Jeso Carneiro

Representação regional para reforçar a criação do Tapajós, de Mário Henrique Guerreiro

Representação regional para reforçar a criação do Tapajós, por Mário Henrique Guerreiro, Alepa, fachada

por Mário Henrique Guerreiro (*)

São evidentes que as dimensões territoriais de uma unidade federativa, associados as suas diversidades intraregionais, são elementos determinantes que afetam diretamente, no contexto administrativo, muitas vezes, não possibilitando que as políticas públicas cheguem com eficiência e eficácia, de forma homogênea em todas as subregiões do Estado.

No Pará, com dimensões territoriais de 1.247.689, 515 km2, superiores a países como França, Espanha, entre outros, com diversidades regionais de toda ordem, é natural que algumas de suas regiões acabem por não desenvolver como outras, dentro do próprio estado, devido a falta de capacidade econômica e administrativa de gerenciar de forma isonômica todas as subregiões.

Dentro do contexto, criam-se subregiões pouco desenvolvidas, exatamente porque a capacidade de resolução do Estado são claramente menores que os problemas existentes.

A presença efetiva do Estado, com obras e políticas públicas que venham ao encontro dos anseios da população, são pífias, irrisórias e sem a solidez da inclusão regional.

Os últimos levantes, onde o sul e o oeste do Pará, irmanados num sentimento que vislumbrassem estabelecer novos rumos e conquistas, no sentido de dividir território, para somar oportunidades, encontrou em mais de 95% dos eleitores dessas áreas o anseio de formar novas unidades federativas, Estados de Carajás e Tapajós.

Entre o sul e o oeste do Pará existem diferenças galopantes em termos de desenvolvimento, em todos os sentidos. Inclusive na representatividade econômica para o Estado do Pará. Dai, no meu entendimento, o plebiscito duplo nos tenha tirado a possibilidade da criação do Estado do Tapajós.

Mas este sentimento regional de emancipação tem que representar unidade propriamente dita. Fato que parece não ter sido absorvido por nós. Lógico, se não foi possível no contexto eleitoral do Pará sermos um novo Estado, precisávamos consolidar nossa vontade emancipacionista mostrada no plebiscito. De forma que nos fizéssemos representar quantitativa e qualitativamente no cenário estadual e federal.

O diagnóstico foi completamente outro, o oeste do Pará, quase não se fez representar na Assembléia Legislativa do Estado do Pará, muito menos na Câmara dos Deputados em Brasília.

Precisamos refletir sobre isso e reverter esta realidade, usando o mesmo sentimento do plebiscito pela criação do novo Estado, consolidando nossas lideranças nos parlamentos. Não se trata de sentimento umbilical, mas um sentimento de possibilidades de inclusão através de representação.

Enquanto o novo Estado não se materializa, precisamos de homens e mulheres nos parlamentos que nos façam representar, até para que nossos sonhos e objetivos regionais sejam conduzidos.

O oeste do Pará clama urgentemente por mais representatividade, sob pena de ficarmos sempre reclamando a ausência do Estado. Se o Estado se ausenta é porque nos falta também representatividade. Pensemos!

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* É professor e geólogo. Escreve regularmente neste portal.

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