Jeso Carneiro

Segunda chance

por Nonato Sousa (*)

A psicanálise conceitua frustração como o estado daquele que, pela ausência de um objeto ou por um obstáculo externo ou interno, é privado da satisfação dum desejo ou duma necessidade. Daí, o individuo frustrado, isto é, aquele que não atingiu seu ideal.

Malogrado no seu intento não entende sua parcela de culpa e atribui a outrem responsabilidade por sua falha, sem reconhecer que o principal sujeito do seu destino é ele próprio, são conseqüências do que pensa, diz e faz ou não que o conduz ao êxito na empreitada ou ao aparente fracasso.

Digo aparente por que, reporte-se ao título, a força que o move, com auxílio certo (Raul Seixas canta: “nunca se vence uma guerra lutando sozinho… sabe que precisa entrar em contato”) pode-se se chegar aonde se pretende.

Grandes nomes da história assim se fizeram mediante um tutor, um amigo ou alguém nos momentos (in)oportuno que tiveram a coragem de fazer suas intervenções e ajudar a impelir o antes fracassado a rumar na direção certa, certa dentro do objetivo estabelecido. Alexandre teve Aristóteles, Pedro Jesus, Agostinho Mônica e tantos outros.

Conheci alguns meses atrás o lugar da segunda chance (Fazenda Esperança – lugar de recuperação de dependentes químicos), onde o passado é deixado para trás e conta-se a vontade, a motivação da pessoa em querer, através do amor, se restaurar e recomeçar, claro que como qualquer obra humana tem seus limites, porém o sucesso daqueles, a maioria, que se lança de corpo e alma neste projeto, sobrepuja os frustros.

Sem deixar de ser piegas tem alguém do nosso lado precisando de uma segunda chance, e quem sabe não seja a primeira, pois o moralismo nos faz julgar o outro por um único erro dantes vários acertos, que felicidade proporcionaríamos se déssemos uma chance a quem precisa? Há custos: paciência, compreensão, mas o principal é lembrar que não importa o tamanho do erro a pessoa é maior.

Qualquer experiência feita permanece naquele que a faz e fazendo isto experimenta ser divino, afinal quanto mais humano, mais se aproxima de D’us, é amar sem restrições, apostar, perdoar e confiar sem, contudo colocar isto como meta pessoal, pois o ofensor pode a qualquer momento cometer o mesmo erro, aí serão dois frustrados.

Entremos, então, na vida do outro por dentro para sanar as dores, pois por fora já foi bastante machucado, a tendência geral é permanecer apenas na superfície, e necessita-se ir além, e isto na é mérito nenhum quando todas as religiões pregam que façamos aos outros aquilo que queremos que nos façam. Assim, plantemos então a segunda chance para quando precisarmos, colhê-la.

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* É filósofo e faz o 3º ano de Administração em Manaus.

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