
por Mário Henrique Guerreiro (*)
A Amazônia sempre foi e continuará sendo uma fonte de conquistas, onde as ambições pelas riquezas existentes, aos moldes de outrora, pautará sua ocupação e os conflitos entre sua gente.
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Ao longo do tempo, foram criadas às margens dos rios, povoados e vilarejos que hoje estão edificadas nossas cidades, guardando suas próprias características, misturando artes, culinárias, tradições e costumes, consolidando a cultura específica de cada local, que sobrevivem ao passar do tempo ou muitas são sucumbidas pela modernidade.
As cidades guardam entre si este sentimento secular, onde as linhas imaginárias de delimitações territoriais também delimitam os homens, ditando um sentimento monárquico de um rei sem trono, muito menos coroa.
Esse sentimento, da superioridade provinciana, alicerçada pelo “bairrismo” que serve como âncora de divisão e nada tem ajudado ao avanço, principalmente do oeste do Pará, dificultando a integração regional e colocando nossos municípios a pensar de forma umbilical, como fossem ilhas e não parte do todo.
Afinal, sempre moramos rio à cima, e na verdade o que deve nos separar são apenas linhas imaginárias geográficas, para efeitos de composição dos entes federativos.
É uma questão administrativa e não de separação pessoas. Precisamos deste olhar de unidade para nossa região avançar, para que nossas cidades possam desenvolver juntas, e crescer nosso espírito de cooirmãs amazônicas.
Que sentindo teria fomentar animosidades entre cidades? Quem ganha com isso? O peixe gostoso de Faro também se encontra em Terra Santa. Podemos comer também em Juruti e saborear em Oriximiná. Comer em Óbidos e degustar em Santarém. Fazer um assado no Curuá, fritar em Alenquer e uma bela calderada em Monte Alegre.
Afinal, somos o mesmo povo e moramos rio abaixo. Que bom! Esses saborosos peixes desconhecem linhas imaginárias e nos une pelo paladar.
Nossas cidades enfrentam os mesmos problemas, enchentes, erosões, sem atendimento na Saúde, Educação aquém do ideal, desemprego, falta de políticas públicas, sem uma presença efetiva do Estado e da União, enfim, por que não se unir em busca dessas conquistas regionais?
Importante é o que nos converge, e não o que nos diverge. O jaraqui que passa aqui, também passa lá.
Reflita!
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* É professor e geólogo. Escreve regularmente neste site.
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