Belo Monte não serão suficientes para suportar os custos da desmobilização dos operários envolvidos nas obras civis, que permanecerão nas periferias de Altamira e de Vitória do Xingu.
É provável que o processo de industrialização, alentado pelo Paulo Leandro, se intensifique em locais em que isso já iniciou. Belo Monte está sendo construída com essa finalidade.
Atrasadíssimos estão o Estado do Pará e os municípios de Altamira e Vitória do Xingu nesse processo de “verticalização da produção”. A verticalização real é vista pela construção de barragens, pela elevação dos níveis das águas do Xingu, pela construção das torres de transmissão de energia e pela elevação do preço da energia elétrica para os amazônidas.