
por Jota Ninos (*)
“É uma paralisação de 12 horas, na tentativa de sensibilizar a direção do SDC – Sistema Diocesano de Comunicação, a negociar com seus trabalhadores”, diz Rogério Sullivan, presidente do Sindicato dos Radialistas, que lidera o movimento envolvendo funcionários de diversas empresas de Santarém, que vivem a mesma situação.
A ideia é levar o movimento para outros grupos empresariais que também estão desrespeitando os direitos trabalhistas.
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O movimento conta com apoio de outros sindicatos – inclusive do Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) – e deve trazer a Santarém o presidente da FITERT – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão, José Antônio de Jesus.
Desde que assumiu o Sindicato dos Radialistas, há nove meses, Sullivan modificou a forma de organizar o sindicato, mostrando capacidade de discutir propostas simples com os associados, que andavam desmotivados com a profissão e com seu sindicato.
Desde outubro, vinha negociando um pequeno reajuste, que mal contemplava as perdas inflacionárias, dando oportunidade às empresas, mas ao mesmo tempo se articulando com órgãos como MPT – Ministério Público do Trabalho e SRTE – Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, para reforçar uma ação legal.
Encontrou forte resistência dos mais tradicionais grupos: o SDC – Sistema Diocesano de Comunicação, que congrega a Rádio Rural AM e a TV Encontro, e o STC – Sistema Tapajós de Comunicação, da Rádio e TV Tapajós (e Portal G1 Santarém), sendo a TV uma das afiliadas da Rede Globo de Televisão.
Com atraso de salários, os funcionários de empresas como a Rural, resolveram discutir a possibilidade de uma histórica paralisação, efetivada hoje.
Apesar de ter surgido há mais de 30 anos e com posições aguerridas da maioria de suas diretorias, o Sindicato dos Radialistas ainda não tinha conseguido impor uma postura mais pragmática e menos retórica.
Nos anos 1980, ainda dando os primeiros passos, conseguiu a definição de um piso salarial, a partir dos primeiros acordos coletivos com as empresas e que perdura até hoje, mas sem nunca avançar para ganhos reais e sem conseguir o cumprimento dos direitos básicos dos mais de 150 funcionários das emissoras de rádio e televisão.
As empresas mais que dobraram nos primeiros 30 anos de radialismo, agrupando-se em corporações familiares ou vinculadas à igrejas, católicas ou evangélicas, porém pouco fizeram para valorizar seus funcionários.
O movimento de hoje busca reabrir as negociações com a direção da Rural, que estaria irredutível em aceitar os 5% de reajuste definidos com as demais empresas.
Além disso, tenta definir um posicionamento mais concreto por parte da Igreja Católica – que sempre deu voz a movimentos sociais pela luta de seus direitos, mas poucas vezes respeitou os direitos de seus funcionários – no sentido de acabar com o atraso no pagamento dos salários.
“Se depois de 12 horas de paralisação, não houver diálogo, poderemos deflagrar uma greve por tempo indeterminado”, diz Sullivan. O movimento na Rural pode ter adesão em outras emissoras, nos próximos dias.
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* É jornalista e servidor público do Judiciário.